Este manifesto foi escrito em 2003 assinado por diversas pessoas representativas da cultura portuguesa ao qual eu concordo plenamente.
Manifesto Anti-praxe
C o n t r a_ o_ c i n z e n t i s m o_ d a_ p r a x e.
Porque vemos na praxe uma prática que atenta contra os mais elementares direitos
humanos, nomeadamente a liberdade, a igualdade, a integridade física e psicológica e a livre expressão da individualidade, ao mesmo tempo que exalta os valores mais
reaccionários da nossa sociedade.
Liberdade? Todos têm, para dizer "não". Integridade física/psicológica? Praxe que seja contra isto, não é praxe, é humilhação. Livre expressão da individualidade? Cada um é livre de se expressar, não vejo como uma boa praxe possa ir contra. [
]
Porque não vemos qualquer motivo para a existência de hierarquias entre estudantes,
tendo em conta que todos/as devem ser tratados/as por igual nas relações interpessoais.
Apenas há hierarquias para se garantir que há alguém que dá as ordens (e por ordens entenda-se alguém que mantém a ordem, que diz como vão ser as actividades), alguém teoricamente superior, mas que durante as actividades, a única distinção é mesmo na roupa, distinção essa que existe tantas vezes na vida social de cada um. [

]
Porque acreditamos que a tradição nunca poderá ser um entrave à mudança e, muito
menos, poderá alguma vez legitimar um comportamento inaceitável em qualquer
sociedade.
Comportamento inaceitável em qualquer sociedade?? Eu diria mais que toda a sociedade académica aceita as praxes, desde que executadas com respeito ao ser humano. Todas as demais práticas não se encaixam no conceito de praxes.
Porque não aceitamos o poder auto-instituído e nada democrático dos organismos da
praxe, que se constituem em estruturas paralelas com regras próprias.
É falar sem conhecer a estrutura da comissão de praxes... As regras são iguais para todos e quem não as cumpre, sofre consequências. Pessoalmente, já assisti a 2 casos de punição a veteranos por incumprimento das regras. Por lá, não se "brinca" às praxes.
Defendemos que a recepção aos/às novos alunos/as, sempre que se justifique a sua
existência, se deve basear em relações de igualdade. Nesta iniciativa, os/as estudantes olhar-se-ão nos olhos e tratar-se-ão por "tu", construindo um conjunto de redes de solidariedade e de camaradagem não exclusivas. Todos/as se divertirão por igual, deixando a diversão de uns de ser a humilhação de outros/as. Desta forma, incentivar-se-á o verdadeiro altruísmo que consiste em ajudar os/as outros/as sem exigir qualquer contrapartida.
Por partes... Recepção aos alunos, é isto que nós fazemos, com muita diversão e boa disposição pelo caminho, sempre com respeito de ambas as partes. Se os veteranos respeitam os caloiros, o mesmo será de esperar dos caloiros. A questão de tratar por "tu", dos casos que conheço, o discurso normal é "você conhece-me de algum lado" (vet.) -> "desculpe, não" (caloiro) -> "óptimo, passaste a conhecer. Bem-vindo!" (vet.). Novamente, humilhação não é praxe... fala-se daquilo que vem para os media, depois dá nestes comentários... Ajuda aos caloiros é dada, a única coisa que se pede é que aproveitem aquela semana ao máximo, conheçam "meio mundo", os que estão nas praxes, e os que estão fora delas, veteranos e professores.
Defendemos igualmente que a faculdade deve ser uma instituição aberta ao mundo
que a rodeia, transformando-o e sendo por ele transformada. Uma instituição que deve proporcionar a livre intervenção e fomentar a criatividade, não impondo códigos de conduta nem promovendo a segregação. Mas este ideal nunca será concretizável
enquanto o espírito da praxe reinar na faculdade.
Sem comentários... Não faz o mínimo sentido... Instituição aberta ao mundo que a rodeia? Óbvio que o é... Livre intervenção? Os próprios caloiros intervêm sempre que querem, naturalmente, havendo respeito entre eles, sendo para isso, essencial haver alguém que dê ordem às coisas. Criatividade? É o que não falta por lá! Da parte dos veteranos, inventar actividades sempre distintas dos anos anteriores. Da parte dos caloiros, inventar gritos/hinos/músicas de equipa, a cada novo desafio, sugerir actividades diferentes, alterações às já existentes. [
] Segregação? Inexistente, além da "necessária", entre caloiros e veteranos, que no fim, acabam todos juntos, na rambóia e convívio [
]
Exigimos ainda que as instituições de Ensino Superior tomem sobre si a
responsabilidade de prestar todas as informações e aconselhamento necessários aos/às estudantes, quebrando assim com o princípio paternalista do "apadrinhamento" que compromete e fragiliza a autonomia dos recém-chegados.
Esta então é de génio, realmente [
] "Princípio paternalista do "apadrinhamento" que compromete e fragiliza a autonomia dos recém-chegados"?? [
] Quem escreveu isto desconhece a 200% o princípio do apadrinhamento... Padrinhos/madrinhas têm o propósito de ser aquele elemento, de todos os veteranos, com quem os caloiros sentem mais empatia e que, portanto, irão fornecer essas informações e aconselhamentos necessários aos estudantes. Além disso, terão o prazer de serem eles a traçar a capa pela 1ª vez aos seus afilhados e baptizá-los com uma dedicatória, cada um à sua maneira. [
] Para além dos padrinhos, todos os demais veteranos podem e devem ajudar e aconselhar todos os caloiros. Se há algo de negativo nisto, vou ali e já venho...
Exercemos desta forma o nosso direito à indignação. Como parte da sociedade civil
pensamos que o que se passa no interior das faculdades diz respeito a todos/as. Logo, jamais poderemos fechar os olhos à triste realidade das "tradições académicas". E juntamos a nossa voz à voz de todos e todas que lutam diariamente contra o cinzentismo da praxe e se batem por uma faculdade crítica, aberta e democrática!
Triste, é quem fala das praxes sem conhecer a realidade positiva das praxes. Triste, é quem escreve este manifesto, sem ter consciência dos aspectos mais positivos do que negativos das praxes. Cinzentismo da praxe? Só se for pelo preto dos trajes, que no verão, é um "atentado à integridade física dos veteranos", terem de andar com o traje vestido, sob o calor [
] (claro que só o veste quem quer)