O mundo real é assim, infelizmente...
Eu ainda não sei o que fazer em termos de poupança, ainda estou na fase inicial da carreira profissional.
Por enquanto, como vivo em casa dos pais vou aproveitando para juntar algum todos os meses, pois como despesas é basicamente o carro e pouco mais. Bastava ter de pagar um aluguer ou mensalidade para casa mais despesas que a mesma necessita para muito provavelmente já não ter grandes sobras.
É bom que possa existir essa noção desde já. Com os meus 14/15 anos eu já ganhava dinheiro de uma forma algo considerável e não me apercebia. Fui "parvo", nunca rebentei dinheiro a comprar carros, porque aliás, devido ao mundo da música, transporte de material de som e instrumentos, o meu primeiro carro foi uma Seat Inca, mas gastei muito dinheiro em manutenções e "mods" desnecessárias. O mundo da música tem algo de chato tipo informática. Nunca se está bem com o material que se tem e procura-se sempre mais. Sendo que se trata de material sem qualquer valorização, antes pelo contrário.
Acabei o meu curso com 22 anos, já a trabalhar na área com 21, mas a recibos verdes. Fazia 100km (ida e volta) para trabalhar. Quando casei, a ideia era ficar em casa dos meus pais. Infelizmente, os planos saíram furados e as mulheres não se entenderam. Passados 8 meses, lá saí de casa. Enquanto estava em casa dos meus pais, comprei o meu Peugeot 307, em 2008. Ainda o tenho e este ano quero ver se o pinto e faço uma boa revisão mecânica, porque gasto 2000€ ou por aí, mas fico com um carro a diesel sem FAP, com selo antigo que acho que ainda me aguenta uns anos. Logo aqui, porém, começou um erro. Comprei o carro a prestações, para comprar casa fui forçado a não ter mais nenhum empréstimo. Logo, tive de pedir ao banco mais um extra para pagar o que faltava do carro. Ou seja, empréstimo para pagar um empréstimo. Quando comprei o apartamento não me lancei à maluca e ponderei muito bem até onde podia ir. O empréstimo com 10 anos a pagar só juros, ou seja, até ao momento não paguei nada do valor que me emprestaram, se calhar é uma má decisão, mas passei 3 anos a receber abaixo do salário mínimo, pelo que, não fosse assim, se calhar, hoje estaria sem o meu apartamento. Posso dizer que vim para o apartamento com pouco mais de 10.000€ na conta o que, para um tipo que nunca teve grandes despesas, até parece dinheiro, mas mobília para ali, electrodoméstico para acolá e ele vai desaparecendo. Felizmente, não sobrou muito, mas melhor ou pior, não falta nada cá em casa.
Bom, para não me alongar, isto sobre o que disseram em cima. A poupança, a meu ver, deve começar o quanto antes, para não chegarmos aos 30 ou 40 anos e a andar a fazer contas à vida sobre o que dá para comprar ou não. Este ano, atiramo-nos de cabeça e tivemos o nosso filho. Era o momento financeiro ideal? Não. Mas nunca mais era. Parecia sempre que havia um imprevisto qualquer. Quando comecei o mundo da música, fazia aos 30/40 concertos por ano. Quando comprei o apartamento, andava na média dos 15. Tive um ano em que fiz 3. Este ano que passou, pelo menos foi mais positivo, pois fui convidado por um músico que, não sendo nacional, tem cd's editados, já fomos várias vezes à TV e já corri algumas boas cidades de Portugal com ele.
De há uns anos para cá, no entanto, por muito que tente a poupança, nada. 2008 até 2009 juntei algum. Mudei de casa. Gastou-se bastante do que se tinha juntado. 2011 comprei uma Mercedes Vito que foi um "cancro" e que vendi agora em 2017. Motor, Turbo, entre outras coisas até dizer "basta".
2014 parti o perónio em 3 sítios numa futebolada com os amigos. Basicamente fiquei com o pé virado ao contrário. 2 anos e 4 operações depois, muitas consultas com tudo o que isso implica financeiramente, sem trabalhar, lá se foi algum bocadinho da poupança.
2017, despachei a carrinha, comprei um skoda fabia para as minhas pequenas deslocações. Decidi ter o meu bebé. Finanças, já sabem muito bem como é.
E não posso dizer que saiba que muito mais fazer. Trabalho, gostaria de ter outro trabalho que fosse financeiramente mais rentável, mas tenho, para já, a vantagem de trabalhar perto de casa, não precisando de pensar em despesas de viagens, alugueres de quartos, etc. Consigo conciliar com algumas aulas que vou dando ao final da tarde, esperando que surjam mais alguns concertos para as despesas "extras" que sempre surgem.
AO fim e ao cabo, como disseram também, o mundo real é assim, mas por vezes temos de levar de "chapa" com ele para nos apercebermos.
No entanto, se alguém souber um "truque" para rentabilizar pequenas quantias... venha ele.