Golf VI

Às vezes uma pessoa nem dá pelo tempo passar mas quando realmente olha para o relógio, ou calendário, passou todo um ciclo, e aquilo que parecia um mero passatempo fugaz, como seria um fórum de automóveis, já faz tão parte do quotidiano como o café que se toma de manhã ou a pastilha que se toma à noite para a disfunção ere... nada.

Lembro-me do tópico do Golf V como se o tivesse a abrir hoje, o seu nivel de epicidade não tinha na altura precedentes. Já se postava só por desporto quase. Desporto esse que era dar porrada forte e feio no carro. Eu, que de fã VW não tenho nada para além do meu natural entusiasmo por carros, até fiquei com pena do pobre Golf e intercedi a seu favor, coisa que acabou por me agradecer mais tarde, pois a minha intervenção acabou por se tornar responsável pelo seu sucesso comercial na europa. Mas isso fica para outra história.

Agora vejo-me obrigado a fazer praticamente a mesma coisa. Até porque, salvando o facto do contexto do surgimento de uma geração e de outra ser relativamente diferente, há um argumento que se repete: "a geração anterior é que era". Ora, a geração anterior ao actual é precisamente a que se fartou de levar porrada dos mesmos profetas da desgraça em idos de 2004, ou mesmo 2003.

O grande Gary Lineker descreveu o futebol como um desporto em que 22 jogadores correm atrás de uma bola durante 90 minutos e no final os alemães ganham. A nossa selecção pode atestar este facto, e embora no(a) final nuestros hermanos tenham desmentido o pobre britânico, a frase assenta como uma luva na indústria automóvel. Então se tivermos a falar de um ícone como o Golf, ainda mais verdade é.

Claro que não são 22 jogadores atrás de uma bola, mas são umas quantas dezenas de engenheiros, de marketeers e de designers atrás do lucro máximo. E no final ganham. Por muito que todos esperneiem pela traseira do Série 3, bracejem pela frente do A4 e bocejem pela lateral do Golf. Eles, melhor do que ninguém, sabem o que fazem e sabem o que as pessoas querem.

Neste caso a estratégia parece-me exactamente a utilizada no anterior Audi A4. Um restyling profundo ao ponto de mudar de designação (no caso do Audi, de B6 para B7) e para renovar bem a sua presença no mercado, mas sem esticar demasiado a sua vida pois paralelamente deve estar a ser desenvolvida uma geração inteiramente nova para aparecer nuns 3 aninhos. E agora percebo o que os responsáveis da VW quiseram dizer quando disseram que os custos de desenvolver a geração V eram elevados e que iriam diminuir na próxima.

O que eu acho do carro em si? Tal como à mulher de César não basta sê-lo, tem que parecê-lo, parece-me uma actualização do Golf de acordo com a linguagem estilistica VW mais recente. Lembra o Scirocco na frente (que acho mais bonita que a anterior) e realmente o Touareg na traseira, que serve perfeitamente o propósito de ser e parecer um Golf.

Dito isto, o carro não é a minha preferência no segmento, nem lá perto anda. Mas e daí, também nenhuma das gerações anteriores alguma vez o foi, e isso não as impediu de serem um sucesso. Por isso é como sempre foi: cada um torce pelo que gosta mais. Mas, no final, os alemães ganham [;)]

Excelente post[;)]
 
Concordo inteiramente com o JTS.

Mas enfatizo o facto disto ser um mero restyling do V.
De resto, e mesmo que o mercado não absorva, o sucesso será sempre garantido pelas empresas de renting e pelas rent-a-car, não esquecendo os "jahreswagen". Basta pesquisar na Alemanha e ver quantos Golfs a estrear são matriculados por ano. [;)]
 
Uma coisa parece certa: não será com esta "geração" que o Golf voltará a dominar o segmento, como o fez até ao IV, distinguindo-se consideravelmente dos restantes.
 
Uma coisa parece certa: não será com esta "geração" que o Golf voltará a dominar o segmento, como o fez até ao IV, distinguindo-se consideravelmente dos restantes.
Ah sim... Porque se, na actual geração houve modelos que se equivaleram (ou mesmo superaram) o actual Golf, o mesmo irá acontecer com um restyling profundo do mesmo.
 
E agora percebo o que os responsáveis da VW quiseram dizer quando disseram que os custos de desenvolver a geração V eram elevados e que iriam diminuir na próxima.
Sempre ouvi dizer que o problema do Golf V são os custos de produção, não os "custos de desenvolver".

Ainda recentemente um responsável da vw afirmou isso mesmo. Em entrevista foi dito que razão que leva o V a ter uma carreira mais curta do que a tida pelas anteriores versões é, exclusivamente, o V ser excessivamente caro de produzir. Se o que se pretende como o VI é reduzir os custos de produção, e se no resto os responsáveis estão ainda satisfeitos com a prestação do V, até faz sentido que o aspecto do VI seja idêntico ao V.
 
Uma coisa parece certa: não será com esta "geração" que o Golf voltará a dominar o segmento, como o fez até ao IV, distinguindo-se consideravelmente dos restantes.
Nunca vou perceber este tipo de comentários. A minha mulher teve um IV e presentemente tem um V. Ao fim de quatro anos de utilização do V ainda não encontrei nada em que o V seja pior do que o IV.
 
Nunca vou perceber este tipo de comentários. A minha mulher teve um IV e presentemente tem um V. Ao fim de quatro anos de utilização do V ainda não encontrei nada em que o V seja pior do que o IV.

A questão não passa pelo que o IV é melhor do que o V. O que está aqui em causa é o que o V teve de melhor face à concorrência e o que é que o VI vai oferecer a mais do que a concorrência de forma a superá-la como aconteceu com o IV e como não aconteceu com o V.
 
Jbranco.

Eu era muito pequeno quando o Golf III saiu.

Mas durante toda a sua vida de mercado, não havia no mesmo mercado, nenhum concorrente que sequer se aproximasse em robustez. O Golf parecia de outro século no que ao aspecto qualitativo dizia respeito. Tanto exterior como interior.

Quando saiu o IV lembro-me perfeitamente (até porque um amigo do meu pai entrou nisso), que a lista de espera era tão grande, tão grande, que as pessoas para terem o carro num prazo minimamente aceitável não escolhiam a cor do modelo, podendo calhar qualquer uma, particularmente as menos usuais (roxo, por exemplo).

A euforia pelo modelo era desse nível. A qualidade percebida que o IV inaugurou no segmento deixava a anos luz...qualquer concorrente. Os plásticos molinhos e de bom toque podiam até vir a envelhecer mal e descascar anos depois, mas é inegável que inicialmente davam um EXCELENTE aspecto que punha o Golf num pedastal.

Quando o V saiu foi unanimemente criticado e não houve qualquer euforia nem tão pouco listas de espera dignas desse nome.

E o certo é que a VW se viu obrigada a descer CONSIDERAVELMENTE o preço do modelo em TODOS os mercados porque o Astra começou a fazer estragos sérios (e antes dele o Mégane II e o 307) e o V não conseguia cumprir os objectivos de produção.

Por isso, a meu ver, até ao IV o benchmark do segmento era INUBITAVELMENTE o Golf, com uma distância considerável para todos os concorrentes.
 
Uma coisa parece certa: não será com esta "geração" que o Golf voltará a dominar o segmento, como o fez até ao IV, distinguindo-se consideravelmente dos restantes.

Só te estás a esquecer de um pormenor. Na altura o Golf, literalmente, não tinha concorrência !

Só que a concorrência aprendeu, e começou a fazer carros capazes de ombrear com o Golf.

E algum do público alvo do Golf foi fugindo para o A3 e para o Serie 1. O Golf IV era o único que tinha uma imagem "premium" associada (O A3 estava a nascer), pelo que apanhava o típico cliente do segmento C, assim como o cliente "premium" nas versões de topo.

Cada vez se destacará menos, mas dificilmente deixará de ser a oferta mais homogénea no segmento assim como o lider de vendas.
 
O que me parece que há aqui pelo forum uma imagem muito "romântica" dos modelos mais antigos do golf e que não corresponde à realidade.

Eu era jovem quando o meu pai comprou como "carro para o dia a dia" um Golf I GTI. E o que é que o Golf I tinha de original? A sua originalidade, o que esteve na origem da sua fama, foi a ideia de pôr um motor potente num carro que de resto era um vulgar utilitário. Com esse motor surgia pela primeira vez o utilitário desportivo. A restante gama do I eram carros "chatos" mas cumpridores sem nada mais de especial.

O II foi o único golf que até hoje tive. Era o GTI 16v, o motor era porreiro mas lavava tareia de qualquer R5 GT Turbo que por sinal também curvava melhor e que no interior também dava tareia ao Golf num sentido em que apresentava um interior muito mais giro e desportivo do que o do Golf. Qualidade de construção não era má mas no meu os botões dos vidros tinham a tendência para se soltarem das portas e os plásticos eram vulgaríssimos. Era essencialmente um carro prático e equilibrado, sendo que o GTI em concreto já não se batia com a concorrência como o GTI I o tinha feito. Também levava tareia do 205 GTI, etc...

Golf III, a minha mãe teve o GT. Mais uma vez era um carro essencialmente prático, porreiro para a cidade e que também era capaz de fazer estrada. Como novidade tinha os tdi's (de 90cv ou coisa parecida).

O IV foi um único Golf que fugiu a este padrão ao ser o primeiro, e até agora único, que aparentava ser aquilo que não era. Essa aparência e a, ainda, novidade dos TDI's permitiram o sucesso dessa série. De todos os golf's esse foi precisamente o que menos me agradou. Parecia ter óptimos acabamentos mas não tinha, tinha um aspecto dinâmico mas curvava mal, parecia confortável mas não era, etc... Para salvar o quadro tinha, como disse, os belos dos TDI’s. Até o GTI era uma anedota de carro.

O V foi o retorno a tradição Golf. Um carro com um aspecto vulgar mas extremamente agradável de usar. Devido as suas dimensões é um carro prático para a cidade, a qualidade do chassi/suspensões permite uma condução divertida ou relaxada consoante o estado de espírito. A qualidade dos acabamentos é melhor do que aparenta e, no essencial, tal como o I é um carro prático, eficiente e em que tudo funciona como se espera. É também nesta versão que o Golf volta a apresentar um GTI digno desse nome. No geral o V apenas peca pela decadência do conceito TDI. O V é um carro mais humilde do que era o IV? Com certeza que sim, mas isso lá está é o retorno ao conceito original do I, II e III. Quem quer um carro com uma imagem mais exclusiva mantendo a base Golf tem o A3 disponível para isso.

Para mim o V depois do I é o melhor Golf concebido até hoje, no sentido em que é mais fiel à ideia de um carro simples, prático e agradável de usar no dia a dia. O Golf tem mais concorrência hoje do que há 30 anos? Certamente que sim, o contrário é que seria estranho. As pessoas gostam de seguir modas e deitam abaixo o V porque o V deixou de ser moda ou já não faz vista porque entretanto apareceram os pequenos Premium? Isso é um problema dessas pessoas. O Golf original não era um carro de "status", era um carro bom. [;)]
 
Last edited:
O Golf tem qualidades associadas a "si" que o distinguem da maiorida dos carros e que o tornam um valor seguro:

Valor de revenda acima da média e qualidade do chassis/interiores acima da média. Se juntarmos a isto um preço competitivo não vai ser a imagem pouco dinámica dele que o vai "botar" abaixo
 
Só te estás a esquecer de um pormenor. Na altura o Golf, literalmente, não tinha concorrência !

Só que a concorrência aprendeu, e começou a fazer carros capazes de ombrear com o Golf.

E algum do público alvo do Golf foi fugindo para o A3 e para o Serie 1. O Golf IV era o único que tinha uma imagem "premium" associada (O A3 estava a nascer), pelo que apanhava o típico cliente do segmento C, assim como o cliente "premium" nas versões de topo.

Cada vez se destacará menos, mas dificilmente deixará de ser a oferta mais homogénea no segmento assim como o lider de vendas.

Tal e qual!!! Acrescentava ainda, de forma menos preponderante, o 147!!!
 
Às vezes uma pessoa nem dá pelo tempo passar mas quando realmente olha para o relógio, ou calendário, passou todo um ciclo, e aquilo que parecia um mero passatempo fugaz, como seria um fórum de automóveis, já faz tão parte do quotidiano como o café que se toma de manhã ou a pastilha que se toma à noite para a disfunção ere... nada.

Lembro-me do tópico do Golf V como se o tivesse a abrir hoje, o seu nivel de epicidade não tinha na altura precedentes. Já se postava só por desporto quase. Desporto esse que era dar porrada forte e feio no carro. Eu, que de fã VW não tenho nada para além do meu natural entusiasmo por carros, até fiquei com pena do pobre Golf e intercedi a seu favor, coisa que acabou por me agradecer mais tarde, pois a minha intervenção acabou por se tornar responsável pelo seu sucesso comercial na europa. Mas isso fica para outra história.

Agora vejo-me obrigado a fazer praticamente a mesma coisa. Até porque, salvando o facto do contexto do surgimento de uma geração e de outra ser relativamente diferente, há um argumento que se repete: "a geração anterior é que era". Ora, a geração anterior ao actual é precisamente a que se fartou de levar porrada dos mesmos profetas da desgraça em idos de 2004, ou mesmo 2003.

O grande Gary Lineker descreveu o futebol como um desporto em que 22 jogadores correm atrás de uma bola durante 90 minutos e no final os alemães ganham. A nossa selecção pode atestar este facto, e embora no(a) final nuestros hermanos tenham desmentido o pobre britânico, a frase assenta como uma luva na indústria automóvel. Então se tivermos a falar de um ícone como o Golf, ainda mais verdade é.

Claro que não são 22 jogadores atrás de uma bola, mas são umas quantas dezenas de engenheiros, de marketeers e de designers atrás do lucro máximo. E no final ganham. Por muito que todos esperneiem pela traseira do Série 3, bracejem pela frente do A4 e bocejem pela lateral do Golf. Eles, melhor do que ninguém, sabem o que fazem e sabem o que as pessoas querem.

Neste caso a estratégia parece-me exactamente a utilizada no anterior Audi A4. Um restyling profundo ao ponto de mudar de designação (no caso do Audi, de B6 para B7) e para renovar bem a sua presença no mercado, mas sem esticar demasiado a sua vida pois paralelamente deve estar a ser desenvolvida uma geração inteiramente nova para aparecer nuns 3 aninhos. E agora percebo o que os responsáveis da VW quiseram dizer quando disseram que os custos de desenvolver a geração V eram elevados e que iriam diminuir na próxima.

O que eu acho do carro em si? Tal como à mulher de César não basta sê-lo, tem que parecê-lo, parece-me uma actualização do Golf de acordo com a linguagem estilistica VW mais recente. Lembra o Scirocco na frente (que acho mais bonita que a anterior) e realmente o Touareg na traseira, que serve perfeitamente o propósito de ser e parecer um Golf.

Dito isto, o carro não é a minha preferência no segmento, nem lá perto anda. Mas e daí, também nenhuma das gerações anteriores alguma vez o foi, e isso não as impediu de serem um sucesso. Por isso é como sempre foi: cada um torce pelo que gosta mais. Mas, no final, os alemães ganham [;)]
Excelente post jts. Gostei de ler.
 
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