Eu ainda gostaria de ser esclarecido numa coisa...
Pelos vistos o que irrita mais as pessoas é a questão do emprego vitalício, certo? Mas se essa "regalia" desaparecer para a função pública, digam-me honestamente o que isso trará de bom para quem quer que seja?
- Os trabalhadores do privado vão continuar à mercê do mercado, faliu, acabou, cortes orçamentais na empresa, rua.
- Com uma facilitação do despedimento na FP, essas pessoas vão passar a engrossar o mercado privado e/ou os centros de emprego.
- Se há uma coisa que torna muitos serviços do estado ineficiente é a falta de trabalhadores e não o contrário.
Sei muito bem que é preciso reduzir o peso do estado, mas estava convencido que a regra do saem 2 entra 1 era o caminho acertado, a coisa tem de ser feita com calma e com regras, não adianta "despir" certos serviços para funcionarem ainda pior, interessa é aproveitar os trabalhadores no seu todo e reorganizar TODOS os serviços de modo a não haver uns com mais e outros com menos.
Pessoalmente sou completamente a favor da mobilidade dos trabalhadores, estão a mais num lado, só têm que ir para onde fazem falta. Deve é de ser algo anunciado com antecedência para terem tempo de organizar a sua vida.
Também sou completamente a favor das avaliações com possíveis repercussões quer na progressão e até em casos extremos no despedimento, essas avaliações deveriam no entanto serem públicas, com regras bem definidas e contestáveis. Trabalhadores que não fazem o seu trabalho devem de ser despedidos, quer na FP quer no privado.
E por fim, já repararam que só estamos a falar de pessoas que não podemos considerar ricas? Porque não falar dos directores que são "nomeados" e recebem salários muitíssimo elevados? Não deveriam todos os postos de trabalho serem alvos de concursos públicos? O que me deixa muito triste nos governos (todos eles) é continuarem a nomear pessoas para altos cargos não políticos sem critérios transparentes. No que toca a cargos de natureza política acho normal que sejam do partido, não esperaria outra coisa, agora para serviços supostamente independentes?
Ora nem mais.
Independentemente do resto, quem não cumpra não está a fazer nada seja em que lugar for! O problema, e espero estar errado, é que, do que parece transparecer aqui, muita gente está ansiosa de ver começar funcionários públicos a irem para o desemprego, postura que, convenhamos, não é muito correcta...
Há que fazer alterações? Há sim senhor, sempre o disse! Há que reorganizar para optimizar? Claro, o dinheiro dos vencimentos que cada um recebe ao fim do mês serve precisamente para pagar trabalho realizado, pois concerteza! Há muita coisa mal e que importa corrigir? De facto, começando primeiramente pelos cargos de nomeação política e pelos amigos...
Flexibilizar o o vínculo laboral, como agora se pretende, vai ao encontro disto? Não. Do que temos visto o que se pretende é "limpar", a eito, pelo menos 200.000 funcionários públicos até 2009. É foleiro, como medida, é foleiro que se apoie uma coisa destas...
Receio das avaliações? Penso que não há qualquer motivo para isso, pois as regras são claras, colocadas à partida, no princípio de cada ano e cada um só tem de as cumprir!
Pôr gente no desemprego porque os serviços acabam, porque as fábricas fecham,... porque ... porque sim? É um abuso que terá consequências sociais sérias, graves, e esperemos que não hajam reacções mais, digamos, irrascíveis!... Pois ficar sem trabalho aos 50, com filhos, casa, responsabilidades, não irá dar muito bom resultado a ninguém, daí eu falar em progressividade na aplicação das medidas!