Este ângulo está simplesmente espectacular:
Mais uma vez, "hooray" para a McLaren, mantendo-se fiel a algumas das características que fizeram do F1 um objecto tão marcante.
O P1 é incrivelmente compacto. Até parece ser mais compacto que o Mp4-12C.
E num carro de estrada, é sempre algo de importante. O uso e aproveitamento da máquina no mundo real certamente será mais pacífico por isso, e é algo que também marca o 12C.
Filosoficamente divagando, algo que aconteceu bastante com o 12C, será que um supercar deve ser criatura usável diariamente como outro carro qualquer?
Adiante... pelo menos a compacticidade deve fazer maravilhas nas estreitas B-Roads inglesas.
Talvez reagindo exageradamente ao conservadorismo do 12C, o P1 é criatura bastante mais dramática e orgânica.
Senhor de escultura expressiva, com curvas pronunciadas a definir as várias secções transversais, sobretudo sobre os eixos. ENtão na traseira, bem, do topo do volume sobre as rodas para o plano do compartimento do motor, é quase como se fosse um vale. Um tipo pergunta-se, como é conseguiram encaixar um V8 sobrealimentado ali debaixo, mais toda a parafernália eléctrica...
O desenho é bastante expressivo e complexo. A pele colorida parece apenas cobrir o que é realmente essencial cobrir, com as zonas a negro a parecerem parte das entranhas expostas. E com as extremidas da pele a obedecerem a contornos com apertadas curvas de ângulos bastante fechados (como na frente), é como se o "tecido" fosse algo curto para cobrir todo o corpo do carro.
AS ópticas, tanto na frente, como na traseira, acabam por ser os pormenores mais interessantes do carro.
Nota-se elevado esforço de integração, com estas a seguirem fielmente os contornos orgânicso carroçaria. Na traseira é mesmo notável o aproveitamento da tecnologia LED para conseguir aquela serpenteante fita, a conseguir um belo efeito.
O problema que tenho com este desenho é que, pormenores brilhantes à parte (quando vistos em isolamento), não me convence como pacote.
A expressividade, e sobretudo a organicidade é muito bem vinda, mas é acompanhada de aparato em excesso, mesmo tratando-se de um supercar.
Sobretudo o aparato aerodinâmico, como as "saliências" na base da carroçaria, a giganorme asa traseira, o difusor traseiro e claro, o enorme "buraco" na lateral. O contraste é violento.
A Ferrari tem tido bastante mais sucesso na procura de harmonia entre as necessidades aerodinâmicas e estilisticas, conseguindo a expressividade visual que também lhe faltava, com elevado valor escultural, mas resultando num conjunto mais coeso e depurado, numa relação quase de perfeita fusão.
E depois, a imagem de familia com o F1 ao lado, mostra bem o salto radical que é o P1. APesar deste último revelar alguns ecos de F1, como nos contornos do habitáculo, parece ser criatura que deu um salto ao SEMA ou a Essen para posar para a foto.
Falta ao P1 baixar um pouco o tom. Conseguir aquele aspecto intemporal que o F1 consegue, sem ser necessário cair nas linhas algo banais do 12C.
A escultura está lá. Bem mais interessante que o 12C. Será que é impossivel integrar melhor toda a parafernália aerodinÂmica?
E no processo, esperaria que redesenhassem a lateral. Não é apenas o facto de termos um buraco preto no meio de um mar laranja.
Tal como referi na frente e na traseira, onde parece que o tecido não chega para cobrir o corpo, perde-se essa percepção na lateral.
Algumas reorientações de linhas poderiam permitir uma maior coesão com os extremos da carroçaria.
As fotos espia, com o carro camuflado, ao cobrirem a carroçaria toda, eliminando os contrastes cromáticos e atenuando alguns pormenores mais extremistas na carroçaria, permitem focar apenas na percepção de volumes e superfícies principais. Poderíamos desenhar por cima, focando apenas no essencial, e talvez originasse resultado mais puro, sem tanto ruído.
E aí, acho que conseguiriam a tal intemporalidade, algo perseguido na concepção do F1, não só na componente visual.