Eu bem avisei que apesar de ter muitos FPs na família não estava por dentro de muita coisa, essa era uma delas. Quer dizer, agora que penso bem realmente acho que há SA, mas neste anúncio não referia isso e passou-me pq SA não é obrigatório por lei.
~€100 em salários deste nível não é de todo desprezável e ~950 é um pouco melhor de facto. Deve dar uns 13k/ano liq em vez 11,9k como pensava.
Sempre foi um dos problemas da FP. Problema entre aspas pq só é problema em Lx (e Porto vá) pq no resto do país a situação é sempre mais favorável e na FP facilmente se tem salários melhores que no privado, a somar as vantagens da FP a nível de estabilidade e não só.
Acho que ele estava a falar mais do passado, quer em termos de salários quer em termos de custo da habitação. E nesse passado com 150/200k em muitas cidades (ou bons arredores perto das maiores cidades) compravam-se casas interessantes.
Mas entretanto os salários (ainda mais para quem é FP novo) e o custo de vida mudaram bastante. O paradigma mudou.
Bom post (tudo o que citei, não só este último excerto).
Epa, é a minha ideia, pode estar errada e estes cargos até podem ser mais interessantes do que acho. Mas faz-me um bocado confusão estar sempre dependente de fatores externos, percebes ?
Se há uma crise cortes para toda a gente, não interessa se és bom ou não. Se numa determinada fase da vida precisas de mais guito não podes ponderar outras opções sem perderes o cargo, escalão etc. (certo?). Toda a forma de pensar no FP típico faz-me confusão e depois quem não pensa como os demais ou se cala ou então é colocado de lado. No fundo parece-me que leva a um ambiente que não me agrada.
Até te dou um exemplo, o meu pai é professor e numa das greves que houve aí há uns tempos os colegas queriam-no obrigar a fazer greve. Um piquete a bloquear toda a gente. Para esta gente não há hipóteses, ou és como eles ou não interessas...
O problema dessa progressão é se fores bom mas houver outros fatores que levem outros colegas a te passarem (seja por culpa tua de não seres bom a "fazer amigos", seja pelo facto de outros terem melhores relações "lá de fora" com chefias com poder de decisão ou ambas) mesmo que sejam piores, o que é muito comum.
Não podes propriamente bater a porta e ir à procura de quem pague mais e de quem valorize competência (e outras qualidades).
Depois em termos de progressão daqui para a frente não auguro um quadro propriamente fantástico. Mais depressa voltam a haver cortes daqui a uns anos que há facilidade em progressão. Mas posso estar enganado.
Mas é como disse, algumas das desvantagens para mim são vantagens para outros.
Peço desculpa se vou ser um bocado mauzinho, mas para pessoal medíocre FP estas progressões é o melhor que podem ambicionar. E o mais curioso é que não raras vezes são os que mais se queixam, no entanto nunca os vejo a bater com a porta. Porque será ? [

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Já muitos dos que menos se queixam quando se queixam chegam a bater com a porta, veja-se o caso de alguns médicos.
Os anúncios para técnicos ou assistentes nunca incluem o subsidio de alimentação. São o valor base e depois consoante as funções ou organismo podem existir alguns "bónus". Nos anúncios para cargos de direção intermédia (chefias e afins) os valores que vês de subsídios são relativos a custos de representação e afins, nunca o de alimentação.
Apesar de existirem partidos políticos contra a discriminação geográfica aplicada nos salários do setor privado, pessoalmente sou favorável à mesma e acho que deveria existir também no setor público.
Seja pelo nível de vida ser mais caro em cidades maiores, mas também pelo volume de trabalho que existem nos serviços e pela pressão e responsabilidades associados ao mesmo.
O técnico superior que ganha os 1200€ brutos paga por um T2 em Melgaço 200€, ao passo que em Braga precisa de 500€ e no Porto já ascende a 700/800€. Escusado será dizer que o trabalho que esse técnico tem em Melgaço não é o mesmo que o técnico de Braga ou do Porto.
Com isto não quero dizer que tem de existir uma proporcionalidade exacta e ao milímetro, seria muito difícil de quantificar, mas sem dúvida que deveria ser criado e aplicado um coeficiente. O setor privado sabe disto e se quer ter os melhores profissionais aplica esta discriminação positiva. Basta ver exemplos de empresas com sedes em Lisboa e Porto para perceber a diferença nas suas tabelas salariais.
Para terminar esta questão, dou ainda o exemplo do programa de estágio internacionais INOV Contacto. Um dos muitos parâmetros para aferir o valor da bolsa era precisamente a localização. Independentemente da empresa para onde se for trabalhar, a bolsa é diferente se o destino for Madrid ou Sevilha, São Paulo ou Nova Iorque. Não só difere entre países como entre cidades.
Resumindo, como bem referes o paradigma mudou e as premissas que definem o atual sistema estão desatualizadas.
De um modo geral todo o sistema de remunerações e progressões na função pública deveria ser revisto com urgência e prioridade. Se essa reforma fosse realizada de forma correta (leia-se sem pressões dos stakeholders) e racional, depois de efetuados os levantamentos e estudos necessários, estou convencido que se conseguiria reduzir a despesa da função pública em milhões de euros.
Problema: O partido que anunciasse uma reforma integral e profunda perderia votos e nunca ganharia as eleições. A única solução seria fazer os ajustes de forma parcial nas diversas carreiras e mesmo assim os partidos políticos não se arriscam. O que dá votos é aumentar o salário mínimo e pensões, não reformular a Segurança Social ou o sistema de recrutamento e avaliação de desempenho da função pública.
Como no setor privado, nem tudo são rosas ou espinhos. Trabalhar no setor público tem coisas boas e coisas más.
Os fatores externos existem sempre e pior, podem rodar de 4 em 4 anos.[

] Ao menos no setor privado o patrão é sempre o mesmo, quer se goste ou não
] Quem está de fora pode ter dificuldades em perceber mas às vezes a mudança de rumo é tão radical que anda-se um pouco ao "sabor do vento", que é como quem diz, ao sabor dos ideais do partido que está no poder à data.
Mas atenção, na minha opinião, isto sente-se mais nos serviços descentralizados das pequenas cidades e não das grandes cidades. Uma Câmara Municipal de Lisboa tem o seu "rumo" e até pode vir um novo presidente que muda a macroestrutura da Câmara, mas isso pouco irá afetar as tarefas quotidianas do técnico que está no terreno a trabalhar. Já na autarquia mais pequena, onde o Presidente está mais facilmente no terreno o modo de operar já será diferente. De facto, a sensação que possuo, é que numa autarquia de maior dimensão os departamentos e divisões e consequentemente os seus chefes e técnicos, tem uma autonomia muito superior às chefias e técnicos das autarquias mais pequenas. Claro que, não nos podemos esquecer que maior autonomia traz responsabilidades acrescidas.
Existem algumas carreiras que sofrem muito com os lobbies, nomeadamente com as pressões dos sindicatos. Professores, enfermeiros, médicos... Nos funcionários públicos que trabalham nos serviços da administração central e local julgo que isso não acontece da mesma maneira e intensidade.
O que referes da crise e dos cortes não deixa de ser verdade, tal como aconteceria agora numa multinacional que começasse a perder os seus lucros e tivesse que fazer cortes.
Sem dúvida que as progressões existentes beneficiam quem quer levar uma vida pacata e sem grandes chatices. No limite tenta trabalhar o mínimo dos mínimos para obter as avaliação necessária para não ser despedido. [

] Essas pessoas não batem com a porta precisamente porque sabem que não tem competência para mais. As restantes, apesar de se manterem na função pública, tentam fazer o seu caminho mesmo que através de "baby steps", mudando de serviço ou tentando complementar com outras atividades.
Atualmente quem entra para a função pública tem regime de exclusividade. No entanto, existem muitos trabalhadores que solicitam acumular funções, por exemplo, como professores e regra geral é concedido. Tive alguns professores na universidade que a sua atividade principal era no setor público. Nesses casos, dá para fazer uma carreira "bonita" e com remunerações totais dignas, se bem que também exige muito trabalho e dedicação.
Para terminar, sobre os benefícios de trabalhar no setor público, julgo que os mesmos passam mais pela flexibilidade de horário e por se ter acesso a licenças de maternidade e amamentação, entre outras, sem o patrão resmungar ou "olhar de lado". O lema é, se a lei prevê tem de se cumprir.
No entanto, na maioria dos serviços públicos não se pagam horas extras ou horas incomodas (como aos médicos diga-se de passagem), não existem redes de protocolos e parcerias, não se tem acesso a "galp frotas" ou até mesmo carros de serviço, não é possível ter subsídios de deslocação e outros mecanismos interessantes de remuneração não tributada, entre tantos outros benefícios.
Para quem preza a família e ter um horário laboral digno de 8/9h é porreiro, mas a verdade é que se passa ao lado de muitas outras "soluções" e em termos de trabalho em si as chatices existem na mesma (seja com colegas, chefias ou com o trabalho em si) tal como qualquer empresa do setor privado. Não existem empregos perfeitos.
Estou convencido que ganhando menos muitos não trocam o setor público e muita gente do setor privado se fosse experimentar alguns serviços públicos depressa pediam para voltar ao privado. [

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