Pois mas os americanos é sempre tudo a bruta. Claro quer não dá para ter prestações dum muscle car com os consumos de um smart por todas as razões mas só para por um exp básico. entre o meu ultimo "normal" otto 1.6 89 cv e o 1.0 ecoboost 125 cv atual, dista 1 lt aos 100, com a respetiva diferença de rendimento. Não é nada do outro mundo, de facto, mas há um caminho, assim como emissões tb mais baixas.
Quanto ás mecânicas Mazda, poderá haver tb por ai outras vantagens mas depois chocam com as politicas de taxação europeias. Não será por acaso que a tendência tem sido o downsizing e que está a ser de facto a tendência antes do novo mundo eletrizado.
Não estou a falar de coisas brutas.
Carros "normais" que habitam por lá com motores de 1.4, 1.5 e 2.0 l turbo, que vieram tomar o lugar dos 2.0, 2.4/2.5 atmosféricos que costumavam ser o grosso das vendas de veículos compactos e familiares por lá.
Ganharam performance, sem dúvida, e prometiam melhores consumos, mas na realidade, ficaram-se mesmo pela performance com consumos normalmente piores.
De qualquer forma há que actualizar o estatuto do downsizing. Com o WLTP e o RDE o downsizing é precisamente aquele caminho que já não é tendência, nem é solução para nada.
Aqui na Europa, downsizing foi a solução certa para fazer boa figura no antigo NEDC, e é uma das principais razões do porquê nos últimos 15 anos termos assistido às discrepâncias crescentes entre consumos anunciados e reais, já que durante o teste de homologação, o turbozinho raramente entrava em serviço, e assim a vantagem teórica da capacidade inferior era aproveitada.
Com o WLTP já vimos os primeiros passos para o fim do downsizing, para já nos motores Diesel. A começar na Mazda que subiu o seu 1.5 para um 1.8, e de forma mais modesta a Renault que subiu o 1.6 para 1.7. Objectivo, maior cilindrada para outputs semelhantes, permite reduzir pressão e logo temperatura na câmara de combustão, reduzindo assim emissões NOx.
Na gasolina, a coisa deverá ser mais discreta. Mantendo a conversa ao nível dos motores dos "carros do povo", poderemos ver ligeiros aumentos de capacidade dos motores existentes, ou novas estratégias de esmifrar eficiência, nem que seja começar a electrificar tudo com sistemas mild-hybrid, que deverá ser o novo normal na próxima década. Com todo o investimento feito nos pequenos motores, não os podem deitar simplesmente fora. Terão de trabalhar com o que têm.
Acho que só a FCA é que chegou atrasada à festa ao apresentar agora os novos Firefly que reduzem a capacidade relativamente aos antecessores. Curiosamente, os Firefly na América do Sul seguem a mesma receita da Mazda: puxar pela taxa de compressão e mantê-los atmosféricos…
Outro exemplo, o novo Focus ST vai trazer uma variante do 2.3 usado no Mustang/Focus RS, substituindo o 2.0
Já agora, como experiência pessoal, apenas tive até agora carros atmosféricos. O meu Mx-5 tinha 90 cv retirados de um 1.6, e o meu Swift, com a mesma cilindrada tem 125, e apesar de ser mais pesado e algo guloso, é ainda assim mais poupado que o Mx-5. Os consumos do meu Swift não diferem muito dos que tinha com o Fiesta 1.25 de 75 cv (outro motor guloso) da década de 90.
No entanto tive oportunidade de andar uns dias com o novo MX-5 1.5 de 131 cv, e mesmo estando numa mais de experimentação, com alguns abusos, pouco passou dos 6,0 l, ou seja, menos quase 2,0 l relativamente ao Swift e quase 3 l a menos que o meu MX-5. Brutal.
Mas verdade seja dita, seja os NA da Mazda ou os pequenos turbo de todo o restante mundo, temos visto ganhos de eficiência em todo o espectro de motorizações, com redução real de consumos, sobretudo nos últimos 5 anos, quando comparados com os seus antecessores, muitos deles com 15, 20 anos de currículo.
Regressando à Mazda, apesar de não ser uma campeã de vendas na Europa, o seu 2.0 de 120 cv tem sido a motorização mais vendida em carros como o CX-3 e o 3 e não os Diesel. No CX-5 tem sido, óbvio, o 2.2 Diesel o mais vendido. É certo que falta alguma vitamina extra nas motorizações presentes, mas a sua estratégia tem-se revelado muito boa, não só para cumprir no papel todos os requisitos, como na prática, não "desiludindo" tanto as expectativas do consumidor, já que as discrepâncias entre o anunciado e o real são bastante inferiores à concorrência sobrealimentada.