Não querendo aqui entrar em discursos extremistas do tipo nós contra eles ou vice-versa - ambas as máquinas têm espaço no mercado —, podemos refutar alguns destes pontos.
O maior problema do 4C é sobretudo um de execução, mais do que culpa das soluções escolhidas.
Por exemplo, a questão da suspensão de duplos triângulos sobrepostos contra a mais simples MacPherson. Em teoria, sim, a de duplos triângulos é superior, pois permite um controlo mais rigoroso do movimento da roda, mas não implica que a solução mais simples origine um resultado inferior.
O Porsche Boxster/Cayman, há muito considerados as referências dinâmicas a bater, recorrem a MacPherson nos dois eixos.
A questão das rodas também é um não problema. O 4C só tem dois tamanhos disponíveis — 17-18 (fr-tr) e 18-19. As reviews dizem para escolher sempre as mais pequenas.
O torque vectoring é um atributo que pode realmente enriquecer a dinâmica, mas mais uma vez, não é algo absolutamente necessário. Os elogiados Lotus ou até McLaren, excetuando algumas versões, até prescindem de diferenciais autoblocantes.
O problema resume-se apenas à execução, algo que a Alfa Romeo poderia ter resolvido definitivamente quando apresentou o Spider, eliminando todas as dúvidas. Infelizmente não haverá mais evoluções da criatura — do que se tem lido —, e a sua monocoque será aproveitada para um outro tipo de monstro. É uma pena — o 4C como manifesto (baixo peso, potência modesta, prestações avassaladoras) é muito mais relevante que qualquer criatura de 500, 600 ou mais cavalos.
Para resolver os problemas do carro, há que recorrer a preparadores como a Alfaworks. Estes alteraram a geometria da suspensão do 4C e os pontos pelos quais era criticado simplesmente desapareceram ou muito perto disso. Há várias reviews disponíveis que referem a "transformação" do carro.
Claro que acho uma parvoíce chamar de "relógio falsificado" a um A110, quando segue de perto tantas premissas que deram origem ao 4C, ao ponto de terem concebido uma base específica e arquitetura única em alumínio, com ambos a terem recorrido a componentes já existentes nos construtores a que pertencem.
Ainda não consegui pôr as mãos num A110, e estou bastante desejoso de o fazer, mas o 4C já, infelizmente à chuva… Não deu para explorar muito do seu potencial, já que mesmo em reta, a vontade de dar de cu era muita[

]. Talvez numa próxima…