A criação de "salas de chuto" é desaconselhada no último relatório da Órgão Internacional de Controlo de Estupefacientes (OICE), por violar as regras internacionais segundo as quais as drogas deverão apenas ser usadas para fins médicos e científicos.
A criação de espaços para consumir droga com assistência médica, realça ainda o documento referente a 2006, acarreta também o uso, com "toda a impunida de", nesses locais, de estupefacientes adquiridos no "mercado ilícito".
Alguns países da Europa, como a Suíça e a Holanda, já criaram "salas de chuto" e em Portugal a sua criação está na ordem do dia, havendo já municípios, como o de Lisboa, com projectos para avançar com a sua instalação.
O PS, no Governo de António Guterres, fez aprovar no Parlamento uma pro posta de despenalização das drogas leves e que admitia a possibilidade de virem a ser criadas "salas de chuto", beneficiando dos votos de PCP, Bloco de Esquerda e Partido Ecologista "Os Verdes".
Os defensores da sua criação argumentam que são uma forma de garantir a poio médico e social aos toxicodependentes, diminuindo a proliferação de doenças associadas ao consumo de drogas e o acompanhamento dos drogados com o objectivo de conseguir a sua cura.
Os opositores consideram que se trata da legalizar e fomentar o consumo das chamadas drogas "duras", de que o principal exemplo é a heroína.
O OICE, uma estrutura das Nações Unidas, insurge-se contra as "salas de injecção de drogas" porque vai permitir o uso e consumo de estupefacientes obti dos de forma ilegal.
Portugal volta a ser citado no relatório como uma das duas principais p ortas de entrada de cocaína na Europa, juntamente com Espanha, registando um aum ento de apreensões de 125 por cento entre 2004 e 2005.
Neste último ano, foram apreendidas no país 19 toneladas de cocaína, qu e a OICE quantifica como 20 por cento de toda a quantidade daquela droga apreend ida nos Estados membros da União Europeia.
Portugal é também apontado, igualmente a par com Espanha, como um dos " principais pontos" de transbordo dos carregamentos de haxixe com destino à Europ a produzidos em Marrocos.
O haxixe, de acordo com o Órgão, continua a ser a droga mais consumida na Europa e os países do topo da tabela são a Dinamarca, França, República Checa e Reino Unido.
Estimativas do Observatório Europeu das Drogas e das Toxicodependências citadas no relatório indicam que nos Estados da UE, Noruega, Islândia, Suíça e Liechtenstein seis por cento da população (20 milhões de pessoas) consumira haxi xe pelo menos uma vez na vida.
Já quanto à cocaína, os maiores índices de consumo foram detectados em Espanha e Reino Unido, enquanto entre a taxa de toxicodependentes europeus em tr atamento, os dependentes de cocaína representam dez por cento do total.
Quanto aos "novos problemas" detectados no universo das toxicodependênc ias, o alerta vai para a falsificação ou imitação fraudulenta (contrafacção) de medicamentos, que citando dados da organização Mundial de Saúde, a OICE diz ser de entre 25 a 50 por cento dos fármacos consumidos nos países em desenvolvimento .
E acentua mesmo que o seu uso pode ser fatal, referindo que a administr ação de uma vacina de contrafacção no Níger, em 1995, causou 2.500 mortes.
Agência LUSA
2007-02-28 12:15:01
Fonte:
RTP.PT