Voltando ao cerne do tema do tópico.
Existe uma bolha imobiliária, sim. Acompanho com atenção o mercado imobiliário na zona de Lisboa - centro desde há cerca de 5 anos para cá, primeiro como avaliador imobiliário, mais recentemente como interessado em comprar, e a bolha só rebentou declaradamente....para os mais fracos. No entanto, os olhos dos bancos ficaram bem abertos a tudo o que se avalia hoje em dia...existe agora uma enorme pressão nos técnicos, mais que outrora.
Os grandes condomínios e as melhores localizações, para além daquelas com o eterno status manterão e bem os valores oferta nesta travessia do deserto. Por outro lado, na periferia da cidade, é fácil ver urbanizações com apartamentos com 20 e 30% de desconto. Aliás, recentemente um conhecido edifício no Parque das Nações fazia 5% sem conversar. As pequenas e médias construtoras ficaram apertadas com os créditos à banca...é a decisão de falir ou tentar savar escoando com o fim de reduzir perdas.
O mais curioso é como existe uma certa bolha naquelas zonas do Centro da Cidade de Lisboa com edifícios a cair de podre, sem qualquer plano da Câmara e mesmo alguns deles mal localizados, referindo-me a acessos e problemas sociais, e com o carimbo de "potencial de reabilitação" mantendo valores verdadeiramente irrealistas...a opinião pública (nem sempre os técnicos a falar...) tem batido muito nesta tecla sem, em minha opinião, saber exactamente, o que implica uma reabilitação com o nível de intervenção que Lisboa na sua maioria necessita, com valores de mercado sempre mais elevados do que os valores para construir novo! O que me leva a lançar a questão: O objectivo é fixar as famílias jovens no centro da cidade? A que preço? Com conhecimento de que realidade do mercado de trabalho da nossa geração jovem? Fazia falta um plano social urgente, como o houve em tempos na história do planeamento urbano da cidade, de modo a povoar a sério e já agora, com qualidade a custos controlados. Entristece-me ver jovens da minha idade a fazer movimentos pendulares "forçados" entre Sintra, Mafra, Barreiro...e Lisboa.
Uma dessas zonas é por exemplo a zona de Alvalade, Av. da Igreja, Av. Rio de Janeiro...uma zona que valorizo pela localização e sossego relativo numa cidade. No entanto, o que temos ali é na sua maior parte habitação social do principio do século XX, com áreas pequeníssimas (obrigando a comprar uma tipologia acima para converter numa tipologia abaixo com áreas actuais), estacionamento complicado, e com necessárias obras urgentes. Quando digo obras, é obras! Não se fica sequer apenas por mudança de infra-estruturas de água e esgotos. Tive na Av. da Igreja este fds e é raro o edifício que não tenha armaduras à vista...Os preços por muito que os queiram justificar (T2 na ordem dos 180-220.000€), nunca poderão ser competitivos, muito menos, pela necessária intervenção a fazer...é pena!
Porque estou à espera de comprar? Neste momento, apenas para aumentar cada vez mais o meu capital de entrada. Espero pouco do mercado no seu todo, mesmo aquele que tem razões mais que evidentes para se reposicionar em termos de oferta.