Montecristo81
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Tenho visto muitos jornalistas e comentadores a dizer que um contexto de taxas de juros na ordem dos 2 a 3% é perfeitamente normal, quase como se estivessem admirados por haver agora tanta gente "aflita" com a sua subida, dizendo que até são subidas pequenas. Ora, isso não é de todo verdade. São subidas enormes, Uma pessoa que pagasse Euribor a 0% + 1%, pagando por isso 1% de juros no seu crédito à habitação, e agora paga Euribor a 2,5% + 1% = 3,5%, sofreu um aumento de 250% na taxa de juro. Esta é a grandeza que interessa.
Se se deveriam ter preocupado com isso quando fizeram o crédito à habitação? Deveriam. Isso é certo. Mas não retira o impacto do que acabei de escrever.
Se era verdade que as taxas iam acabar por subir um dia? Era e não era. Tecnicamente e historicamente, era sem dúvida. Mas todos nós sabemos como se tomam decisões em economias de mercado: com horizontes de curto prazo e um sentido de urgência que cria muito receio de "deixar dinheiro na mesa". Todos nós estamos profundamente condicionados e treinados para pensar a curto prazo. E nem sequer tem muito que ver com literacia financeira ou falta dela. Tem que ver com comportamento. E este tipo de comportamento é tanto mais exacerbado quando mais pobre é o país. Em países pobres as pessoas correm mais riscos, isto é, vivem de forma mais desprotegida, mais no fio da navalha. Isto acontece porque não há margem de manobra nenhuma. A família que quer comprar uma casa estica aos limites a sua capacidade imediata, porque se pensar a médio e longo prazo rapidamente conclui que não pode comprar uma casa. Portanto quando vemos que em Portugal a esmagadora maioria dos CH é feito à taxa variável enquanto que por exemplo em França é precisamente o contrário, não devemos logo concluir que isto é assim porque lá em França as pessoas são todas muito esclarecidas financeiramente e cá são todas ignorantes. Não é só isso, nem sequer é maioritariamente isso. É precisamente por causa de sermos um país relativamente pobre e as famílias não terem orçamento para acautelar o futuro, sendo no fundo obrigadas a ir navegando à vista e "seja como Deus quiser".
Se se deveriam ter preocupado com isso quando fizeram o crédito à habitação? Deveriam. Isso é certo. Mas não retira o impacto do que acabei de escrever.
Se era verdade que as taxas iam acabar por subir um dia? Era e não era. Tecnicamente e historicamente, era sem dúvida. Mas todos nós sabemos como se tomam decisões em economias de mercado: com horizontes de curto prazo e um sentido de urgência que cria muito receio de "deixar dinheiro na mesa". Todos nós estamos profundamente condicionados e treinados para pensar a curto prazo. E nem sequer tem muito que ver com literacia financeira ou falta dela. Tem que ver com comportamento. E este tipo de comportamento é tanto mais exacerbado quando mais pobre é o país. Em países pobres as pessoas correm mais riscos, isto é, vivem de forma mais desprotegida, mais no fio da navalha. Isto acontece porque não há margem de manobra nenhuma. A família que quer comprar uma casa estica aos limites a sua capacidade imediata, porque se pensar a médio e longo prazo rapidamente conclui que não pode comprar uma casa. Portanto quando vemos que em Portugal a esmagadora maioria dos CH é feito à taxa variável enquanto que por exemplo em França é precisamente o contrário, não devemos logo concluir que isto é assim porque lá em França as pessoas são todas muito esclarecidas financeiramente e cá são todas ignorantes. Não é só isso, nem sequer é maioritariamente isso. É precisamente por causa de sermos um país relativamente pobre e as famílias não terem orçamento para acautelar o futuro, sendo no fundo obrigadas a ir navegando à vista e "seja como Deus quiser".