Ainda agora o ano começou e já temos, sem dúvida, o carro do ano.
Dúvido que haja algum que dê mais falatório que este em 2010.[

]
Como gosto quando isso acontece.
O segmento B e suas variantes anda animado. No mesmo dia em que a Audi tenta fazer a festa com um quase discreto A1 (a decoração vai-o safando), a Nissan entre pela porta adentro como um elefante em loja de cristais...
pode não ter o almejado e enfadonhamente anunciado posicionamento premium, mas o A1 nem é o alvo do Juke, apesar da "coincidência" do dia da apresentação.
Depois do Maxi Countryman, era necessário um arqui-rival que entrasse ao mesmo nivel no campo da gallhofa. Aquele 1.6 turbo de 190cv deve ter o Cooper S nas suas miras, e provavelmente lançando-lhe uns quantos rockets "right up the.....", tendo em conta a dimensão dos buracos circulares na frente.
Nunca pensei que conseguissem ser tão fieis ao Qazana, com o seu estilo beach-buggy.
E, na constante degradação que é a passagem dos concepts à produção, o facto de terem baixado o tom da estética quase brinquedo do concept para o Juke, até acabou por beneficiar, já que conseguimos levar esta proposta um pouco mais a sério, beneficiando a sua usabilidade
Normalmente não sou grande fã do exagero, mas neste caso até apoio as formas exageradas, quase caricaturais.
Costumo criticar o exagero decorativo. Ou seja, carros sem sal a nivel formal, para terem algum motivo de interesse, adicionam demasiados elementos decorativos à carroçaria, desde cromados, a falsas entradas/saidas de ar, ou pseudo alargamentos e linhas a mais.
Mas no Qazana/Juke, o exagero não provém da decoração, mas sim dos volumes.
Ou melhor, da intersecção entre os diversos volumes. Sobretudo os volumes que acabam por conter as rodas.
Logo, obtemos um carro que acaba por viver dos volumes e superficies, e não de adornos.
Se repararem não encontram contornos ou acabamentos cromados (exceptuando a identidade da marca), falsas entradas de ar, ou outros pormenores decorativos tótós.
Temos apenas um corpo, nu! E isso é o que se deveria ter sempre.
Se o corpo nú fôr minimamente interessante, deixa de haver necessidade para pormenores rocócós.
Apesar da complexidade formal, tudo encaixa de forma bastante boa.
No entanto, não é perfeito, falhando em alguns pormenores que me parecem mal resolvidos, e que já foram apontados neste tópico.
Obviamente falo do pára-choques traseiro, que parece integrado à força, e obviamente do topo do pilar A, e como origina uma transição para o tejadilho tão abrupta. Ja tinha torcido o nariz quando o tinha visto no Qazana, e no Juke não melhorou, claramente.
Nota-se influ~encia de outros Nissan, como o Qasqai, 370Z e GTR, com a linha da base das janelas a pegar na mesma solução do 370Z e Qashqai, indo de encontro ao tejadilho de forma acentuada quando chega ao pilar C.
Apesar de gostar da limpeza proporcionada pela ausência do manipulo da porta traseira, estando integrado no pilar C, trata-se de uma daquelas soluções onde o estilo prevalece sobre a função.
(Este tipo de solução ainda nenhuma marca o fez tão bem como a Seat com o Leon)
Apesar de visualmente parecer pequeno, no interior temos um pilar C massivo que, como critiquei no tópico do Chevy Spark, deve prejudicar bastante a visibilidade.
Bem, estilo sobre função é o que define este carro.[

]
Apesar da base do Clio/Micra, não deve ser mais espaçoso que estes (apesar de maior em tudo, excepto distância entre-eixos), e a bagageira é mais pequena que a do Clio. Mas quem compra isto, certamente não estará muito preocupado com isso.
Serei sempre apologista de brinquedos que alimentem a criança em mim[

]
Até o poderia comparar com o Multipla, que está no campo oposto. Função sobre estilo, com resultados igualmente polémicos.
Não sou muito apologista de carros altos, sem necessidade disso, mas esta coisa tem aspecto demasiado divertido para ser negligenciado.
Esperemos que corresponda a um nivel mais dinâmico.
Claramente melhor conseguido que o Countryman, que, apesar de ter um desenho base excelente, parece-se esconder por trás de toda a parafernália excessiva que o adorna... É pena.
E claro, temos de aterrar naquela frente...
No minimo, desafiante.
O Juke, no geral, não se pode considerar um carro bonito.
Original, irreverente são adjectivos mais apropriados.
E a frente é sem dúvida, o seu melhor cartão de visita.
Contra todas as regras e convenções.
Temos 3 pares de grupos ópticos.
Literalmente, prolongando-se pelo capot, sobre os massivos volumes que incorporam as rodas, temos esguias DRL e piscas. Médios contrastam ao serem circulos generosos, e finalizando, na parte inferior com uns mais discretos faroizitos nevoeiro.
Aqueles 2 buracos enormes que interagem de forma bastante original com uma grelha a toda a largura, evocam imagens do mundo dos rallyes, recordando Imprezas e EVO's de outras décadas. Acabam por dar uma pujança brutal à frente, perfeitamente integrados nos volumes generosos da carroçaria.
Buracos que encontram eco na parte inferior, e desde o Fiat Coupe que não via uma solução tão peculiar para resolver a questão da entrada de ar inferior. Curioso o pormenor de parecer que essa secção não se encontra unida à parte de cima, o que nos remete para o mundo dos TT, e as suas generosas protecções.
Sendo um crossover, era de esperar este mix de influências.
Um compacto veiculo, com a metade inferior perfeitamente integrada no mundo dos SUV, e a parte superior mais próxima de coupés e sports-cars, com uma altura da área vidrada, bastante diminuta.
na traseira, encontramos um par de boomerangs encaixando perfeitamente entre o óculo traseiro e o destacado volume do arco de roda.
Apesar de apelativo, tal como no Qazana, continuo a achar que deveriam ter abordado a traseira como a frente, recorrendo a formas mais "puras" para definir os elementos. Acaba por lhe faltar alguma força visual, como a frente apresenta.
No interior, apesar de claramente superior ao do seu irmão Qashqai, acaba por não convencer tanto como o exterior. Mesmo assim, contém pormenores bem conseguidos, como o "depósito de mota" no tunel central, ou os curiosos puxadores das portas.
Em conclusão, não temos propriamente um design referencial, não é um carro que reinvente a roda, mas sem dúvida temos um bom exercicio de styling.
Tomara mais construtores apostarem em objectos mais audazes.
Já que têm de partilhar plataformas, componentes, etc., ao menos que os vistam de formas distintas, tão diversas quanto possivel.
A nissan, está-se a afirmar como uma marca com eles no sitio fazendo apostas corajosas e originais.
Substitui o banalissimo Almera por um crossover e vence.
Pisa os calcanhares à Porsche com o GTR, dando origem a uma das máquinas mais impressionantes dos ultimos tempos.
Tem no 370Z, um coupe com laivos old-school e o que se mais aproxima de um muscle-car neste lado do Atlântico.
E agora ataca o segmento B em duas vertentes distintas.
Este Juke pelo lado fun, um crossover bastante original em aparência, e um óptimo concorrente para o futuro Countryman, ou para o Kia Soul (outro exemplar bastante bem conseguido), e já chegou a alguns mercados o Cube, uma compacta caixa funcional, carro de culto no Japão, e com uma estética a tender para o minimalismo, mas cheia de carácter.
Tem sido dos construtores mais interessantes de seguir, sem dúvida.
Curiosamente, o papel do arrojo na aliança Renault-Nissan não deveria pertencer aos franceses? hum....
De qualquer forma, uma saudação à nissan, por trazer alguma pimenta para um mercado algo estagnado com o politicamente correcto e o agradar a gregos e troianos, o que apenas leva à miserabilidade.
Não sei se o mercado vai aderir ou não, mas li que a Nissan projecta apenas 20 000 unidades/ano para o Juke, o que acho francamente pouco. Não sei se será gralha ou não (se alguém conseguir confirmar essa info, agradecia)