Até há uns anos concordo que as plataformas eram específicas a cada segmento. Mas nos dias de hoje as marcas apostaram nas plataformas modulares que servem múltiplos segmentos. Esta evolução da small-wide da FCA é um exemplo disso.
Serve o 500X/Renegade que são crossovers de segmento B mas com medidas perto do segmento C. Vai também servir o Punto no segmento C.
Mas depois serve o Tipo e o futuro Jeep Patriot/Compass e C-SUV da Fiat que são todos carros para o segmento C (e o futuro Jeep Compass aposto que vai vender imenso).
A plataforma usada no Dart e derivada do Bravo deixou de ser usada porque tiveram problemas em adaptar a plataforma para corresponder ás regulações de segurança dos EUA com o Dart. Este carro é bastante pesado e acanhado comparado com a concorrência e como não teve sucesso vai ser desfasado. O que teve mais sucesso foi mesmo o Giulietta com essa plataforma.
Outro exemplo é a plataforma MQB da VW, que serve Golf, Passat, Superb, A3, Leon, etc, etc.
É um pouco mais complexo.
A plataforma do Dart é uma versão esticada da do Giulietta. A suspensão traseira é independente como a do Giulietta. A plataforma do Giulietta é uma evolução da do Bravo. Coloquem uma ao lado da outra, e em comum, apenas o chão da plataforma se mantém inalterado.
Não existiram problemas na adaptação às regras americanas.
A questão do peso tem mais a ver com a situação económica da FCA, onde o foco tem sido mais no reaproveitamento e evolução de hardware, e não considerar, talvez, uma base nova que melhor servisse as necessidades nos dois continentes.
Uma coisa é pegar numa plataforma que foi projectada para cobrir necessidades sobretudo europeias, outra coisa é ter uma plataforma já projectada de raíz para ser vendida em todo o lado e cobrir as mais variadas necessidades dimensionais como acontece com a MQB da VW.
O Giulietta não é propriamente um exemplo de leveza, claro que esticar a plataforma para todos os lados, e adaptá-la a testes de segurança mais rigorosos, não iria favorecer o Dart nesse capítulo.
O Dart é grande. Deve ser o maior representante no segmento liderado por Civic e Corolla.
Não tem correspondência a nível de habitabilidade, definitivamente.
O carro não é mau, longe disso. Mas estando num segmento estupidamente competitivo, não basta ser bom...
Os problemas comerciais do Dart começaram com o lançamento, onde não existia a combinação ideal de motor e transmissão. O 2 litros e caixa de 6 automática não foram combinações felizes.
Depois existia a concorrência interna chamada de Avenger. Os incentivos para despachar o Avenger eram muito generosos, pelo que podias ir com a ideia de comprar um Dart e sair do stand, por preço igual ou inferior com um Avenger, um carro bem maior.
A coisa nunca acabou por melhorar.
Sim, o Dart não foi um sucesso, mas também não foi um flop.
O anúncio do Marchionne em que vai acabar com o Dart e o 200, apesar de parecer uma loucura, até tem grande dose de racionalidade.
No global, estamos a falar de 250-260 mil unidades ao ano nos EUA. É muito, mas convém fazer a pergunta, será que dá dinheiro?
O problema é que estes modelos estão a ser despachados ou para frotas ou com incentivos generosos, tanto para os clientes como para os distribuidores. As margens devem ser uma miséria e o volume de vendas que apresentava era ilusório.
Veja-se as vendas do 200 em Janeiro. De mais de 14 mil em Janeiro de 2015 para pouco mais de 5000 o mês passado. Que queda! Acabou-se com o programa de incentivos para os distribuidores, a que se junta críticas ao produto 200 no que toca a habitabilidade e transmissão e vê-se o resultado.
A FCA precisa de capacidade para produzir mais Jeeps e Ram's.
A longo prazo esta decisão pode ser contraproducente, dado a volatilidade dos preços do petróleo, mas a curto prazo, usar as linhas de produção destes 2 modelos para produzir mais "trucks" revelar-se-á bastante lucrativo.
O Marchionne precisa é de dar luz verde a criar sucessores "crossoverianos" para o 200 e Dart, complementando a oferta da Jeep com propostas de foco mais on-road do que off-road, mas com o aspecto e a altura da posição de condução que parecem ter convencido o mundo inteiro.