A conversa da sorte com que alguns vieram é mesmo para rir... No caso do Norris foi só triste e ridículo, porque ele sendo um piloto devia saber melhor do que estava a falar.
O que eu vi foi um Sir Lewis Hamilton a não conseguir ultrapassar praticamente ninguém, pressionou o Lawson até ao limite e nada. O Perez com um Redbull fez uma corrida para esquecer, com peões, incapaz de ultrapassar. O Russell, sempre que se aproximou dos Alpine, acabou por desistir. O Norris incapaz de ultrapassar, com um carro muito melhor do que o Mercedes e não passou de forma nenhuma. O Piastri para passar o Lawson teve de lhe dar um chega para lá que lhe valeu os 10 segundos no final. Etc... Etc... Etc...
E nestas condições de pista, onde praticamente ninguém conseguia ultrapassar ninguém, o Max foi de 17º até 6º em uma dezena de voltas. A ultrapassagem ao Piastri então foi especialmente boa, o Piastri não é propriamente um piloto "soft" na defesa e aposto que a McLaren e ele próprio iam adorar conseguir travar o Max ali atrás, mas nem teve hipótese, foi apanhado completamente de surpresa e só o viu a passar a voar.
Quando chegou ao Leclerc, tentou passar uma ou duas vezes e percebeu que não podia arriscar bater, então mais uma vez, ele fez a sua própria sorte. Era óbvio para todos (as comunicações do Russell são a prova) que iria haver safety cars com fartura e talvez bandeiras vermelhas, a pista estava cada vez pior. Nestas condições, ao não conseguir passar o Russell, o Norris entrou em pânico e pediu insistentemente para lhe trocarem isso pneus, já o Max tratou de ir protegendo os pneus e continuou sem ceder posições em pista com pneus muito mais desgastados. O expectável acabou por acontecer, houve uma bandeira vermelha. Dizer que isto é pura sorte? Enfim... Tem a sua dose de aleatório, é certo, mas não era nada inesperado e a verdade é que uns posicionaram-se para poder aproveitar uma possível bandeira vermelha, outros não conseguiram aguentar até esse ponto.
Já agora, após a bandeira vermelha, aconteceu o único erro que vi do Max em toda esta corrida louca, que foi quando perdeu os 4 segundos atrás do Ocon numa saída mais larga numa curva. Mas mesmo aí mostrou nervos de aço, manteve a calma e a seguir fez um dos stints mais impressionantes desde que me lembro de seguir F1. Nestas condições onde vimos pilotos perderem o carro, inclusive em voltas lentas, porque tocaram com a roda traseira numa linha branca, ver um piloto fazer 15 voltas mais rápidas, 5 delas em sequência, é algo que eu nunca tinha visto.
Ainda por cima, o Max vinha de uma sequência de situações que para a maioria dos pilotos seriam psicologicamente arradadoras, está numa época em que perde uma série de peças chave na equipa, vem de uma penalização no México que contrasta imenso em severidade com o que estava a acontecer até aí, e neste fim de semana há uma série de situações em que ele foi sempre prejudicado: a penalização pelo motor, o VSC no sprint, a gestão do timing das bandeiras na qualificação, etc... Estavam criadas todas as condições para ele fazer uma corrida emocional, que normalmente é quando se faz mais asneiras e se acaba a fazer uma corrida de porcaria cheia de erros. E isso explica porque no final fez questão de dar aquela demonstração de total superioridade com as voltas mais rápidas consecutivas, mas de forma surpreendente fez isto com apenas um pequeno erro inconsequente que já referi em cima.
Falar em sorte...