Van Zeller: "Foi Sócrates que pediu à CIP para avançar com estudo de alternativa à Ota" 
17.06.2007 - 20h30 Lusa
O presidente da CIP – Confederação da Indústria Portuguesa afirmou hoje que foi a pedido do primeiro-ministro, José Sócrates, que a confederação avançou sozinha para o estudo de uma alternativa à Ota, abandonando a ideia inicial de uma acção envolvendo outras entidades.
Francisco Van Zeller reafirma que "não houve qualquer acordo prévio com o governo" sobre quem seriam as entidades promotores do estudo ou sobre o seu conteúdo, mas apenas a aceitação do pedido de Sócrates de que fosse a CIP a promover o documento.
No início, além da CIP, acompanharam esta ideia a Associação Comercial do Porto (ACP) e a Confederação do Turismo Português (CTP), como avançou hoje Francisco Van Zeller, confirmando que o objectivo era que a coordenação fosse feita por um Agrupamento Complementar de Empresas (ACE).
Esta opção não teve o acordo de José Sócrates e o presidente da CIP aceitou o pedido de que fosse somente esta confederação a avançar. "O primeiro-ministro disse que preferia assim, pois tinha mais contactos e conhecimento com a CIP do que com as outras duas", explicou.
Entretanto, a CTP tinha registado eleições e mudado de direcção, o que também alterou um pouco a situação, acrescentou. No entanto, o presidente da CIP nega quaisquer interferências, quer do primeiro-ministro, quer do ministro das Obras Públicas e Transportes, Mário Lino, no decorrer dos trabalhos, que foram desenvolvidos pela Universidade.
Os contactos com os membros do Governo sobre a ideia de realizar o estudo são justificados com o facto de "ser muito caro" e não fazer sentido que não servisse para nada. Mas, os responsáveis governamentais garantiram que "nada fariam que inviabilizasse o estudo", referiu ainda Francisco Van Zeller. "Só coordenei a ideia, o estudo foi entregue à Universidade", fez questão de esclarecer o presidente da CIP.
Quanto ao facto de não ser contemplada mais que uma alternativa no estudo, como por exemplo a solução Portela+1, defendida por várias entidades, por exemplo no sector do Turismo, Van Zeller volta a falar do investimento elevado que um trabalho destes exige, tornando inviável abranger mais possibilidades de localização.
Em entrevista ao programa Diga Lá Excelência (PÚBLICO, RTP2 e Rádio Renascença), o presidente da ACP, Rui Moreira, afirmou que a CIP decidiu, em entendimento com o Governo, promover sozinha o estudo sobre alternativas ao projecto do aeroporto da Ota, deixando de fora duas outras associações empresariais.
Rui Moreira explica que a ACP foi inicialmente contactada pela CIP para encomendar, com "outra confederação", cujo nome se escusou a revelar, o estudo sobre o novo aeroporto, através de um Agrupamento de Empresas.
Já depois de a ACP ter apresentado um estudo prévio, relata, o presidente da CIP, Francisco Van Zeller, veio dizer que entretanto tinha ido "falar com o primeiro-ministro, e [que] foi entendido como conveniente que o ACE não faz muito sentido" e que o estudo iria ser apresentado apenas pela CIP.
O estudo, apresentado na semana passada, aponta a zona de Alcochete como melhor alternativa para a localização do novo aeroporto, que o Governo quer construir na Ota.
Do leque de alternativas, foi retirada, em relação ao inicialmente defendido, nomeadamente pela ACP, a opção Portela+1, que prevê a manutenção do actual aeroporto e construção de um novo de dimensão menor aos previstos para Ota ou Alcochete.