Que vinho bebem?

Não sei se alguém aprecia uma aguardentezinha ?

Comprei este fds "Fim de Século" em promoção no Intermarché. É uma belíssima aguardente vinicola.
 
No Intermarché esse Cabriz que está na capa a 2,85 vale bem mais que esse preço.

Tenho por aqui algumas.
 
Sim, o Cabriz é outro do grupo "bons e baratos". Também roda frequentemente cá por casa.
Há pouco tempo houve uma promoção semelhante no Pingo Doce. Devem estar a lançar/escoar a nova colheita. :)
 
Não sei se alguém aprecia uma aguardentezinha ?

Comprei este fds "Fim de Século" em promoção no Intermarché. É uma belíssima aguardente vinicola.

Admito que percebo pouco desse mundo, mas gostava de o conhecer melhor.

Aqui há tempos descobri a aguardente de Medronho. Um produto típico de algumas zonas do país e que me convenceu bastante. É bem mais aromática que a tradicional vínica. Tenho pena que por vezes não se dê o devido valor e enquadramento comercial a estes produtos.
 
Cibanarius, Torres Vedras pertence à Estremadura (agora chamada de Região de Lisboa... o que não deixa de ter piada. "Vitivinicolamente" falando, Lisboa começa em Carcavelos e acaba lá para cima de Leiria...) assim como outras regiões DOC, como Bucelas, Arruda ou Alenquer...

O "outro tema" a que eu queria chegar tinha alguma coisa a ver com isso.

Mas tenho de ir um pouco atrás.

As regiões vinícolas "Lisboa" e "Tejo", também por lhes estar associada a má reputação dos tempos em que produziam grandes quantidades de carrascão em garrafões (foi abertamente admitido que mudaram de nome muito por causa disso), não têm a mesma popularidade entre os consumidores portugueses que o Alentejo, o Douro ou a Península de Setúbal.

Eu pensava que raramente se viam à venda vinhos DOC Arruda, DOC Torres Vedras ou DOC Alenquer, apesar de se produzir muito vinho nessas zonas, porque as regras para certificação eram muito restritivas ou por qualquer outro motivo técnico. Mas li há uns tempos que os produtores da região preferem que os seus vinhos sejam apenas "vinho regional Lisboa" porque ter "Arruda", "Torres Vedras" ou "Alenquer" no rótulo prejudica as vendas por causa da má imagem que lhes está associada - ou seja, é uma opção comercial.

Assim a região "Lisboa" tem as 3 mini-DOCs históricas de Carcavelos, Colares e Bucelas e depois uma série de outras DOCs que penso terem sido recentemente criadas (Torres Vedras, Alenquer, Arruda, Encostas de Aire) que praticamente ninguém utiliza. A excepção, do que me apercebi até agora, é DOC Óbidos, talvez por ser o nome de uma vila histórica que é uma grande atracção turística. Também não deve ter sido por acaso que deram a esta DOC o nome "Óbidos" e não "Bombarral".

A minha sensação, que não está baseada em nada de científico, é que no mercado de venda de vinho DOC/regional engarrafado nos supermercados e para os restaurantes já não há muito espaço para os vinhos de "Lisboa" e "Tejo", e que estas regiões têm de exportar muita da produção, na maioria não certificada, para mercados pouco exigentes.

Parece-me que os vinhos de Lisboa e do Tejo entram muito naqueles concursos que dão direito a medalhinha no rótulo. Deve ajudar a vender mais no estrangeiro. Suponho que as marcas mais conhecidas e/ou de regiões mais populares não vão tanto a esses concursos porque não têm nada a ganhar (a marca já é conhecida e considerada) e muito a perder (se ficarem atrás dos vinhos de marca branca do Lidl ou do Minipreço nas provas cegas).

Muitas suposições minhas aqui, mas parece-me que é assim que as coisas se passam. Evitava-se se os consumidores fossem um pouco menos snobs, preconceituosos ou bairristas.
 
Falando em Intermarché, parece que está por lá a decorrer uma Feira de Vinhos:

http://www.intermarche.pt/folhetos
http://folhetos.intermarche.pt/semana44feiradosvinhossulsuper/

Numa olhadela rápida, não vi grandes descontos. Mas parece trazer um pouquito mais de variedade ao Intermarché...

O marca branca "Lussac-Saint-Émilion" deles descrito como "Bourgogne"? OK.

Chegou o momento de me humilhar em público e admitir que até gosto de alguns dos vinhos franceses roscofes de marca branca que o Intermarché vende. :sh)
 
Clibanarius, o que escreves faz bastante sentido.

O mesmo aconteceu em tempos à região da Bairrada. Houve muito vinho martelão produzido em quantidade e que deu algum mau nome à região. Hoje em dia produz-se vinho de qualidade e de acordo com a modernidade do sector.

Lembro-me de ver uma entrevista a um produtor de vinho Francês que se mudou especificamente para esta região por acha-la verdadeiramente privilegiada e cheia de potencial.

Existirá sempre algum "lugar comum" e preconceito como em tudo, por parte do consumidor.

O certo é que numa prova cega gostava de ver alguém (sem ser expert...) a dizer: este é Douro, aquele é Dão, Alentejo. Dantes as castas ainda permitiam destrinçar alguma coisa. Havia típicas de cada região. Mas hoje em dia está tudo muito baralhado.
 
Ui, Cibanarius... essa discussão dava "pano para mangas". E concordo com praticamente tudo o que disseste...

É certo que a má fama das regiões do Tejo e da Estremadura (hoje Lisboa) vem desses tempos, em que nessas regiões apenas se produzia vinho a granel para abastecer as tabernas de Lisboa.

Ainda hoje muitas adegas cooperativas dessas regiões trabalham sobretudo nesses segmentos, produzindo vinho a granel, ou bag-in-boxes, e apenas engarrafando pequena parte da produção mais para compor a gama de produtos do que para outra coisa.

E de facto, por exemplo, ter no rótulo um "DOC Arruda" (aqui mesmo ao lado) não ajuda em nada as vendas - afinal, há décadas que essa pequena região está associada a vinho a granel, feito em quantidade e não tanto apostando em qualidade. E essa imagem perdura ainda na cabeça de muitos consumidores.

Daí que muitos produtores se tenham agarrado à nova imagem recentemente criada de "Vinho Regional de Lisboa". Ou à de "Vinho Regional do Tejo" ou DOC DoTejo". Por acaso, até acho a do designação "Tejo" bastante feliz - associa uma dada região a um rio ao qual está intimamente ligada, tal como acontece no Douro ou no Dão.

Hoje em dia o panorama dessas regiões é muito diferente. Investiu-se e muito, apostou-se em novas plantações e na qualidade... mas é difícil mudar mentalidades. É certo que Tejo e Lisboa são regiões que não têm a tradição que têm regiões como o Dão ou o Douro (excepto nalgumas micro-regiões como Bucelas ou Colares), mas de certa maneira outras regiões também não - sim, estou a falar do Alentejo. Há uns anos, não se ouvia falar do Alentejo. Mas nas últimas décadas virou moda, é altamente mecanizado, produz em quantidades verdadeiramente industriais, não tinha a má fama de produzir apenas vinhos para tabernas como o Ribatejo e a Estremadura, e com isso inundou os supermercados (ainda ontem num Continente, praí metade dos vinhos eram do Alentejo, xiça era um corredor inteiro!). E depois criou-se um perfil de vinho que o público gosta, frutado e até ligeiramente adocicado (nada de mal nisso, até porque o clima do Alentejo se presta a vinhos assim) mas que é copiado até à exaustão, resultando dezenas de vinhos alentejanos que acabam por ser muito parecidos uns com os outros... mas é o perfil que vende, é o que o público quer, dizem os produtores.

Enquanto isso, os ribatejanos e estremenhos (oops, perdão, os vinhos do Tejo e de Lisboa), que até produzem hoje em dia com muita qualidade, têm até uma relação qualidade/preço muito boa, vão vender os vinhos onde? Pois se o que o consumidor nacional quer é Douro e Alentejo, há que se virar para a exportação. Por exemplo, o maior produtor da região Lisboa, a Casa Santos Lima (de Alenquer), que até tem vinhos bastante bons e com uma relação qualidade/preço estupenda, exporta ~90% do que produz...

Os supermercados também não ajudam... É claro que se o público vai a um supermercado e só vê Douro e Alentejo, o mais provável é que acabe a comprar um deles... E muitos restaurantes é a mesma coisa. Pedes um vinho e perguntam-te "Douro ou Alentejo?", como se não houvesse mais nada, xiça... A oferta, na maioria dos supers e dos restaurantes, de outras regiões (como Lisboa, Bairrada, Tejo ou até Dão) na maioria das vezes, é residual. E a coisa assim acaba por ficar viciada. Não há oferta porque não há procura. E não há procura porque não há oferta...
 
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E depois criou-se um perfil de vinho que o público gosta, frutado e até ligeiramente adocicado (nada de mal nisso, até porque o clima do Alentejo se presta a vinhos assim) mas que é copiado até à exaustão, resultando dezenas de vinhos alentejanos que acabam por ser muito parecidos uns com os outros... mas é o perfil que vende, é o que o público quer, dizem os produtores.

Pior que isso, hoje o Alentejo já produz tudo. Desde o típico - o tal adocicado que não me diz nada- a vinhos com a "matriz" Touriga Nacional tão típicas do Douro e Dão.

O Alentejo tem espaço, tem diversos climas e solos. Das encostas graníticas de São Mamede à planície de Beja vai uma longa diversidade.
 
O marca branca "Lussac-Saint-Émilion" deles descrito como "Bourgogne"? OK.
Reparei no mesmo...

Falando em Intermarché, parece que está por lá a decorrer uma Feira de Vinhos:

http://www.intermarche.pt/folhetos
http://folhetos.intermarche.pt/semana44feiradosvinhossulsuper/

Numa olhadela rápida, não vi grandes descontos. Mas parece trazer um pouquito mais de variedade ao Intermarché...
Assim numa vidta rapida não me parecem preços extraordinários. Talvez o "Callabriga" (se for 2011).

O Tapada de Chaves está a bom preço.
 
Comprei num supermercado (vivo na Suiça)


Ainda nâo tenho palato para isso... TEnho que aprender a gostar (e de whisky também)

Por acaso whisky já provei dos bons, foram uns James Martin´s, mas a minha experiência em Whisky é igual a zero. Admito que há ali qualquer coisa mais elaborada e suave do que um com um preço simpático, mas não consigo quantificar o quanto.
 
Reparei no mesmo...


Assim numa vidta rapida não me parecem preços extraordinários. Talvez o "Callabriga" (se for 2011).

O Tapada de Chaves está a bom preço.

O Tapada de Chaves foi uma das minhas grande desilusões, não achei nada de especial, há uns anos era vinho de +-15€, agora não sei em quanto é que anda, mas deve ter baixado.
 
Parece-me bem...

IMG_20151110_224542.jpg
 
Pior que isso, hoje o Alentejo já produz tudo. Desde o típico - o tal adocicado que não me diz nada- a vinhos com a "matriz" Touriga Nacional tão típicas do Douro e Dão.

O Alentejo tem espaço, tem diversos climas e solos. Das encostas graníticas de São Mamede à planície de Beja vai uma longa diversidade.

A Touriga Nacional espalhou-se pelo país todo actualmente... e a razão é sempre a mesma: "é o que o público pede...!"
E assim, arrancam-se vinhas velhas com castas originais e típicas das suas regiões (algo que poderia ser verdadeiramente diferenciador) para se plantar mais uma Touriga igual às outras...

- Quinta da Alorna Tinto 2012 (VR Tejo) - um tinto despretensioso, que aparece frequentemente cá por casa, sempre um tinto de confiança para o quotidiano... bom e barato. :)

Concordo, é simpático. Também costumo ter por aqui para uso mais quotidiano.

E nem de propósito... Fui ao Pingo Doce e o Alorna tinto e branco estavam com desconto.
Lá fui reabastecer o stock...! [:D]

O Duorum estava com ligeiro desconto, nada de especial, e como ainda tenho ali umas garrafolas, deixei passar...
http://pdflipbook.pingodoce.pt/flipbook/Folheto_semana46_seg2&3_2015_Flipbook/mobile/index.html
 
Gosto e ando com curiosidade de experimentar uma de alvarinho.

Tens esta:



Não é muito amiga da carteira, acho que ronda os 40 euros, 35 cl.

No próximo fim de semana, devo fazer uma potada de aguardente de Alvarinho com um amigo, para experimentar. Até por acaso vai ser com bagulho fornecido pelo Soalheiro.:p Vamos lá ver como corre a experiência.
 
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Tens esta:



Não é muito amiga da carteira, acho que ronda os 40 euros, 35 cl.

No próximo fim de semana, devo fazer uma potada de aguardente de Alvarinho com um amigo, para experimentar. Até por acaso vai ser com bagulho fornecido pelo Soalheiro.:p Vamos lá ver como corre a experiência.

Bom... agora tens que distribuir uma rodada do produto final aqui pelo pessoal...! [:D]
 
Hoje em dia o panorama dessas regiões é muito diferente. Investiu-se e muito, apostou-se em novas plantações e na qualidade... mas é difícil mudar mentalidades. É certo que Tejo e Lisboa são regiões que não têm a tradição que têm regiões como o Dão ou o Douro (excepto nalgumas micro-regiões como Bucelas ou Colares), mas de certa maneira outras regiões também não - sim, estou a falar do Alentejo. Há uns anos, não se ouvia falar do Alentejo. Mas nas últimas décadas virou moda, é altamente mecanizado, produz em quantidades verdadeiramente industriais, não tinha a má fama de produzir apenas vinhos para tabernas como o Ribatejo e a Estremadura, e com isso inundou os supermercados (ainda ontem num Continente, praí metade dos vinhos eram do Alentejo, xiça era um corredor inteiro!). E depois criou-se um perfil de vinho que o público gosta, frutado e até ligeiramente adocicado (nada de mal nisso, até porque o clima do Alentejo se presta a vinhos assim) mas que é copiado até à exaustão, resultando dezenas de vinhos alentejanos que acabam por ser muito parecidos uns com os outros... mas é o perfil que vende, é o que o público quer, dizem os produtores.

É fácil esquecer como o boom do vinho alentejano é uma coisa relativamente recente. Começa a sério na segunda metade da década de 1980, penso eu. Antes disso, quando eu era criança, recordo-me de que o vinho que se bebia entre o povão na região em que eu vivo (Sintra) era na base do garrafão e, quando muito, da garrafa "estrela" de litro com cápsula de plástico, na maior parte vindo do eixo Torres Vedras-Arruda-Sobral-Bombarral-Alenquer-Cartaxo. Uma marca que vi muitas vezas era a "Quinta da Cardiga", que hoje jaz abandonada na Golegã.

E esse tipo de produção, como o oversaturn já referiu, ainda sobrevive. Numa mercearia de bairro mesmo ao pé de minha casa vi no passado fim-de-semana esta relíquia de tempos idos:

http://www.santosesantos.pt/vinho-moleiros-garrafa-tinto2.html

Enquanto isso, os ribatejanos e estremenhos (oops, perdão, os vinhos do Tejo e de Lisboa), que até produzem hoje em dia com muita qualidade, têm até uma relação qualidade/preço muito boa, vão vender os vinhos onde? Pois se o que o consumidor nacional quer é Douro e Alentejo, há que se virar para a exportação. Por exemplo, o maior produtor da região Lisboa, a Casa Santos Lima (de Alenquer), que até tem vinhos bastante bons e com uma relação qualidade/preço estupenda, exporta ~90% do que produz...

Os supermercados também não ajudam... É claro que se o público vai a um supermercado e só vê Douro e Alentejo, o mais provável é que acabe a comprar um deles... E muitos restaurantes é a mesma coisa. Pedes um vinho e perguntam-te "Douro ou Alentejo?", como se não houvesse mais nada, xiça... A oferta, na maioria dos supers e dos restaurantes, de outras regiões (como Lisboa, Bairrada, Tejo ou até Dão) na maioria das vezes, é residual. E a coisa assim acaba por ficar viciada. Não há oferta porque não há procura. E não há procura porque não há oferta...

Na região vinícola "Lisboa" há quem sofra com este tipo de preconceitos e há quem beneficie deles. Que eu saiba, há pelo menos três engarrafadores de grande volume nesta região que vendem bag-in-box e até garrafas de vinho de mesa com a palavra "Pias" no rótulo e onde não deve entrar nem uma gota de verdadeiro vinho de Pias. Algum até diz "Vinho da UE" em letras miudinhas.

Custa a perceber porque os produtores de Pias não reagem contra isto. Mas enfim, outras histórias. Peço desculpa pela digressão.

Pior que isso, hoje o Alentejo já produz tudo. Desde o típico - o tal adocicado que não me diz nada- a vinhos com a "matriz" Touriga Nacional tão típicas do Douro e Dão.

O Alentejo tem espaço, tem diversos climas e solos. Das encostas graníticas de São Mamede à planície de Beja vai uma longa diversidade.

A distinção entre "DOC" e "vinho regional" no Alentejo já tem pouca relevância do ponto de vista comercial. Um exemplo: o Tapada de Coelheiros é "vinho regional". As zonas DOC foram delimitadas quando a viticultura no Alentejo ainda não tinha atingido a escala que hoje tem. Daí que eu pense que os produtores alentejanos pudessem fazer um pouco mais de uso das denominações de sub-região que têm ao seu dispor. Um vinho feito no estilo da região de Arronches ou Portalegre, delgado e suave como um Dão, pode ter pouco a ver com os vinhos habitualmente mais substanciais de Reguengos, Redondo ou Borba.
 
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