Referendo sobre o Aborto - Saiu hoje a legislação

citação:Originalmente colocada por BrunoTRF

EDIT: só não explico porque tenho mais onde gastar as energias, já que amanhã tenho um exame, e não estou a conseguir exprimir-me convenientemente.

As minhas sinceras desculpas;)
Tu tens tido uns posts bem construtivos e argumentativos[^].
Este foi mesmo do cansaço:D;)


Boa sorte para o exame.
 
citação:Originalmente colocada por DarkRose

citação:Originalmente colocada por Portachaves

Parece que me confundi, mas passo a explicar: Pelo que li a pergunta é realmente despenalização. No entanto a proposta de lei fala em liberalização. Despenalização é as mulheres não irem presas por fazerem um aborto. Liberalização é dizeres vou fazer um aborto e pronto...

Eu voto sim porque a pergunta é despenalização mesmo. Não concordo que as mulheres vão presas por terem abortado.

O problema é q a pergunta é enganadora pois a proposta de lei é para liberalizar o aborto! Quanto à despenalização volto a dizer q sou a favor. Acho q as mulheres não devem ir presas por abortar...
 
1 Aborto em cada 3 Nascimentos!?!

Se a Primeira Guerra Mundial foi considerada uma tragedia imensurável para toda a humanidade e para o seu futuro não apenas porque ceifou milhões de vidas mas especialmente porque matou a nata da juventude da Europa sem se saber quantos génios terão perecido antes do seu verdadeiro potencial ter sido descoberto (quantos Nobel, Einstein, Edison terão ficado nas trincheiras dos campos de França) então o que se pode dizer do impacto de um terço de uma população que é dizimada todos os anos, quantos Bethoven se matarão porque possuem um defeito congénito ou pura e simplesmente porque se pode???

Os capitalistas fazem e vêm no aborto uma oportunidade de negocio e os comunistas fazem dele uma questão de direito ao corpo, de emancipação feminina, mas terá sido 1918 assim há tanto tempo que os verdadeiros valores da humanidade se tenham dissipado entre a prospectiva do lucro e o egoísmo do Eu?
 
Bom, antes de mais acho que há pessoas que ainda não entenderam o que é que se vai decidir com o referendo.

O que vai ser decidido é a punição ou não de quem pratica o aborto.</u> Se pensam que é por votar não que os abortos vão acabar, estão muito enganados!

Bom, o que acontece, é que quer vença o sim ou o não, continuará a haver a pratica do aborto!</u> Só que com uma grande diferença.

Se vencer o Sim, quem achar que deve fazer o aborto (e se alguém pensa nisto, deve mesmo fazer, pois com certeza não tem grande amor ao que está dentro da barriga), o aborto será feito, num local especializado, sem qualquer risco de saúde para a mulher, e esta não é penalizada por fazer isso.

O feto, no período de gestação em que está é completamente inconsciente do que se passa e isto é algo que nem merece ser discutido.

Se vencer o Não, quem achar que deve fazer o aborto, irá fazer na mesma, com a diferença deste ser feito em condições complicadas, que muitas vezes levam à morte da mulher. Alem disso, é complicado descobrir este tipo de caso, e a grande maioria dos casos de aborto nunca levará penalização!

Agora digam-me, perante isto, não valerá a pena vencer o sim, e ao menos fazerem as coisas como devem ser feitas?

E já nem falo das questões das famílias que vivem numa total miséria, e em que mais um filho será uma tremenda dor de cabeça, ou aqueles casos de pai e mãe toxicodependentes, ou crianças com graves deficiências...

Muitos dos que votam Não, devem pensar que o mundo é cor-de-rosa.

Portanto o meu voto será: • Sim.
 
citação:Originalmente colocada por Tubular Bells

Bom, antes de mais acho que há pessoas que ainda não entenderam o que é que se vai decidir com o referendo.

O que vai ser decidido é a punição ou não de quem pratica o aborto.</u> Se pensam que é por votar não que os abortos vão acabar, estão muito enganados!


Não é só isso, é também uma liberalização até ás 12 semanas e feito num estabelecimento de saude publico. Um aborto irá custar aos cofres publicos 750€, mas anda-se a fechar manternidades no pais para poupar.

citação:o aborto será feito, num local especializado, sem qualquer risco de saúde para a mulher

Fazer um aborto não é como arrancar uma unha encravada, há sempre riscos de problemas fisicos e/ou psicologicos

citação:O feto, no período de gestação em que está é completamente inconsciente do que se passa e isto é algo que nem merece ser discutido.

Tu também podes ficar insconsciente por algum problema de saude, acidente, ingestão de alguma substancia e se te tirassem a vida já não havia problema pelo facto de estares insconsciente?

<s></s>

O que tenho visto nos debates televisivos, imprensa escrita, etc alguma agressividade e falta de sentido democrático por parte de quem vota sim.
 
Atenção que e so a despenalização do Aborto, não quer dizer que agora qualquer pessoa ande a fazer isso como quem come rebuçados, antes de irem fazer o referendo vão ao dicionario ver o que é "despenalização" e depois votem com conciencia, não liguem as ideias parvas do pessoal da igreja, que agora é que estão muito preocupados com a morte dos fetos, tem é memoria curta e esquecem-se do tempo da inquisição, nessa altura não eram fetos que matavam eram adultos, crianças ou idosos. Truturavam, e também faziam abortos (um bom exemplo é a capela dos ossos em Évora). Por isso sejam racionais votem "sim", pois pior que um aborto são as mortes que acontecem todos os dias em guerras e pessoas que morrem a fome, aí os ricos não vem defender o "não" de certeza.

Já agora b estou de acordo com o "Tuareg"



"HOLANDA: livre interrupção permitida até às 24 semanas.

O país com menos abortos na Europa."


JÁ É TEMPO DE PORTUGAL EVOLUIR!!!!
 
O que está em causa não é simplemente a punição ou não de quem pratica o aborto!!! O que está na pergunta é despenalização, mas na proposta de lei é outra coisa como disse, e bem, o Vehicle.
 
Axo que quem faz um aborto é só quem precisa e não porque apetece por isso a mulher la vai ja deve de saber as consequencias, agora se a proposta de lei esta bem feita ou não xo que ja houve tempo suficiente para se discutir isso em assembleia da Republica. Agora o que ue noto é que o pessoal que votou não no referendo anterior ja tomou a consciencia do quanto é grave o que se passa no nosso pais nessa materia, agora axo que se deve de tomar medidas e condições para que se possa fazer esse tipo de cirurgia e neste momento não me parece que tenhamos muitas condiçoes, mas continuo a achar que a despenalização é a melhor via para que haja esse desenvolvimento em Portugal.
Agora só um aparte. Não acham estranho este governo ter desaparecido com algumas maternidades?? Vai na volta isto é algum plano para colocar salas de aborto no lugar das maternidades a um bom preço, e acabam com a natalidade em Portugal... LOL
 
Não estivesse este país, desde há muito (sempre?...), a soldo de políticos cobardes e inimputáveis, e esta temática já não envergonharia Portugal na Europa civilizada.

Mas nós gostamos de acompanhar com o exótico: as ultrareligiosas e teocraticamente submetidas Irlanda e Polónia...

Também Portugal tem sido uma nação sob um deus imaginário, velho e senil...
 
Pelo que me parece ainda ninguem deu argumentos que tenham a ver com religião, por isso não é por aí... Se com uma parte da pergunta eu concordo, mas o resto não é como eu penso, devo votar sim? Não me parece!

Quando eu falo com pessoas que trabalham em planeamento familiar, onde aparecem adolescentes sem a mínima noção do que fazem, vejo que muitas não usam contracepção pq n dá jeito, ou pq ele n quer usar preservativo, ou pq n quero tomar a pilula! Então a solução pra isso é o aborto?

Para sermos civilizados é preciso liberalizarmos o aborto?

Porque é q será que muitos dos países onde o aborto está liberalizado andam a querer rever as leis? Será que não está a ser como eles pensavam?
 
citação:Originalmente colocada por peras777


"HOLANDA: livre interrupção permitida até às 24 semanas.

O país com menos abortos na Europa."

JÁ É TEMPO DE PORTUGAL EVOLUIR!!!!

POIS é essa mesmo a politica do Governo Socrates, acompanhar a Europa em todos os aspectos que podemos - e os NEGATIVOS são os mais faceis!!!! :rofl:
 
citação:Originalmente colocada por Portachaves

Pelo que me parece ainda ninguem deu argumentos que tenham a ver com religião, por isso não é por aí... Se com uma parte da pergunta eu concordo, mas o resto não é como eu penso, devo votar sim? Não me parece!

Quando eu falo com pessoas que trabalham em planeamento familiar, onde aparecem adolescentes sem a mínima noção do que fazem, vejo que muitas não usam contracepção pq n dá jeito, ou pq ele n quer usar preservativo, ou pq n quero tomar a pilula! Então a solução pra isso é o aborto?

Para sermos civilizados é preciso liberalizarmos o aborto?

Porque é q será que muitos dos países onde o aborto está liberalizado andam a querer rever as leis? Será que não está a ser como eles pensavam?

Incrivel, também já reparaste que desta vez que está sempre a falar da religião são os movimentos pelo sim...hehehehe
 
citação:Originalmente colocada por Portachaves


Quando eu falo com pessoas que trabalham em planeamento familiar, onde aparecem adolescentes sem a mínima noção do que fazem, vejo que muitas não usam contracepção pq n dá jeito, ou pq ele n quer usar preservativo, ou pq n quero tomar a pilula! Então a solução pra isso é o aborto?

Para sermos civilizados é preciso liberalizarmos o aborto?

A solução não é o aborto, até porque é uma intervenção relativamente cara (à volta de uns 400€) se for feita numa clínica especializada e o pessoal jovem não tem dinheiro para andar sempre nessas andanças. Depois do 1º susto vêm que fica mais barato se pensarem um bocadinho antes. Para além das razões económicas, penso que fazer um aborto não é uma decisão tomada de ânimo leve.

E quando neste país há muita rapariga que não toma a pílula para os pais não ficarem chocados, acho que está tudo explicado...
 
http://dn.sapo.pt/2007/01/29/tema/tou_dona_maria_tenho_aqui_problemazi.html

Tou? Dona Maria? Tenho aqui um problemazinho..."


Sónia Morais Santos

"Tou? Dona Maria? Tenho aqui um problemazinho..." Do outro lado da linha, a resposta não se faz esperar. "Ó meu amor, isso resolve-se num instante!" No mundo do aborto clandestino as meias palavras bastam. Há um código que se usa e se decifra e que faz sentir, de forma indelével, o peso da ilegalidade. "E quanto tempo? Uns 15 dias de falta, não?" Pois. Mais ou menos isso. "Sim senhora, pode vir já amanhã, que eu resolvo-lhe isso."

"Isso", o "problema", o "assunto", o "atraso", o "azar". Há até quem conheça expressões mais metafóricas como "arroz queimado" para designar uma gravidez indesejada que se pretende interromper. A penalização prevista na lei obriga a ter certas cautelas.

"E tem anestesia? É que há sítios onde não têm." Noutras circunstâncias, a conversa poderia nublar-se a partir daqui. Em princípio não se fala mais do que o necessário, sobretudo não se usam termos que possam revelar "o assunto". Mas a dona Maria não parece temer assim tanto a possibilidade de escutas telefónicas ou falsas identidades do outro lado do telefone. "E fazem sem anestesia? Credo! Que gente tão bruta! Minha querida, fica a dormir um bocadinho e daí a nada está fina!" O preço é discutido ("Estou a levar 400 euros, mas como já tem filhos faço-lhe um descontozinho, paga 350 euros e não nos zangamos por causa disso"), e o encontro fica marcado para o dia seguinte.

Quem se depara com um "problema" destes não tem dificuldades em descobrir onde e como resolvê-lo. Há sempre uma amiga que já passou pelo mesmo, ou uma amiga de uma amiga de outra amiga que tem um número de telefone qualquer. Foi assim que, há dois anos, Lurdes descobriu um apartamento num prédio velho, bem no centro de Lisboa. "Tinha perdido o meu filho há pouco tempo, num acidente de mota. Deitei-me com o meu marido duas vezes, nos cinco meses depois da morte do Bruno. Tive azar. Aquela gravidez era uma violência muito grande. Não podia, não conseguia, não queria."

Lurdes fez então o que faz quem se encontra numa encruzilhada. Procurou ajuda. Uma amiga deu-lhe um número, ensinou-lhe o código, "ligas e dizes que é por causa de um atraso", e alertou-a para os 450 euros e umas "dorzitas", fruto da inexistência de anestesia. Lurdes seguiu os passos previstos, mas as suas dores não tiveram direito a diminutivo. "Ainda hoje oiço o aspirador, sabe? E ainda hoje sinto aquelas dores. E as outras, que vieram depois." Um processo infeccioso atirou-a para o hospital com febres altas e dores insuportáveis: "Estive 15 dias internada, entre o cá e o lá. Quando me contorcia, o médico que me atendeu em Santa Maria disse-me: 'Quando estavas a fazê-lo não choravas, não é?' Senti-me marginal duas vezes. Primeiro porque tive de falar em código com uma mulher que não sei sequer se é enfermeira, sujeitar-me a um sítio medonho, em que entreguei um envelope com dinheiro, como se estivesse a comprar droga. Depois foi a forma como fui tratada no hospital." Ainda assim, Lurdes não tem dúvidas. "Continuo absolutamente segura de ter feito o melhor. Não conseguia ligar-me a um filho, tendo perdido outro há tão pouco tempo, e tendo mais dois para criar. Mesmo no hospital pensava: antes morrer que ter tido esta criança."

Voltamos ao apartamento onde, há dois anos, Lurdes foi atendida. Fica num terceiro andar, num prédio sem elevador. A casa é escura, escuríssima, e suja, e pequena, duas assoalhadas e um hall. Os passos são abafados pela alcatifa coçada, o olhar detém-se nos quadros com paisagens bucólicas. A porta entreaberta deixa antever uma marquesa velha com estribos desengonçados. "Venha depois de amanhã, às 08.30, em jejum. São 450 euros." E anestesia? "Pois, isso não, que é muito perigoso, ainda me morria para aí. Mas não dói nada, é como ter as dores do período. Depois fica aqui uma meia hora em repouso para não me ir vomitar à porta do prédio."

A utilização cada vez maior do Cytotec como método abortivo fez com que diminuíssem os abortos de vão de escada. Mas ainda há muitos, nas cidades e nos meios rurais. O medicamento vende-se na farmácia e está indicado para o estômago, mas pode provocar o aborto. As mulheres que querem interromper a gravidez recorrem cada vez mais ao misoprostol (princípio activo do Cytotec) mas não sem correrem riscos. Miguel Oliveira e Silva, ginecologista/obstetra do Hospital de Santa Maria, diz que "podem ocorrer problemas se não houver vigilância médica". A automedicação pode levar a "abortos incompletos ou até a casos em que a gravidez prossegue."

Em Lisboa, visitámos outros dois sítios mais ou menos lúgubres, mais ou menos de vão de escada. Mas há o outro lado. As clínicas modernas, onde ginecologistas também "resolvem problemas". Uma delas fica na zona do Marquês de Pombal. Ao telefone, o código do costume: "Era para marcar uma consulta. Estou com um atraso e..." As reticências, aqui, bastam. Do outro lado, uma voz doce tranquiliza: "Claro, claro. Marcamos para amanhã. Vem à consulta e faz a ecografia. No dia seguinte trata-se do assunto, sim?" E o preço do segundo dia? "Depende. Entre os 500 e os 700 euros."

Neste consultório elegante e sofisticado, uma boa ideia resolve o que poderia ser um problema. As grávidas felizes com a gravidez ficam numa sala de espera, as que se decidiram pela interrupção são encaminhadas para outra assoalhada. Numa sala há revistas de bebés nos molhos de publicações, na outra não. Quando a médica chama, entra-se numa sala luminosa, onde brilham instrumentos e máquinas. A médica gosta pouco de perguntas, mas diz o essencial: "Fico muito feliz por trazer à vida crianças desejadas, que sei que serão amadas. Mas também resolvo problemas. Sou médica e sei fazê-lo em condições de higiene, e humanas. Sou pela maternidade e paternidade conscientes. E é só."
 
Os médicos na sua quase totalidade, dizem que até às 10/12 semanas não há vida.
Aqueles que são pelo não e acham que há vida, será que se acham melhores e com mais conhecimentos que os médicos.
Será também que acham que um espermatezoide é uma vida?
 
Tanta coisa com a "vida" de um feto com 12 semanas, mas de certeza que há aqui muitos que se tiverem gatas em casa, e se elas tiverem gatinhos, são os primeiros a enterra-los vivos!</u> [8][8]

Parem com moralismos, qualquer dia um gajo não pode bater uma, porque vai matar espermatozóides e estes são formas de vida, tadinhos...

[8][8]

Desculpem falar desta forma, mas há coisas que realmente não entendo...
 
citação:Originalmente colocada por Gugul

Os médicos na sua quase totalidade, dizem que até às 10/12 semanas não há vida.
Aqueles que são pelo não e acham que há vida, será que se acham melhores e com mais conhecimentos que os médicos.
Será também que acham que um espermatezoide é uma vida?
Mais um movimento pelo não apresentado em todo o País
“Somos médicos, por isso não!”


Manifestar publicamente a posição dos médicos portugueses sobre a questão do aborto livre e contribuir para o esclarecimento dos eleitores é um dos principais objectivos de mais um movimento pelo “não” apresentado ontem em todas as capitais de distrito.
Em Coimbra, um grupo de destacados médicos da região, entre os quais Linhares Furtado, Manuel Antunes, Dinis de Freitas, Isabel Veiga de Miranda, Adriano Vaz Serra, João Patrício, Carlos Ramalheira, José Miguel Baptista e Henrique Vilaça Ramos, defenderam a sua posição numa apresentação pública do movimento.
Entre os argumentos apresentados e divulgados sob a forma de declaração de princípios, este movimento defende que “o feto de 10 semanas é não só um ser humano como apresenta já os seus órgãos e tecidos diferenciados”, mas também que, como médicos, os elementos do grupo têm “um compromisso radical e irrenunciável com a vida e a sua defesa: a vida de qualquer ser humano, independentemente da sua condição e idade”.
Posicionando-se como cidadãos, os membros do movimento entendem que “representará um retrocesso na evolução do Direito deixar de considerar crime um acto que represente um atentado à vida humana, já que a vida é o primeiro direito fundamental e valor a proteger”. Isto não impede, contudo, afirmam ainda, “que, por razões sociais e psicológicas relevantes (aliás reconhecidas na usual não condenação nos tribunais), seja apenas isenta de pena a mulher que pratica ou deixa praticar em si o crime de aborto, desde que represente um atentado à vida humana, já que a vida é o primeiro direito fundamental e valor a proteger”. http://www.oprimeirodejaneiro.pt/?o...c&subsec=&id=032c5f290fd8344ccd6278dbe2f31854


Aborto
Especialistas vão debater quando começa a vida
A dificuldade em definir quando começa a vida humana é reconhecida pelos especialistas em saúde e bioética. As diferentes posições, biológicas, éticas e jurídicas serão apresentadas num seminário organizado pela Ordem dos Médicos


Contactados pela Lusa, vários especialistas reconheceram que numa «democracia plural» como a portuguesa o início da vida humana dificilmente será definido, o que adia questões polémicas como a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG).

Quando começa a vida humana? é a pergunta para a qual os médicos vão dar um «contributo» nos próximos dias 2 e 3 de Fevereiro, num seminário que reunirá peritos de várias áreas e que têm respostas diferentes para a questão.

A uma semana do referendo sobre a despenalização do aborto até às dez semanas de gestação, a Ordem dos Médicos convida a uma reflexão sobre o início da vida.

Para o presidente da Associação Portuguesa de Bioética (APB), Rui Nunes, esta é uma pergunta que, do ponto de vista biológico, tem uma resposta «incontestável»: no momento da fertilização.

Contudo, do ponto de vista ético e jurídico, as opções são «muito mais vastas, bem como as contradições».

«Há quem defenda que a vida humana começa na fertilização, tal como biologicamente, e quem defenda que a sociedade deve atribuir um estatuto que evolui à medida que o feto vai evoluindo», explicou à Lusa o especialista em bioética.

O passo seguinte dá-se aquando do nascimento, altura em que o ser adquire o «pleno estatuto de vida humana e de pessoa», adiantou.

Rui Nunes lembrou que esta diferença de posições tem dificultado a resolução de questões relacionadas, por exemplo, com a IVG ou o destino dos embriões excedentários criopreservados.

«É impossível responder a esta pergunta [«quando começa a vida humana?»] numa democracia plural como a nossa», disse.

Por esta razão, «a população deve estar mandatada para responder a estas questões, através de instrumentos como o referendo», considerou. «Deve ser a sociedade a determinar qual o valor a proteger nesta fase da vida», frisou.

Um exemplo da dificuldade em responder à pergunta que a Ordem dos Médicos conta ajudar a responder é a ausência de uma definição nos vários pareceres que o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) elaborou e que abordaram o tema do embrião.

A presidente do CNECV, Paula Martinho da Silva, reconheceu à Lusa a dificuldade em responder à questão, mas sempre foi adiantando que «não há dúvidas de que a vida humana começa no momento da concepção».

«O que é difícil é atribuir ao embrião um determinado estatuto», adiantou.

Para Paula Martinho da Silva, a protecção do embrião é igualmente «inquestionável», e isso mesmo demonstram os consensos internacionais, estando por saber qual o tipo de protecção.

A presidente do CNECV considera que «é e será sempre difícil conciliar concepções nesta matéria, porque é impossível impor um estatuto».

«As leis que vão surgindo em torno deste tema - como as relativas à IVG, à Procriação Medicamente Assistida (PMA) e às células estaminais - vão estabelecendo o estatuto do embrião, sem o definir», disse.

A Alta Comissária da Saúde, Maria do Céu Machado, é pediatra e uma das convidadas do seminário organizado pela Ordem dos Médicos que vai levar a este debate a questão da viabilidade do feto.

Conforme disse à Lusa, metade das crianças com 24 semanas tem possibilidades de sobreviver sem problemas.

Maria do Céu Machado reconheceu que esta é uma matéria de «difícil consenso, tal como no seio da sociedade em geral».

A médica, que é igualmente neonatologista, avançou que, se o «não» à despenalização do aborto ganhar no referendo, a situação actual vai manter-se.

Contudo, a vitória do «sim» vai implicar uma série de acções, que o Ministério da Saúde terá de assegurar, como um eficaz encaminhamento das mulheres para o planeamento familiar.

«Ninguém quer que o aborto aumente e não se pode deixar que este aumente», disse.

http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=20807
 
Voltar
Superior