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"Não ia às aulas, só a exames
Pelo meio, há ainda a polémica sobre o MBA no ISCTE (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, em Lisboa). José Sócrates frequentou o Mestrado em Gestão de Empresas daquele estabelecimento, mas apenas terá concluído a parte escolar, que perfaz quatro trimestres, não tendo entregue a tese de mestrado.
De acordo com o director do ISCTE, a frequência da parte escolar equivale a um MBA (Master of Business Administration). Na quinta-feira, por sua vez, o PÚBLICO informa sobre um relatório oficial, do Ministério do Ensino Superior, que apurou os alunos diplomados entre 1993 e 2002. Do curso de Sócrates, na UnI, não consta qualquer licenciado no ano frequentado pelo primeiro-ministro. O ministro do Ensino Superior reagiria publicamente no dia seguinte, solicitando o "esclarecimento cabal dos procedimentos de emissão de diplomas" na UnI e da forma como foram apuradas e comunicadas as estatísticas do referido relatório sobre os diplomados entre 1993 e 2002. Ao PÚBLICO, o gabinete de Mariano Gago já havia, contudo, dado uma explicação diferente sobre essa aparente contradição: o estudo não contemplava alunos transferidos de outras instituições que não aquela onde haviam finalizado o curso. Este dado, no entanto, não batia certo com os números do próprio relatório, que incluiu licenciados com diferentes percursos curriculares.
O gabinete do primeiro-ministro, por sua vez, remeteu qualquer comentário para a Independente e para o Ministério do Ensino Superior.
Na sexta-feira, o Expresso centra-se nas declarações de quatro ex-colegas de Sócrates. Todos garantiam nunca ter visto o então secretário de Estado nas aulas, mas testemunharam que aparecia nos exames, chegando dez minutos depois da hora, sentando-se no fundo da sala, "isolado pelo professor", e saindo sempre antes da hora marcada para o fim da prova.
O docente das quatro cadeiras era sempre o mesmo: António José Morais. Quanto à quinta cadeira concluída por Sócrates, Inglês Técnico,
todos os ex-alunos referiram que nunca o viram nos exames ou nas aulas. Perante as dúvidas suscitadas pela imprensa, o primeiro-ministro decidiria, por fim, comunicar que iria esclarecer tudo no início desta semana. No sábado, o Diário de Notícias avançava que José Sócrates se preparava para desvalorizar as "trapalhadas de secretaria" da Independente, afirmando-se vítima de uma "campanha negativa" com origens obscuras."
Pois, pois, pois....