Agora andam a ensinar esta inutilidade nas escolas? O tempo que gastam a aprender essa inutilidade era melhor que o gastassem a estudar Português e Inglês. O Mirandês serve exactamente para quê? Eu já fui muitas vezes a Miranda e nunca ouvi ninguém a falar mirandês...a língua já é ensinada nas escolas às crianças da Tierra de Miranda.
Em especial, conhecendo as personagens e a história. [Tenho o Asterix L Goulés (versão em Mirandês). Lendo com calma e pausadamente dá para perceber bem.
Agora andam a ensinar esta inutilidade nas escolas? O tempo que gastam a aprender essa inutilidade era melhor que o gastassem a estudar Português e Inglês. O Mirandês serve exactamente para quê? Eu já fui muitas vezes a Miranda e nunca ouvi ninguém a falar mirandês...
Agora andam a ensinar esta inutilidade nas escolas? O tempo que gastam a aprender essa inutilidade era melhor que o gastassem a estudar Português e Inglês. O Mirandês serve exactamente para quê? Eu já fui muitas vezes a Miranda e nunca ouvi ninguém a falar mirandês...
Agora andam a ensinar esta inutilidade nas escolas? O tempo que gastam a aprender essa inutilidade era melhor que o gastassem a estudar Português e Inglês. O Mirandês serve exactamente para quê? Eu já fui muitas vezes a Miranda e nunca ouvi ninguém a falar mirandês...
E para que serve o português? Para o mesmo que o mirandês! Tal qual...
O Mirandês, paradoxalmente, não é falado em Miranda do Douro por razões históricas ('assalto' hegemónico de senhores representantes do Reino de Portugal que decidiram, pura e simplesmente, pela abolição do Mirandês na cidade, fazendo deslocar para lá população que só falava o português, vinda de fora, e 'empurrando' os outros para as aldeias à volta) , mas sim nas terras à sua volta. Espera-se que esta situação se reverta. Nas escolas da região, e também na sede do concelho, além do português, também se ensina o Mirandês, embora como opção, o que eu não concordo. O seu ensino devia ser obrigatório, tal como o é do Português.
Olá
Na realidade, o mirandês esteve mais em risco de desaparecer do que agora, pois a língua já é ensinada nas escolas às crianças da Tierra de Miranda. O lionês não é uma língua morta, embora em Espanha o castelhano tenho feito um 'assalto' às regiões onde se fala ainda esta língua. Nas Astúrias há uma importante parte da população que fala o asturiano ou bable, que pertence à família das línguas lionesas. É difícil o percurso de sobrevivência destas línguas, quer do lado de cá, quer do lado de lá da raia, mas há que lutar pela manutenção de um vector importante do património imaterial dos povos: a sua língua.
Há que ter esperança no bom senso dos governantes.
Um abraço.
Por acaso nao acho piada nenhuma a esse dialecto que por mim ja tinha acabado á mto qto mais ainda ser ensinado nas escolas.
Já agora serve para que saber este dialecto?
Por acaso nao acho piada nenhuma a esse dialecto que por mim ja tinha acabado á mto qto mais ainda ser ensinado nas escolas.
Já agora serve para que saber este dialecto?
Vais-me desculpar Nephilim mas o teu comentário parece vindo de um labrego.
"já tinha acabado há muito"...
Há umas semanas encontraram na Austrália um rapaz que ainda falava um dialecto perdido dos aborígenes e isso foi razão de grande júbilo por parte da comunidade aborígene e australiana.
Em Portugal temos o mirandês, a segunda língua a ser falada nesse país, a ser tratado como lixo! [8b]
A riqueza cultural de um povo não vos interessa?
Em Portugal temos o mirandês, a segunda língua a ser falada nesse país, a ser tratado como lixo! [8b]
A riqueza cultural de um povo não vos interessa?
PEQUENO VOCABULÁRIO DO CALÃO MIRENSE
- ALFORGES - Beringeis
- ALMOÇO - Zé pequeno
- ANO - Planeta
- ARROZ - Venezo
- AZEITE - Vale da Serra
- AZEITONAS - Granadeiras
- AÇUCAR - Brasileiro
- BACALHAU - Navega
- BATATA - Pera Serrada
- BIGODE - Roda Pé
- BOCA - Tosadeira
- BOI - Turino
- BOM - Cópio
- BROA - Risota
- BURRO - Tróia
- CABEÇA - Caturra
- CAJADO - Samoucal
- CALÇAS - Cardosas
- CAMA - Giraldo
- CAMISA - Berliquia
- CARDADOR - Tanoador; charal
- CARNE - Pelota
- CARNE DE PORCO - Pelota de bicho sarrudo
- CARTA - A de rio alcaide
- CARTEIRA - A do João do Rato
- CASA - Classe
- CASAR - Emanar
- CHAVE - A do Serralheiro
- CHIFRES - Azeiteiros
- CINTA - A da Conceição Inácia
- COELHO - Cartifo
- COLETE - O facada
- COMIDA - Trilha
- CONVERSA - Piação
- CÃO - Modeio
- DEFECAR - Enfigueirar
- DINHEIRO - Neto
- DORMIR - Passar pelo regueira
- EMBEBEDAR-SE - Emotear-se
- ENXADA - A do pai adão
- ERVILHAS - Guisates
- ESCUDO - Montante
- ESPOSA - Emanada
- ESTRADA - A Del´Rei
- FACA - A de Guimarães
- FAVAS - Lajas
- FEIJÕES - Batalheiros
- FIGOS - Lutos
- FOME - Ambria
- GALINHA - Souto-Sico
- GARFO - Carretadeiro
- GATO - Cartifo
- GRANDE - Ancho
- HOMENS - Charais
- HORAS - As do Bandarra
- IGREJA - A do João Pedro
- INDIVIDUO - Covano
- LENHA - A do Monteiro
- LUME - O de Alhandra
- LÃ - A de Arraióis
- MANTA - Meniza
- MANUSEAR - Adogaivar
- MAU - didi
- MIRA DE AIRE - Cidade de Santo Estevão
- MORCELAS - As do Albino Jorge
- MORRER - Espadilhar
- MÃE - Antiga
- MÃO - Adogaiva
- NARIZ - Chaveca
- NEGOCIANTE - Charal
- OLHO - Mirante
- ORELHAS - Guarda Lamas
- PADRE - Raso; Francisco Vaz
- PAI - Antigo
- PEDRA - Santo Estevão
- PEIXE - Navega
- PERAS - Reconqueiras
- PERCEBER - Penetrar
- PORCO - Bicho sarrudo
- PRATO - O de Malpique
- PULGAS - Cacildas
- PÃO - Cinquete
- QUEIJO - Portel
- RABO - Torquelho
- RAPARIGA - Tirrazinha
- RAPAZ - Tirrazinho
- RELÓGIO - Bandarra
- RETRETE - Guedes
- SAPATO - Balões
- SONO - O da Regueira
- TEAR - Tronco
- TERRA - Terruja
- TOSTÕES - Marroazes
- TREMOÇOS - Alcains
- TRIGO - Folha da Costa
- URINA - Regatinha
- URINAR - Regatinhar
- UVAS - Labranças
- VINHO - Gandil; Mota
- VINTE ESCUDOS - Uma de São Mamede
- ÁGUA - Regata
Porto de Mós 20-02-2009
Calão mirense está à beira da extinção
Texto de Carlos S. Almeida
Imagine um “zé pequeno”, com “venezo”, “vale da serra” e “granadeiras”. Ou seja, um almoço com arroz, azeite e azeitonas. Demasiado vegetariano? Junte-lhe “pelota”, isto é, carne. Estas são apenas algumas das palavras do calão mirense ameaçado de extinção.
Actualmente não ultrapassarão a dúzia o número de pessoas que dominam o calão mirense, código linguístico com três séculos nascido em Mira de Aire e que corre o risco de desaparecer para sempre.
Carlos Alberto é o comandante dos bombeiros locais e sabe reconhecer uma emergência. E esta é uma situação que está muito perto de se tornar urgente. Se nada for feito, dentro de poucos anos o calão corre o risco de deixar de ser falado, e o esquecimento assinará a sua certidão de óbito.
Carlos Alberto conta-se entre os últimos falantes do calão mas ainda acredita ser possível evitar o desaparecimento de um dos mais originais patrimónios da freguesia. Existem alguns documentos escritos, artigos de jornal em calão mirense, mas não há um dicionário sistematizado, ao contrário do que sucede com o minderico – calão “irmão”, da freguesia vizinha de Minde. Parte da sua esperança reside na possibilidade da comunidade escolar avançar com algum projecto no sentido de ajudar a preservar o calão mirense.
João José, presidente do Agrupamento de Escolas de Mira de Aire e Alvados confirma a intenção de desenvolver um projecto nesta área, mas o assunto ainda está a ser estudado. Quanto avançar Carlos Alberto será um dos dinamizadores.
O calão mirense foi uma ferramenta preciosa sobretudo para os comerciantes locais que assim comunicavam entre si sem serem percebidos.
E foi entre essa população que mais se difundiu.
O pai de Carlos Alberto era comerciante de peles e foi com ele que aprendeu.
É sobretudo necessário conhecer bem Mira de Aire e a sua história para o conseguir entender e falar.
É que o significado das palavras remete não raras vezes para a realidade local.
A ementa que surpreendeu o presidente
Foi em calão mirense que o ex-Presidente da República, Mário Soares, foi presenteado com a ementa da refeição com que foi recebido em Mira de Aire, numa visita que realizou à vila em Abril de 1994, durante uma presidência aberta. A riqueza do calão foi evidente, pois só com tradução percebeu o que ia poder comer.
Região de Leiria > Edição Impressa > Região - Calão mirense está à beira da extinção[drop_edicao]=494
Vais-me desculpar Nephilim mas o teu comentário parece vindo de um labrego.