O complexo de que lá fora é que é

Eu não tenho complexo de Portugal, tenho sim complexo de alguns portugueses...

Nunca tive a oportunidade de trabalhar fora, faria-o se fosse rentável... pois há coisas que não pagam a distância da família e, no meu caso, o nosso clima.

Estive um certo período em Inglaterra e vi-me a pensar " Poderia até ganhar mais dinheiro, mas neste clima e sem os meus não faz sentido..."

Tenho complexo de colocarem certas pessoas em certos cargos por favores... também pode acontecer noutros países mas aqui é um abuso e complexos de haver uma falta de oportunidades gritante comparado a outros mercados... Neste país parece que está tudo parado...
 
Os cursos profissionais nos USA englobam todos os que se dão cá em Portugal. Por exemplo, se tivesse continuado com o curso de programação e gestão de sistemas informáticos entrava para lá sem problema. Cheguei a falar disso na aula de A.I, em que quem quer ir para o estrangeiro mais vale tirar C.P.

E atenção, não estou a dizer que não irei para o estrangeiro. Se tiver de ir, vou sem qualquer problema. Mas continuo a preferir o que é "meu" mesmo que tenha todos os defeitos e mais alguns.

Mas isso é porque esses cursos pertencem a mão de obra qualificada. E mesmo assim não sei se seria tão fácil. Dou um exemplo: Todos os cursos que aqui fiz na área de socorrismo/tripulante de ambulância, têm equivalência nos EUA, mas mesmo assim ninguém me dá o green card para ir para lá. Confirmei com a embaixada americana, e eles disseram que e por não terem falta de EMT's nem de paramédicos. A alternativa que me deram mesmo, foi de tirar Enfermagem em Portugal, que depois dão o green card garantidamente.
 
Exacto. Os USA é que está a dar, só que te esqueces de um pequeno pormenor: Para obteres o green card, ou fazes parte da mão de obra qualificada que eles procuram (Enfermeiros, Médicos, Engenheiros, alguns cursos profissionais, etc), ou então muito dificilmente o obtens. Mas muito dificilmente mesmo! Conheço quem gastou rios de dinheiro em advogados para se legalizar nos USA, e no fim o pedido foi negado. Isto claro, não pertencia à mão de obra qualificada.


Mas mesmo que sejas mão de obra qualificada, as despesas para relocação nem sempre estão cobertas pela empresa que te recruta. O que leva a que precises de dinheiro, e o que leva a que precises primeiro de emprego em Portugal. Acho que se não fosse este factor, já haveria muito mais pessoal a emigrar.
 
faz me alguma confusão esta coisa de que "eles" recebem muito mas também pagam dez euros por um chupa chupa. Podem dar as voltas que quiserem mas todos os anos são feitos estudos sobre o tema e o poder de compra nesses paises é mais elevado que o nosso, por isso a caixa de palitos pode custar cem euros mas no fim "eles" conseguem comprar mais e com mais facilidade.
Sempre que vem aqui á baila este tema penso sempre na conversa que tive uma vez com um holandês sobre a compra de carros. A cara dele quando lhe disse que não era nada fora do normal estar 6 anos a pagar um corsa. Parecia que lhe tinha dito que conseguia voar em noites de lua cheia.


Pois.... são mentalidades...

Sócrates justifica-se e diz que ideia de criança é pagar a dívida de uma vez - Política - PUBLICO.PT
 
Mas mesmo que sejas mão de obra qualificada, as despesas para relocação nem sempre estão cobertas pela empresa que te recruta. O que leva a que precises de dinheiro, e o que leva a que precises primeiro de emprego em Portugal. Acho que se não fosse este factor, já haveria muito mais pessoal a emigrar.

Sim, exacto mas isso também depende. Como falei anteriormente, no caso dos Enfermeiros o processo é bastante facilitado e pouco demorado, tendo em conta que eles estão com deficiências gravíssimas no que toca a cobertura de cuidados de enfermagem, principalmente em Hospitais. Creio que noutras áreas aconteça o mesmo.
 
Temos dos melhores profissionais numa série de áreas, poucos deverão existir na arte do "desenrasque" como os portugueses. Geograficamente para mim não há melhor. Temos tido a infelicidade de ser governados e geridos por oportunistas e mal formados. Fosse este um país mais sério e organizado e tivessemos todos mais auto-estima que ninguém nos batia! Não digo que nunca sairei de cá para ir viver fora, mas será das ultimas coisas que quererei fazer.
 
O meu país ideal era o seguinte:

Localização geográfica: Suiça
Organização/tipo de sociedade: Estado Social dos países nórdicos ou do Canadá
Povo: o povo português, sem dúvida
Clima: Português

De outro modo, em sonhos, gostava de viver num país do centro da Europa, perto das Rivieras, dos Alpes e de grandes cidades. A sociedade deveria ter um funcionamento igual os dos países nórdicos, com um Estado Social ótimo. Quanto ao povo com o qual gostaria de viver, a resposta é: o povo português, que apesar de alguma mesquinhice e outras coisas, continua a ser o povo que mais gosto. O clima deveria ser como o português.

Como isto não é possível, viver em PT com 2000€/mês já me permitiria ser muito, mas muito feliz (isto é, na ausência de problemas de saúde, segurança...)
 
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Será que esta mulher rega assim tanto?

Fico a pensar, uns dizem que foram e não voltam e fogem de portugal como o diabo da cruz, outros dizem que portugal e o estrangeiro é ela por ela, depois há os estudos sobre felicidade,optimismo,poder de compra etc, e andamos sempre lá para trás.

Em que ficamos?
 
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Será que esta mulher rega assim tanto?

Fico a pensar, uns dizem que foram e não voltam e fogem de portugal como o diabo da cruz, outros dizem que portugal e o estrangeiro é ela por ela, depois há os estudos sobre felicidade,optimismo,poder de compra etc, e andamos sempre lá para trás.

Em que ficamos?

Lá está, há casos e casos.

Nem o português que tem um Ferrari na Suiça é representativo nem o português que trabalha 16h por dia num túnel e vive num subúrbio manhoso.

A média estará algures no meio destas situações extremas.

Mesmo assim, como há muitos que vão e não voltam, leva-me a crer que lá seja um bocadinho melhor do que cá.

Por isso é que gostava de ter uma experiência internacional (2anos max.) para ver com os meus olhos como é que é.
 
La está, depende das aspirações de cada um.

Quem gosta de viver num sitio onde trabalha para ter € para ir jogar uma futebolada, beber umas minis a ver o benfica, apreciar o clima, ir a pesca à praia de noite sem morrer de frio e coisas do género, está no país ideal.


Quem anseia por coisas grandes, poder viajar despreocupadamente, subir ao topo de empresas, ser recompensado pelo esforço, não será muito feliz por cá.
 
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Será que esta mulher rega assim tanto?

Fico a pensar, uns dizem que foram e não voltam e fogem de portugal como o diabo da cruz, outros dizem que portugal e o estrangeiro é ela por ela, depois há os estudos sobre felicidade,optimismo,poder de compra etc, e andamos sempre lá para trás.

Em que ficamos?

Li a reportagem, e também acompanho o blog dela. E essa não é de todo o melhor exemplo, primeiro porque não tem uma visão imparcial. Aquilo é tanto ódio a Portugal que até acho que devia ir ao psicólogo.

E a forma como fala da Australia.... Parece uma rapariga apaixonada, só ve as coisas boas que lhe interessam e arranja 1001 desculpas para as péssimas.
 
Última edição:
Li a reportagem, e também acompanho o blog dela. E essa não é de todo o melhor exemplo, primeiro porque não tem uma visão parcial. Aquilo é tanto ódio a Portugal que até acho que devia ir ao psicólogo.

E a forma como fala da Australia.... Parece uma rapariga apaixonada, só ve as coisas boas que lhe interessam e arranja 1001 desculpas para as péssimas.

Sabes o que é engraçado? Isto: “A minha profissão não está na lista e o meu curso é de menos de dois anos, o que me impede de pedir a residência”.

Vai na volta culpa o "país" por não haver bons empregos na área dela cá, mas na Austrália "é na boa". E o mestrado dela lá custa 39 mil dólares, o país pela qual ela não quer contribuir mais pela sua economia deve tê-la feito pagar aí uns 3000€ pela licenciatura dela, enquanto ficou bem mais cara. (Isto assumindo que estudou numa pública com propina máxima).
 
Sabes o que é engraçado? Isto: “A minha profissão não está na lista e o meu curso é de menos de dois anos, o que me impede de pedir a residência”.

Vai na volta culpa o "país" por não haver bons empregos na área dela cá, mas na Austrália "é na boa". E o mestrado dela lá custa 39 mil dólares, o país pela qual ela não quer contribuir mais pela sua economia deve tê-la feito pagar aí uns 3000€ pela licenciatura dela, enquanto ficou bem mais cara. (Isto assumindo que estudou numa pública com propina máxima).

Há sempre um grau de ironia, bem visto.
Essa mulher fala como se lhe tivessem batido todos os anos que cá esteve.
 
Apenas vivi 6 meses fora de Portugal. Conheço vários países europeus (contas por alto em torno de 16) e poucos fora deste continente. E conhecendo outros países e outros povos, acho que tenho uma noção melhor do que realmente somos -como povo e país- do que tinha quando o meu conhecimento lá de fora era pouco ou nenhum (não assim há muitos anos).

À medida que fui conhecendo mais lá de fora, apercebi-me o quão Lisboa e Porto são cidades verdadeiramente encantadoras. Das mais bonitas que se pode encontrar. Confesso que lhes passei a dar mais valor.

Temos genericamente condições naturais boas, mas não tão excepcionais como pensamos. Sol abunda (e isso tem muito valor, particularmente quando se passa a viver em países que têm 50 ou 60% da nossa exposição solar e só quem passa por isso tem noção do que eu estou a dizer), mas também muito vento (estraga muitas noites amenas e agradáveis que teríamos o prazer de usufruir tendo em conta a nossa temperatura).

Dito isto, a "cor da luz" é fantástica, particularmente em torno do Tejo para baixo. Muita sorte nesse domínio.

Utilizamos pouco as nossas cidades, estão vazias à noite. Uma grande diferença, por exemplo, para nossos hermanos. E mesmo face a países do centro, com condições de temperatura agrestes e que mesmo assim saem muito mais à rua após o sol se pôr.

A nossa orografia é muito acidentada: má para a agricultura e para as vias de comunicação (caras de construir, viadutos e mais viadutos). E estamos verdadeiramente na periferia da Europa. Muito mais do que realmente achamos. Quando se anda de avião por essa Europa fora e chegamos mais de pressa de Zurique a Sofia do que de Lisboa a Zurique ganhamos noção do quão realmente longe estamos, mesmo comparativamente a países que são dos mais atrasados do velho continente.

Depois, há várias coisas onde os portugueses falham: são genericamente pouco educados e, principalmente, pouco polidos. Há pouca sistematização de regras sociais desde o cumprimento entre pessoas (é muito a filosofia de vida do português o outro ter que dizer bom dia), passando pelas noções gerais de se saber estar em determinado lugar (seja numa estação de comboios, seja num café, seja numa repartição das finanças seja num consultório). Seja uma qualquer conversa de circunstância. Trabalhamos pouco o polimento e funciona tudo na base da replicação do que vemos os pais fazerem e não verdadeiramente de uma cultura colectiva enraizada sobre os comportamentos que devemos ter ou não ter (como é muito patente por exemplo numa Inglaterra) e que é transversal.

Muitas vezes somos mal humorados para os desconhecidos, bem mais do que muitos países "lá do Norte" que os clichés dizem ser frios e pouco receptivos. E não é de estranhar que muitas vezes alguém que vá a uma Alemanha ou Holanda e venha de lá a dizer que não os achou nada frios. E não achou porque são mais educados e isso num primeiro contacto é muito útil.

Na Europa, por exemplo, só no Leste encontramos tal mau humor e nem posso dizer que é mau humor porque é (muito) mais uma tristeza misturada com uma desconfiança, particularmente nas gerações mais velhas (e aqui, minha opinião, tem muito a ver com a história não tão longínqua desses países mas muitos poderão discordar).

Não há grande respeito pela autoridade no trabalho, mais reverência ou então um rancor disfarçado. Parece que não sabemos lidar com ela. Estamos sempre a questioná-la, nem que interiormente.

E desorganizados. Desenrascados mas pouco organizados.

Temos hábitos enraizados que tomamos como normais, nomeadamente idas ao café e ao restaurante que não têm paralelo. As pausas para o café (god...).

Aqui levar uma marmita para o trabalho é sinal que temos o orçamento curto.

Aqui quem anda de transportes públicos é porque não pode pagar para andar de carro.

Somos assim. Como povo que ainda na geração anterior era muito pobre, a prosperidade pós-86 levou-nos a conquistar o automóvel e fazer dele um símbolo social. Algo que já é tão banal no centro da Europa, provavelmente por se estar pelo menos na 3ª geração onde a família tem carro.

Aqui não se é ninguém se não se tiver um carro. Basta ver as conversas neste fórum: o carro para pinar, o carro para engatar. Ter a carta é a emancipação. Ter o carro um símbolo de fim da puberdade sem o qual, particularmente rapazes, não se é um adulto. Algo estranho para dizer a verdade depender disso para se atingir a maturidade social.

Outras coisas...

Temos uma excelente qualidade que é saber receber bem...estrangeiros. Não recebemos com educação, recebemos com simpatia. Mas recebemos bem. Somos dos povos que menos desconfiança tem face ao que é estrangeiro, é um facto, tanto pessoas como coisas. E isso traz vantagens e desvantagens.

Outra qualidade: somos bastante solidários.

Temos uma enorme facilidade para aderir à tecnologia.

Temos uma relação com o comércio algo sulamericana: muito a cultura do shopping.

Temos jeito para línguas, particularmente na Europa do Sul somos de longe o país com maior facilidade nessa matéria, muito acima da Espanha, Itália ou Grécia...

Relativamente às estruturas sociais: temos dos melhores sistemas de saúde do mundo e a maioria das pessoas nem sequer tem noção disso.

Transportes públicos nos centros urbanos modernos (por serem recentes). É andar no metro de Lisboa e comparar com outros: um luxo.

Mesmo a nível de AEs, temos uma rede muito extensa. Já ligamos desertos a desertos. Temos ligações paralelas e tudo.

Ferrovia muito pobre, extensa mas velha e pouco funcional. Típica de um país que apostou tudo na rodovia.

Gastronomia boa, mas não somos os únicos (e parece que muitas vezes só se come bem em Portugal, mas não, lamento, mas não).

Enfim, não somos nem a maravilha que gostamos às vezes de achar mas temos muitas coisas boas. Nem de perto nem de longe temos razões para estarmos continuamente a lamentarmo-nos como país. Podemos ser dos mais pobres entre os ricos mas...isso já não é nada mau. Podíamos era estar melhor. Falta de oportunidades não deixámos de ter, a última com a entrada no €uro. Que espatifámos, infelizmente. Mas não é a reclamar que lá chegámos. É a trabalhar melhor e começar a limar as falhas...
 
Última edição:
Apenas vivi 6 meses fora de Portugal. Conheço vários países europeus (contas por alto em torno de 16) e poucos fora deste continente. E conhecendo outros países e outros povos, acho que tenho uma noção melhor do que realmente somos -como povo e país- do que tinha quando o meu conhecimento lá de fora era pouco ou nenhum (não assim há muitos anos).

À medida que fui conhecendo mais lá de fora, apercebi-me o quão Lisboa e Porto são cidades verdadeiramente encantadoras. Das mais bonitas que se pode encontrar. Confesso que lhes passei a dar mais valor.

Temos genericamente condições naturais boas, mas não tão excepcionais como pensamos. Sol abunda (e isso tem muito valor, particularmente quando se passa a viver em países que têm 50 ou 60% da nossa exposição solar e só quem passa por isso tem noção do que eu estou a dizer), mas também muito vento (estraga muitas noites amenas e agradáveis que teríamos o prazer de usufruir tendo em conta a nossa temperatura).

Dito isto, a "cor da luz" é fantástica, particularmente em torno do Tejo para baixo. Muita sorte nesse domínio.

Utilizamos pouco as nossas cidades, estão vazias à noite. Uma grande diferença, por exemplo, para nossos hermanos. E mesmo face a países do centro, com condições de temperatura agrestes e que mesmo assim saem muito mais à rua após o sol se pôr.

A nossa orografia é muito acidentada: má para a agricultura e para as vias de comunicação (caras de construir, viadutos e mais viadutos). E estamos verdadeiramente na periferia da Europa. Muito mais do que realmente achamos. Quando se anda de avião por essa Europa fora e chegamos mais de pressa de Zurique a Sofia do que de Lisboa a Zurique ganhamos noção do quão realmente longe estamos, mesmo comparativamente a países que são dos mais atrasados do velho continente.

Depois, há várias coisas onde os portugueses falham: são genericamente pouco educados e, principalmente, pouco polidos. Há pouca sistematização de regras sociais desde o cumprimento entre pessoas (é muito a filosofia de vida do português o outro ter que dizer bom dia), passando pelas noções gerais de se saber estar em determinado lugar (seja numa estação de comboios, seja num café, seja numa repartição das finanças seja num consultório). Seja uma qualquer conversa de circunstância. Trabalhamos pouco o polimento e funciona tudo na base da replicação do que vemos os pais fazerem e não verdadeiramente de uma cultura colectiva enraizada sobre os comportamentos que devemos ter ou não ter (como é muito patente por exemplo numa Inglaterra) e que é transversal.

Muitas vezes somos mal humorados para os desconhecidos, bem mais do que muitos países "lá do Norte" que os clichés dizem ser frios e pouco receptivos. E não é de estranhar que muitas vezes alguém que vá a uma Alemanha ou Holanda e venha de lá a dizer que não os achou nada frios. E não achou porque são mais educados e isso num primeiro contacto é muito útil.

Na Europa, por exemplo, só no Leste encontramos tal mau humor e nem posso dizer que é mau humor porque é (muito) mais uma tristeza misturada com uma desconfiança, particularmente nas gerações mais velhas (e aqui, minha opinião, tem muito a ver com a história não tão longínqua desses países mas muitos poderão discordar).

Não há grande respeito pela autoridade no trabalho, mais reverência ou então um rancor disfarçado. Parece que não sabemos lidar com ela. Estamos sempre a questioná-la, nem que interiormente.

E desorganizados. Desenrascados mas pouco organizados.

Temos hábitos enraizados que tomamos como normais, nomeadamente idas ao café e ao restaurante que não têm paralelo. As pausas para o café (god...).

Aqui levar uma marmita para o trabalho é sinal que temos o orçamento curto.

Aqui quem anda de transportes públicos é porque não pode pagar para andar de carro.

Somos assim. Como povo que ainda na geração anterior era muito pobre, a prosperidade pós-86 levou-nos a conquistar o automóvel e fazer dele um símbolo social. Algo que já é tão banal no centro da Europa, provavelmente por se estar pelo menos na 3ª geração onde a família tem carro.

Aqui não se é ninguém se não se tiver um carro. Basta ver as conversas neste fórum: o carro para pinar, o carro para engatar. Ter a carta é a emancipação. Ter o carro um símbolo de fim da puberdade sem o qual, particularmente rapazes, não se é um adulto. Algo estranho para dizer a verdade depender disso para se atingir a maturidade social.

Outras coisas...

Temos uma excelente qualidade que é saber receber bem...estrangeiros. Não recebemos com educação, recebemos com simpatia. Mas recebemos bem. Somos dos povos que menos desconfiança tem face ao que é estrangeiro, é um facto, tanto pessoas como coisas. E isso traz vantagens e desvantagens.

Outra qualidade: somos bastante solidários.

Temos uma enorme facilidade para aderir à tecnologia.

Temos uma relação com o comércio algo sulamericana: muito a cultura do shopping.

Temos jeito para línguas, particularmente na Europa do Sul somos de longe o país com maior facilidade nessa matéria, muito acima da Espanha, Itália ou Grécia...

Relativamente às estruturas sociais: temos dos melhores sistemas de saúde do mundo e a maioria das pessoas nem sequer tem noção disso.

Transportes públicos nos centros urbanos modernos (por serem recentes). É andar no metro de Lisboa e comparar com outros: um luxo.

Mesmo a nível de AEs, temos uma rede muito extensa. Já ligamos desertos a desertos. Temos ligações paralelas e tudo.

Ferrovia muito pobre, extensa mas velha e pouco funcional. Típica de um país que apostou tudo na rodovia.

Gastronomia boa, mas não somos os únicos (e parece que muitas vezes só se come bem em Portugal, mas não, lamento, mas não).

Enfim, não somos nem a maravilha que gostamos às vezes de achar mas temos muitas coisas boas. Nem de perto nem de longe temos razões para estarmos continuamente a lamentarmo-nos como país. Podemos ser dos mais pobres entre os ricos mas...isso já não é nada mau. Podíamos era estar melhor. Falta de oportunidades não deixámos de ter, a última com a entrada no €uro. Que espatifámos, infelizmente. Mas não é a reclamar que lá chegámos. É a trabalhar melhor e começar a limar as falhas...

Não conheço 16 países na Europa e isso foi suficiente para ganhar coragem e ler o teu post [:D]

Concordo para aí em metade das observações.

Ser desenrascado é uma virtude, mas significa que quando se o é, falhou maior virtude: a organização! Pior é que dizemos que somos desenrascados com sentimento de orgulho e troça daqueles que são os organizadinhos:sh)
Ainda pior, o português tem fundamentalmente a mania que desenrasca muita bem sobre 2 assuntos: medicina e construção civil.
Há sempre uma doença que ele consegue diagnosticar ao tipo do lado, e mesmo depois de ir ao médico, ele é que sabe como se irá curar!
No caso da construção civil, é delirante dar a dois tipos ditos entendidos em engenharia civil, um guardanapo e uma caneta para as mãos...a partir daí, segue-se um projecto de estabilidade com a certeza decertezinha que aquilo não cai.

Relativamente à posse do carro não vou tão longe. Aquilo que noto é que na generalidade gostamos de utilizar o carro, de conduzir mesmo. Gostamos de carros. Não é apenas comodismo ou vaidade de emancipação.

O metro de Lisboa, sim é um luxo. Já os rodoviários, vai lá tu.

AE...demais! Muito demais! Não me orgulha saber que determinadas estradas foram feitas.
 
Viver fora do pais nao e' um mar de rosas, como ja foi dito. Mas ha varios aspectos que funcionam muito melhor que Portugal e que influenciam em muito o bem estar.
No meu caso (Holanda), a vida tem sido mto mais simples para mim. Da-se um importancia brutal á vida pessoal aqui.

Qdo tiver mais tempo respondo melhor.
 
Não conheço 16 países na Europa e isso foi suficiente para ganhar coragem e ler o teu post [:D]

Concordo para aí em metade das observações.

Ser desenrascado é uma virtude, mas significa que quando se o é, falhou maior virtude: a organização! Pior é que dizemos que somos desenrascados com sentimento de orgulho e troça daqueles que são os organizadinhos:sh)
Ainda pior, o português tem fundamentalmente a mania que desenrasca muita bem sobre 2 assuntos: medicina e construção civil.
Há sempre uma doença que ele consegue diagnosticar ao tipo do lado, e mesmo depois de ir ao médico, ele é que sabe como se irá curar!
No caso da construção civil, é delirante dar a dois tipos ditos entendidos em engenharia civil, um guardanapo e uma caneta para as mãos...a partir daí, segue-se um projecto de estabilidade com a certeza decertezinha que aquilo não cai.

Relativamente à posse do carro não vou tão longe. Aquilo que noto é que na generalidade gostamos de utilizar o carro, de conduzir mesmo. Gostamos de carros. Não é apenas comodismo ou vaidade de emancipação.

O metro de Lisboa, sim é um luxo. Já os rodoviários, vai lá tu.

AE...demais! Muito demais! Não me orgulha saber que determinadas estradas foram feitas.

Estás a falar do fórum. A compra de carro em Portugal é daquelas coisas que nunca percebi muito bem, mas a explicação do Andre deve estar muito perto da realidade. Quem diz carro diz a casa. A maior parte das pessoas da geração dos meus pais que vejo queria muito uma casa, porque tinha vivido até então sem condições nenhumas. Eu já não vejo a casa assim, está longe de ser a minha prioridade.
 
Alguém tem ideia de quanto é uma renda de uma casa lá na Suíça?
900 € paga o meu irmão por um T2. Muita gente acha que viver bem ter cerveja a 1€ e passar os dias a conversar no café. Isso não é viver bem é desperdiçar a vida.

Na Suíça o meu irmão e cunhada entram as 9h saem as 16h e 30m, tem infantário estatal e escola gratuita para as miúdas, pagam muito de seguro, mas não ficam uma hora num hospital à espera de serem atendidos e a ver os primos e os tios a passarem-lhes à frente, não há minorias aos gritos e a ameaçarem o pessoal hospitalar, de que se chamam a policia por causa dos ferimentos de balas "eles os matam ali mesmo". O vencimento mensal lá equivale a dois meses e meio de cá e se estivermos a falar de trabalho especializado com qualificações elevadas como, por exemplo, o do meu marido, a diferença chega a ser de quatro vezes e meia.

Como disseram aí, eles até podem pagar mais, mas pagam a pronto sem fazer grande esforço de poupar. Digamos que é complexo... um muito grande.
 
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