Tópico das Casas

Tenho visto muitos jornalistas e comentadores a dizer que um contexto de taxas de juros na ordem dos 2 a 3% é perfeitamente normal, quase como se estivessem admirados por haver agora tanta gente "aflita" com a sua subida, dizendo que até são subidas pequenas. Ora, isso não é de todo verdade. São subidas enormes, Uma pessoa que pagasse Euribor a 0% + 1%, pagando por isso 1% de juros no seu crédito à habitação, e agora paga Euribor a 2,5% + 1% = 3,5%, sofreu um aumento de 250% na taxa de juro. Esta é a grandeza que interessa.

Se se deveriam ter preocupado com isso quando fizeram o crédito à habitação? Deveriam. Isso é certo. Mas não retira o impacto do que acabei de escrever.
Se era verdade que as taxas iam acabar por subir um dia? Era e não era. Tecnicamente e historicamente, era sem dúvida. Mas todos nós sabemos como se tomam decisões em economias de mercado: com horizontes de curto prazo e um sentido de urgência que cria muito receio de "deixar dinheiro na mesa". Todos nós estamos profundamente condicionados e treinados para pensar a curto prazo. E nem sequer tem muito que ver com literacia financeira ou falta dela. Tem que ver com comportamento. E este tipo de comportamento é tanto mais exacerbado quando mais pobre é o país. Em países pobres as pessoas correm mais riscos, isto é, vivem de forma mais desprotegida, mais no fio da navalha. Isto acontece porque não há margem de manobra nenhuma. A família que quer comprar uma casa estica aos limites a sua capacidade imediata, porque se pensar a médio e longo prazo rapidamente conclui que não pode comprar uma casa. Portanto quando vemos que em Portugal a esmagadora maioria dos CH é feito à taxa variável enquanto que por exemplo em França é precisamente o contrário, não devemos logo concluir que isto é assim porque lá em França as pessoas são todas muito esclarecidas financeiramente e cá são todas ignorantes. Não é só isso, nem sequer é maioritariamente isso. É precisamente por causa de sermos um país relativamente pobre e as famílias não terem orçamento para acautelar o futuro, sendo no fundo obrigadas a ir navegando à vista e "seja como Deus quiser".
 
Concordo em absoluto. Tive uma discussão saudável no tópico da crise a propósito deste tema com 3 users que diziam com veemência que não tinham pena nenhuma de quem vai perder a casa... É apenas iliteracia social.
 
Muitos contavam contas as taxas a 0% p/ os próximos 30 ou 40 anos e que nunca mais iriam subir, ouvi isto de amigos meus e um dos casos trabalhava numa seguradora,

os juros a 1% na verdade continuam a ser baixos, nao podemos é admitir que o normal era os 0%, os 0% é algo anormal, sendo de o normal baixo é mesmo 1%, sendo os 2% um valor médio, os 3% sim já se pode considerar um valor alto, mas tendo em conta que tivémos tanto tempo com 0% extremamente baixo agora talvez seja preciso ir ao 4% extramamente alto,

o problema é não se fazer contas ao pior cenário, por exemplo as pessoa fazerem a conta se conseguiam aguentar o CH com a Euribor a 2,5% ou mesmo 3%, se chegar aos 4% acho que ninguém pensou que fosse possível dado o cenário em que se estava,

e ninguém fazia a taxa fixa porque agora pagava mais e o tuga pensa ha isto vai ficar assim p/ sempre e agr não vou pagar mais para o banco ganhar mais comigo ouvi muita vez isto de amigos que estavam a fazer os CH p/ comprarem casas e alguns são gestores e economistas, quando a euribor subir logo se vê
 
Tenho visto muitos jornalistas e comentadores a dizer que um contexto de taxas de juros na ordem dos 2 a 3% é perfeitamente normal, quase como se estivessem admirados por haver agora tanta gente "aflita" com a sua subida, dizendo que até são subidas pequenas. Ora, isso não é de todo verdade. São subidas enormes, Uma pessoa que pagasse Euribor a 0% + 1%, pagando por isso 1% de juros no seu crédito à habitação, e agora paga Euribor a 2,5% + 1% = 3,5%, sofreu um aumento de 250% na taxa de juro. Esta é a grandeza que interessa.

Se se deveriam ter preocupado com isso quando fizeram o crédito à habitação? Deveriam. Isso é certo. Mas não retira o impacto do que acabei de escrever.
Se era verdade que as taxas iam acabar por subir um dia? Era e não era. Tecnicamente e historicamente, era sem dúvida. Mas todos nós sabemos como se tomam decisões em economias de mercado: com horizontes de curto prazo e um sentido de urgência que cria muito receio de "deixar dinheiro na mesa". Todos nós estamos profundamente condicionados e treinados para pensar a curto prazo. E nem sequer tem muito que ver com literacia financeira ou falta dela. Tem que ver com comportamento. E este tipo de comportamento é tanto mais exacerbado quando mais pobre é o país. Em países pobres as pessoas correm mais riscos, isto é, vivem de forma mais desprotegida, mais no fio da navalha. Isto acontece porque não há margem de manobra nenhuma. A família que quer comprar uma casa estica aos limites a sua capacidade imediata, porque se pensar a médio e longo prazo rapidamente conclui que não pode comprar uma casa. Portanto quando vemos que em Portugal a esmagadora maioria dos CH é feito à taxa variável enquanto que por exemplo em França é precisamente o contrário, não devemos logo concluir que isto é assim porque lá em França as pessoas são todas muito esclarecidas financeiramente e cá são todas ignorantes. Não é só isso, nem sequer é maioritariamente isso. É precisamente por causa de sermos um país relativamente pobre e as famílias não terem orçamento para acautelar o futuro, sendo no fundo obrigadas a ir navegando à vista e "seja como Deus quiser".

Relativamente ao tema da taxa variável ou fixa nada se pode concluir em relação à riqueza das famílias ou esclarecimento financeiro das mesmas.
Por exemplo, Estónia e Finlândia têm maior percentagem de créditos à habitação com taxa variável do que Portugal.
A Eslováquia tem menor percentagem de créditos à habitação com taxa variável do que Alemanha, Irlanda e Luxemburgo.
 
Última edição:
Relativamente ao tema da taxa variável ou fixa nada se pode concluir em relação à riqueza das famílias ou esclarecimento financeiro das mesmas.
Por exemplo, Estónia e Finlândia têm maior percentagem de créditos à habitação com taxa variável do que Portugal.
A Eslováquia tem menor percentagem de créditos à habitação com taxa variável do que Alemanha, Irlanda e Luxemburgo.

Concordo a 100%, o que influencia muito é a oferta, se a oferta de variável e muito alta vs a fixa é normal as pessoas irem para a variável, antes da crise de 2008 nem se falava na taxa fixa, apenas nos últimos anos os bancos começaram a oferecer taxa fixa a valores interessantes, dai ser uma modalidade que até tem crescido em Portugal.
 
Recentemente subscrevi uma aplicação indexada à Euribor a 3 meses.

Na prática de 3 em 3 meses dá o juro da Euribor de 3 meses antes, com um mínimo de 2,5 e um máximo de 4,5 %.

À falta de DP com taxas minimamente de acordo com a inflação, não me pareceu mal.

De qualquer forma talvez indicie que esse é o intervalo provável da Euribor a 3M nos próximos tempos !?
 
De facto nunca tinha acontecido antes, era impossível as pessoas preverem isto…


toda a gente sabia que iam aumentar mais tarde ou mais cedo, a questão não é essa

a questão é até que níveis de taxa a economia portuguesa e os portugueses aguentam

até porque, na notícia em baixo, Lagarde disse que iam a continuar a subir

se em cada reunião subirem 0.5 ou mais.....

vamos aguentar taxas de 5%, 6%...ou até perto de uns inimagináveis 10% ????????

a questão é essa, é este cenário de incerteza, da guerra e a predisposição do BCE em subir as taxas até ... sabe-se lá ....até valores inimagináveis


https://eco.sapo.pt/2022/12/15/bce-a...0-pontos-base/
 
toda a gente sabia que iam aumentar mais tarde ou mais cedo, a questão não é essa

a questão é até que níveis de taxa a economia portuguesa e os portugueses aguentam

até porque, na notícia em baixo, Lagarde disse que iam a continuar a subir

se em cada reunião subirem 0.5 ou mais.....

vamos aguentar taxas de 5%, 6%...ou até perto de uns inimagináveis 10% ????????

a questão é essa, é este cenário de incerteza, da guerra


https://eco.sapo.pt/2022/12/15/bce-acompanha-fed-e-sobe-taxa-de-juro-em-50-pontos-base/

Não são os portugueses em particular que influenciam essa decisão.

O aumento das taxas pretende baixar a inflação, não chegarão a 10%, mas poderão chegar a 5, vai depender como as coisas evoluírem.

Quem não conseguir pagar, tem que vender ou entregar ao Banco e arranjar uma solução mais barata, parece dramático, mas é tudo relativo, ao pé dos ucranianos que estão a ser bombardeados é uma brincadeira de crianças. [;)]
 
No ECO está um artigo no eco, das imobiliárias, https://eco.sapo.pt/2022/12/17/subi...rofissionais-do-imobiliario-garantem-que-nao/ , que em resumo dizem que as transações vão baixar, menos casas vendidas, mas os preços vão manter nas zonas de pressão e vão aumentar em zonas menos expostas.

Percebo que estejam a vender o peixe deles. Mas a acontecer, seria muito extraordinário e mostraria muita robustez do mercado portugues, em contra ciclo com toda a europa. Um feito.

Do outro lado da barraca, uma coisa que eu sinto com quem falo em Lisboa, é que Lisboa um pouco como São Francisco e outras cidades, cujos preços dispararam, é que atingiu o máximo, no sentido de afastar as pessoas que tornam Lisboa o sitio atrativo que é. Já muito pouca gente de fora de Lisboa se muda para Lisboa, simplesmente não compensa com os preços das casas, o sentido de comunidade se está a perder, a dinâmica de antigamente já não existe, já não existe renovação, mesmo entre os "expats" e afins, pessoas vão mas não vêm outras para preencher o vazio. Claro que para quem está nas imobiliárias e afins, só vêm os preços, a pressão da procura, e não querem saber destes pequenos indicadores, mas estes indicadores de desilução com Lisboa podem e médio prazo alterar a dinâmica da cidade.
 
No ECO está um artigo no eco, das imobiliárias, https://eco.sapo.pt/2022/12/17/subi...rofissionais-do-imobiliario-garantem-que-nao/ , que em resumo dizem que as transações vão baixar, menos casas vendidas, mas os preços vão manter nas zonas de pressão e vão aumentar em zonas menos expostas.

Percebo que estejam a vender o peixe deles. Mas a acontecer, seria muito extraordinário e mostraria muita robustez do mercado portugues, em contra ciclo com toda a europa. Um feito.

Do outro lado da barraca, uma coisa que eu sinto com quem falo em Lisboa, é que Lisboa um pouco como São Francisco e outras cidades, cujos preços dispararam, é que atingiu o máximo, no sentido de afastar as pessoas que tornam Lisboa o sitio atrativo que é. Já muito pouca gente de fora de Lisboa se muda para Lisboa, simplesmente não compensa com os preços das casas, o sentido de comunidade se está a perder, a dinâmica de antigamente já não existe, já não existe renovação, mesmo entre os "expats" e afins, pessoas vão mas não vêm outras para preencher o vazio. Claro que para quem está nas imobiliárias e afins, só vêm os preços, a pressão da procura, e não querem saber destes pequenos indicadores, mas estes indicadores de desilução com Lisboa podem e médio prazo alterar a dinâmica da cidade.

Não sei com quem falas em Lisboa, nem qual a noção do mercado dessas pessoas, mas sinceramente o que referes parece-me tudo muito vago e pouco objectivo.

O que chamas de indicadores de desilusão parecem-me opiniões pouco fundamentadas, mas realmente também não sei.
 
Fui ao correio e vi para lá no meio de tanta PUB o I.M.I. de Novembro por pagar 😐

A referência MB já não dá.

Dará multa? vou ter de me deslocar pessoalmente às finanças.

A4B5

Estava no e-balcão e o IMI Novembro nem estava como pagamento em falta dentro do prazo nem fora do prazo 😀

Liguei para eles e deu para usar a referência para pagamento.

Desta vez não paguei uma coima! Mas sim o valor inicial que consta.
 
No ECO está um artigo no eco, das imobiliárias, https://eco.sapo.pt/2022/12/17/subi...rofissionais-do-imobiliario-garantem-que-nao/ , que em resumo dizem que as transações vão baixar, menos casas vendidas, mas os preços vão manter nas zonas de pressão e vão aumentar em zonas menos expostas.

Percebo que estejam a vender o peixe deles. Mas a acontecer, seria muito extraordinário e mostraria muita robustez do mercado portugues, em contra ciclo com toda a europa. Um feito.

Do outro lado da barraca, uma coisa que eu sinto com quem falo em Lisboa, é que Lisboa um pouco como São Francisco e outras cidades, cujos preços dispararam, é que atingiu o máximo, no sentido de afastar as pessoas que tornam Lisboa o sitio atrativo que é. Já muito pouca gente de fora de Lisboa se muda para Lisboa, simplesmente não compensa com os preços das casas, o sentido de comunidade se está a perder, a dinâmica de antigamente já não existe, já não existe renovação, mesmo entre os "expats" e afins, pessoas vão mas não vêm outras para preencher o vazio. Claro que para quem está nas imobiliárias e afins, só vêm os preços, a pressão da procura, e não querem saber destes pequenos indicadores, mas estes indicadores de desilução com Lisboa podem e médio prazo alterar a dinâmica da cidade.

Lisboa continua a ter um potencial muito grande e, na minha opinião, longe de saturado

cidade de dimensão confortável/pequena à escala europeia , serviços de capital, história imperial que se mostra na traça e arquitectura de um estilo próprio e inconfundível, a questão topo e geográfica a decair no rio e as colinas, a luz, etc.

Claro que se atingiu alguma saturação de preço mas isso não significa a meu ver que não haja uma manutenção do mercado mesmo que a crescimentos bem mais modestos.

Em conclusão: não acho que seja uma questão de moda.

Este novo mercado veio para ficar, IMO.
 
Faz muito pouco sentido tomar por factuais as declarações dos profissionais do ramo imobiliário. O Eco estava à espera que dissessem o quê? Que sim, que o mercado está sobre-aquecido e que se espera uma correção de preços, não?! As imobiliárias são sempre as últimas a admitirem que o mercado começou a corrigir.
 
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