Que vinho bebem?

Do Douro, Quinta Maria Izabel 2015, cor vermelha escura, notas de fruta negra e vermelha, barrica bem presente, alguma caruma, apresenta frescura, na boca é fidedigno, com boa acidez, tanino ainda bem presente. Como quase todos os tintos de guarda precisa de decantação para abrir o leque, por falta de tempo não o fiz e no 2º dia já deu para notar a transformação. Outro detalhe, é um bom vinho mais falta-lhe o encruzamento das notas, parecem separadas, não lhe dá aquele toque redondo.

Nota: 17,5

Indicação de consumo: Beber ou guardar

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Adoro esse em branco!!
 
Aviso à navegação da margem sul.

A VCL tem estes dois vinhos (vinhos de 10€) com 50% de desconto até esgotar o stock.
Neste segmento e região, estão bem posicionados
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Bastante interessante:

Barca Velha & Reserva Especial - Prova Vertical 2000-2014

Uma prova vertical que poderia ter tido vários nomes, como por exemplo:
  • “Barca Velha & Reserva Especial: A vertical do milénio”
  • “Barca Velha & Reserva Especial: Uma vertical cruzada”
  • “Barca Velha & Reserva Especial: Vertical Sottomayor”
  • “Barca Velha & Reserva Especial: A experiência do enólogo da Casa Ferreirinha”
  • etc…
Ou seja, há aqui vários pontos de vista. Comecemos pelo princípio: Uma prova vertical é uma prova com vários anos de colheita de um mesmo vinho, ou seja, provar sequencialmente, várias colheitas de uma determinada referência. São provas sempre muito didáticas (uma das minhas preferidas), pois podemos provar não só o perfil do vinho mas também a consistência do mesmo, e paralelamente, podemos perceber a não só a sua capacidade de evolução mas também perceber o que foi cada ano.

Comecemos pelo período em questão. Estiveram em prova todos os vinhos Barca Velha e Reserva Especial entre 2000 e 2014, daí o nome desta publicação. Poderia ter chamado “Vertical do milénio”, pois são todos os vinhos colocados no mercado cujo ano de colheita é deste milénio, mas quis ser mais assertivo e explícito no período em questão desta prova vertical.

Contudo, esta prova não foi uma “simples” vertical, pois estavam aqui duas referências em jogo: Barca Velha e a Reserva Especial. Faz sentido? Normalmente, não, mas este caso, sim. A Casa Ferreirinha (Sogrape) produz estes vinhos de forma mutuamente exclusiva, isto é, se numa determinada colheita há Barca Velha, isso significa que não haverá Reserva Especial, ou seja, o Reserva Especial é feito por “desclassificação” do Barca Velha, isto é, são vinhos de grande qualidade mas que não atingiram o patamar que consideram de excelência. Desta forma, faz sentido uma vertical com as duas referências cruzadas, ou seja, uma vertical cruzada.

Por coincidência, todos os Barca Velha e Reserva Especial deste milénio (até este momento) foram feitos pela mão de Luís Sottomayor, Director de Enologia da Sogrape, responsável pelos vinhos do Douro e Porto, e portanto, tratou-se também de uma prova dos vinhos de Luis Sottomayor.

Por outro lado, também foi possível ter um pouco da experiência do enólogo, sentindo o desafio da decisão sobre o destino do vinho, isto é, se é ou não um Barca Velha. Esta é uma das questões da prova, e será sempre uma das grandes questões: Será vinho para Barca Velha ou para Reserva Especial? É uma eterna questão, alguns Reserva Especial que eventualmente poderiam ter sido um Barca Velha, bem como eventualmente alguns Barca Velha que não deveriam ter passado de um Reserva Especial.

Para além de todas estas questões, tratou-se de uma prova muito especial, uma vez que não é fácil (nem barato) reunir todos estes vinhos, mas foi possível e agradeço o convite dos organizadores, a Reunião do Condomínio. A prova realizou-se no dia 31 de Agosto de 2023, no restaurante Don Juan, em Almancil, no Algarve.

A prova foi realizada do vinho mais novo para o vinho mais velho, ou seja, iniciou-se no 2014 e terminou no 2000. Alguns dos vinhos irei fazer uma publicação mais detalhada, vou aqui apenas colocar um resumo da nota de prova e algumas considerações gerais sobre os mesmos e sobre a prova no geral.
  • Casa Ferreirinha Reserva Especial 2014: Um vinho de cor intensa, com nota aromática da madeira bem presente, toque vegetal, a lembrar cacau, fruta preta, um tinto denso e volumoso, equilibrado e sem excessos a não ser na sua juventude, boa frescura, tanino firme mas de qualidade, complexidade e mineralidade presentes, um vinho de grande persistência. Nota: 18,5
  • Barca Velha 2011: Cor intensa, aroma um pouco fechado, fruta preta, chocolate, mineral, madeira presente mas em segundo plano, conjuntamente com apontamentos vegetais secos. Concentração, boa frescura, muito tanino mas muito fino, intenso, muito persistente, quase interminável. Para beber agora de quem gosta deles intensos, mas ainda irá ganhar em garrafa. Nota: 19

  • Casa Ferreirinha Reserva Especial 2009: Aroma fechado, fruta mais viva e fresca, madeira discreta, nota química mineral, um registo elegante e de frescura. Um dos meus preferidos da noite, pela elegância e frescura. Um perfil claramente fora do registo Barca Velha, mas um grande vinho: 18
  • Barca Velha 2008: Cor intensa, aroma com concentração, fruta madura, madeira e especiaria discreta, um tinto de tanino muito fino, com o perfil de concentração do Barca Velha, contudo equilibrado, com boa frescura, seco, e final muito persistente. Grande Vinho, conjuntamente com o 2011, os vinhos da prova, este mais pronto a ser bebido. Nota: 19
  • Casa Ferreirinha Reserva Especial 2007: Um registo mais linear, com menos volume e menos concentração, já com notas de evolução, cânfora e alguma especiaria. Nota: 17
  • Barca Velha 2004: Provavelmente, o Barca Velha mais fraco deste milénio. Um pouco magro comparado com os anteriores BV e que já entrou na fase de evolução com os terciários, mostra ainda alguma garra, com tanino e persistência, mas é um vinho que estará agora no auge. Nota: 18
  • Casa Ferreirinha Reserva Especial 2003: Nariz cansado, na transição entre os primários e os terciários, magro, volátil a crescer, boa persistência mas sem distinção. Nota: 16,5
  • Casa Ferreirinha Reserva Especial 2001: Talvez o melhor Reserva Especial deste milénio, um ano que eventualmente poderia ter sido Barca Velha, com um perfil muito similar ao 2000. Nota: 18
  • Barca Velha 2000: Provado em magnum, apresenta ligeira turvação e com leve acastanhado na cor. Aroma já dominado pelos terciários, notas canforadas, madeira velha, leve couro, tudo elegante e com complexidade. Muito equilíbrio, um registo já de elegância, um vinho que não deverá evoluir muito mais. Nota: 18
​Algumas conclusões:
  • Se tivesse Barca Velha 2000 na minha garrafeira, começava a pensar em abrir, não acho que mais tempo traga ganhos adicionais. Atenção, não se devem tirar conclusões absolutas com apenas uma prova, mas esta garrafa até era em formato magnum e já estamos no campo dos terciários. A menos que goste de vinhos muito evoluídos, é melhor começar a pensar em provar as que há na garrafeira.
  • NA minha opinião, o Reserva Especial 2001 poderia ter sido um Barca Velha, isto a julgar pela boa evolução que tem e por prova relativa ao 2000. Tem o mesmo perfil, está com uma excelente evolução, parece-me que tem o perfil. Não o provei novo, é pena…
  • 2003 e 2004 são anos em transição, estão ambos na fase indefinida que já não têm a garra e perfil de um vinho jovem, mas também ainda não adquiriram a elegância e complexidade de um vinho evoluído, sendo que para mim, o 2003 foi o pior vinho desta prova e para o qual não tenho grandes expectativas para o seu futuro.
  • Tinha a expectativa de que os melhores vinhos da prova pudessem estar entre o 2011 e o 2007, pela evolução positiva que pudessem ter ganho durante este período de estágio em garrafa. Na minha opinião, em termos de evolução, o auge dentro do perfil de primários é atingido entre os 10 e os 15 anos de idade, a partir daí começa a decair, sendo que o Barca Velha, pela sua maior estrutura, tem maior capacidade de guarda que o Reserva Especial.
  • O Reserva Especial tem, de uma forma geral, um registo mais fino, mais linear, menos amplo e volumoso que o Barca Velha, que é um vinho que novo tem mais volume mas sempre com um grande equilíbrio de acidez, madeira presente mas bem integrada, mineralidade e complexidade garantidas, com um tanino firme mas muito fino.
  • Sem dúvida que Barca Velha é um vinho de grande qualidade, com consistência na qualidade e com décadas de história, o que lhe conferiu um grande prestígio sendo um ícone não só da região mas também do país, o que aliado à procura, inevitavelmente faz dele um dos vinhos mais cobiçados e caros do nosso país.
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https://gradissimo.substack.com/p/b...IGbxTXyx-rvZsRccVJzqShc3w0RcXSpWyXHchXnkav1ns
 
S. Bernardo 2017, um duriense de gema.Castas Viosinho Gouveio e Rabigato.

Um vinho elegantissimo de aroma intenso a frutas brancas, e com a acidez bem suavizada pelos 7 anos.

Vale bem o que custa!

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há 1 semana estive na zona de Gouveia e tive de ir ao Intermarché, dei uma olhadela à garrafeira e nem queria acreditar.
vinhos de muita qualidade, raros ou de anos já esgotados em Lisboa (dos sítios que conheço)
trouxe 2 ou 3 coisas para experimentar, mas tive de ser tirado (quase) à força [:D]
 
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