Pela 898ª vez:
- Não há genéricos em Portugal
- Fomos inovadores nos "genéricos de marca", que é a mesma coisa que ter inventado o fogo gelado ou a água seca.
- Foi criada a ideia que os genéricos eram mais baratos, conceito em si completamente falso, mas que dava uma perfeita ilusão com os 10% de comparticipação a mais i.e. concorrência desleal.
- Medidas estas criadas por um governo com um ministro da saúde saidinho do grupo Mello, que por sua vez detêm parte da ANF e vice-versa
- Esse ministro da saúde queria forçar a prescrição por DCI ("nome genérico"), estando a dispensa dos medicamentos a cargo do farmacêutico.
- A ANF estava preparada para entrar não só na distribuição, mas também no fabrico dos medicamentos
- Veio um ministro da saúde teimoso como um burro mas com 2 dedos de testa e acabou com os 10% extra de comparticipação. Que lindo negócio que ia ser, não foi?
- Neste momento a situação dos genéricos é rigorosamente igual às cópias, que já existiam antes - o mesmo principio activo com nomes diferentes.
Então,
razões para trancar todas as minhas receitas (e atenção que receito muitos "genéricos de marca"):
- Então os médicos não são sérios o suficiente para prescrever, antendendo à relação custo-benefício, entre outras coisas, e as farmácias, que são parte interessada no lucro da venda do medicamento já são????
- Falam das canetas e das viagens e dos congressos. Mas não falam das mesmas ofertas às farmácias, com a agravante de se ter permitido lançar n "marcas de genéricos" no mercado, fazendo estas portanto marketing agressivo e chegando a dispensar metade das embalagens de graça - tipo: compra-me um lote e oferecemos outro. Pergunto: então e o estado ainda vai pagar a comparticiação de algo que saiu a custo ZERO à farmácia??? Podem arranjar as contabilidades criativas que quiserem (ai entra na margem de lucro e tal) mas é a realidade. O SNS anda a pagar comparticipação de embalagens de medicamentos a custo ZERO.
- Ainda dos congressos, que apoios dá o SNS à formação dos seus profissionais? Se não fossem os patrocínios das empresas farmacêuticas, como é que um médico, na altura em que mais precisa de formação, i.e. a tirar a especialidade e a ganhar limpos 300cts por mês com algumas horas extra à mistura pode pagar congressos em que a inscrição são mais de 500€?? Fora viagem, alojamento, etc... Ao contrário do que pensam não se vai aos congressos só para se passear. Vai-se para aprender, e mais importante, apresentar casos e trabalhos.
- Alguém que me diga em que farmácia se encontra o medicamento "Nuclosina" que era tão só o omeprazol mais barato do mercado, por uma margem brutal. E vejam lá que não era genérico.
- Alguém que me diga porque é tão difícil aviar uma receita trancada de "fluoxetina farmoz 20mg 60 caps"? Eu digo - é porque tem um PVP de 16€. A Fluoxetina generis 20mg
56 caps" custa 27€ PVP. ora 20% de 16€ diferente de 20% de 27€...
- De onde é que surgiram de repente medicamentos com o nome de Basi, Cinfa, Bluarrow, Germed, toLife, Bluepharma? Onde são fabricados esses medicamentos? Merck, Labesfal, Farmoz, Alter, Ratiopharm, Ciclum, Mepha, já eu conhecia e prescrevia antes desta onda dos genéricos. Agora os outros?
- É sempre divertido dar uma caixa diferente cada mês ao velhinho que vai aviar os medicamentos. É bom para estimular os neurónios.
etc, etc...
Divirtam-se com genéricos, PVP's, preços de referência em
http://www.infarmed.pt/prontuario/index.php . É público. Agora não me venham cá falar do que não sabem...