E a questão das AEC's é um fundamento com peso, certo, no entanto, faço aquilo para o que me formei e aquilo que para que me preparei. Uma mudança iria custar bastante, não obstante se tivesse melhores condições, seria muito bem ponderada. Trabalhei 3 Verões seguidos com 13, 14 e 15 anos para comprar algumas coisas que queria e não queria pedir aos meus pais. Entrei na universidade com 18 anos, trabalhei enquanto lá andava como sapateiro/chaveiro.
Dos 4 anos de licenciatura, no 4º apresentaram-me a proposta de 9 horas semanais de horário que passaram a 11 + as horas da licenciatura. Nessa altura, já tinha banda, já fazia quase todos os fins de semana concertos. Aí, no entanto, era bastante "parvo", e gastou-se em carros, para ficarem mais bonitos, mais novos, etc... hoje, claro que tinha poupado uns milhares. O investimento em som, luz e instrumentos musicais também foi avultado. Deu para ir compensando algumas despesas, para ganhar algum que se foi usando ao longo destes anos, para mobilar a casa, electrodomésticos, antes disso, pagar o casamento, etc.
Trabalhei o primeiro ano a recibos verdes com um horário de 15 horas semanais a ter de fazer deslocações de 50+50 km's por dia.
No ano seguinte, consegui um horário de 21 horas na minha cidade (Póvoa de Varzim) com um salário de 1200€.
3 anos a contrato, com horários de 21, 19 e 20h. Findos os 3 anos, perceberam que se nos renovassem o contrato teríamos de ficar efectivos na empresa e foi aí que as coisas descarrilaram. No ano seguinte o horário foi de 15 horas até que houve 2 anos com horários de 7 e 8 horas semanais. Aí, trabalhei numa imobiliária e estava a trabalhar com 3 projectos musicais diferentes, por forma a compensar.
Os horários melhoraram ligeiramente, mas começou a ser sempre trabalho de meio de Setembro a final de Junho. Entre estes 2 anos mais complicados, a minha esposa teve de ser operada e ficou meses em casa. No ano seguinte parti o perónio, uma lesão relativamente grave que me impediu de trabalhar durante mais de ano e meio e que me consumiu bastante dinheiro, com as despesas que existiam e medicação constante para resolver isto.
Entre alguns problemas de saúde familiares, ficar perto dos meus pais (o meu pai faleceu no ano passado com um cancro fulminante), a minha mãe também teve de retirar o útero há coisa de 4 anos... foi uma avalanche de aspectos menos bons que todos juntos fizeram chegar à condição actual.
Com outros aspectos pelo meio: falta de grande preocupação nestas questões, sobretudo porque não gosto de trabalhar com números, confesso. A matemática nunca foi o meu forte. Quando me meti no empréstimo também desconhecia grande parte dos aspectos que só fui descobrindo, sobretudo, pelo que fui aprendendo na imobiliária.
Entretanto, fui juntando 2+2 com esta questão dos juros, dos spreads, das taxas de juro mundiais, das euribor, do que foi realmente a crise económica e a perspectiva de que, pela lógica, brevemente, irá haver um aumento de juros que irão prejudicar quem vive no limite ou perto disso.
Eu não vivo no limite. É preciso enquadrar e vai-se deixando muita conversa para trás no meio de tantos "posts" e muito do que digo aqui já disse atrás e não queria, na verdade, ter entrado por aspectos tão pessoais, mas depois começam as análises com todos os dados e torna-se difícil enquadrar a "big picture".
Há duas semanas, numa reunião de condomínio, falou-se da necessidade de cada morador gastar 5000€ (perto disso). Claro que me devia ter salvaguardado.
Claro que tenho algum dinheiro de lado. Não é muito. Não é suficiente para dizer: vou investir isto e daqui a um ano receber 150 ou 200€. E correndo o risco de ficar sem o pouco que se tem ou se sabe onde se investir com perspectiva quase segura de rendimento ou mais vale não o fazer.
A nível de poupança, lá está, estou a ponderar o futuro e se daqui a 10/20 anos, com aumento dos juros, custo de vida, será que as condições de vida melhoraram? Será que tenho força e energia para andar a fazer extras fora do horário laboral e aos fins de semana?
Trabalhar não é o que me mete medo. Por vezes é mais fácil o trabalho físico (não estando aqui a desvalorizar nenhum, todos os trabalhos têm a sua dificuldade)... quando estava na imobiliária, só o facto de conviver com pessoas, de poder falar, de se ir tomar um café, de visitar espaços diferentes, já faziam com que as horas passassem bem mais rápido do que às vezes 30 minutos dentro de uma sala de aula.
Tenho um filho de 2 anos e 5 meses. Vem aí a época de infantário, depois escola e despesas inerentes e tudo o que se segue.
Pensado que, estando as taxas negativas, qual será o valor em que 300€ se vão transformar daqui a uns tempos?