Em teoria um 500 de 5 portas seria mais rentável que um Punto, apenas pela questão do preço de venda ao público.
Para inverter essas margens, o novo Punto teria de ser projectado como o novo Tipo.
O Tipo não deixa de ser um exercício de low-cost. Pode não o demonstrar, como um Dacia, mas usaria o C4 Cactus como algo que o demonstra melhor.
Tal como o Cactus, também a Fiat apostou na simplificação.
A redução de opções a nível mecânico e fornecer apenas potências modestas, permitiu, como se viu no Cactus, desenvolver componentes e elementos estruturais que não têm de estar preparados para lidar com algo próximo dos 200cv.
Quanto mais subimos na potência, mais resistentes têm de ser a estrutura e uma série de componentes para lidar com os stresses a que os equideos extra obrigam. Mantendo as potências modestas, podem redimensionar uma série de componentes, e consequentemente, ao necessitarem de especificações inferiores, também permite uma redução nos custos.
A linha de produção também se simplificou. O mais certo é não existir a flexibilidade que hoje se encontra em outras linhas de produção, que permitem obter veículos bastante personalizados, seja nos equipamentos ou até na escolha de carroçarias com múltiplas cores ou acabamentos específicos.
A redução de opções, permite uma redução efectiva dos custos e torna a linha de produção economicamente mais eficiente.
Junte-se o local de produção ser na Turquia, com custos inferiores a uma Itália, e não é difícil perceber como se consegue um preço de combate. Um carro com dimensões de segmento C, mas com preços de segmento B, e com margens superiores.
Como o preço é baixo, o mais certo é nem haver muita discussão para potenciais descontos ou promoções. Estamos a comprar um carro maior, com mais espaço ao preço de um utilitário. E isso também ajuda na obtenção de melhor margem por unidade vendida.
Ao contrário do segmento B, em que tudo é vendido com descontos generosos, pois a concorrência é enorme, com politicas comerciais muito agressivas.
Apesar dos volumes na casa das dezenas e centenas de milhares de unidades por modelo, não há muito dinheiro a ser feito no segmento B na Europa. A não ser que seja um crossover[

]. Sempre podes ter um preço de aquisição superior, apesar de na linha de produção dever custar o mesmo que o utilitário de que deriva.
Ainda não me deparei com muita informação sobre o carro em si, e de que forma a Fiat reduziu e simplificou o Tipo para contenção de custos. Os materiais escolhidos, métodos de construção, etc... Existe uma série de parâmetros que podem contribuir para uma redução efectiva dos custos, sem que implique perca de integridade estrutural ou robustez das fixações, ou até aparência miserável. O C4 Cactus é um excelente exemplo do que pode ser alcançado quando se decide abordar o problema de sempre de outro ponto de vista.
A própria Fiat tem na sua história exemplos de low-cost, como o Panda original, que responderam a uma série de desafios técnicos e de custos, com soluções industriais e de design originais.
Já neste século, o concept Ecobasic tal como o concept original do Cactus, foram exercícios conceptuais puros na exploração de redução dos custos na concepção e produção de um automóvel.
Tudo bem que o Tipo tem uma aparência bastante convencional, quando comparado com um Cactus, mas isso é apenas uma opção estilística e mais adequada à generalidade dos mercados onde vai ser vendido.
Mas as premissas seguidas por ambos devem ter sido as mesmas.