Novos créditos habitação - volume de novos créditos atribuidos em milhões de euros num dado mês:
2007 - Julho - 1875
2008 - Julho - 1205
2009 - Julho - 894
2010 - Junho 1005
2011 - Junho - 398
2012 - Junho - 156
2013 - Julho - 185
2014 - Julho - 213
2015 - Junho - 377
2016 - Março - 491
Sente-se uma positiva evolução, motivada maioritariamente pelas taxas de juro baixas.
No entanto, com as condições actuais muito dificilmente se voltam a atingir os patamares de 2007 e 2008 (nesta altura a taxa de juro, spread+euribor ultrapassava facilmente os 4,5%). Actualmente a taxa de juro, spread+euribor anda nos 1,5%.
Então se a taxa de juro actual é um terço da equivalente na altura do pico dos novos créditos, porque é que os novos créditos são um terço daqueles?
Porque em 2007/2008 emprestava-se 100% do valor de avaliação do imóvel. Como em média um imóvel é avaliado em 110% do valor da escritura, as pessoas na altura recebiam um crédito do banco que dava não só para a escritura, como para mobilar a casa e pagar impostos (IMT e IS). A partir de 2009 os bancos passaram a emprestar apenas 80% do valor da avaliação e o montante atribuído a novos créditos veio por aí abaixo. A partir de 2011 vieram os spreads de 5% e estrangulou-se o crédito habitação. Vejamos um exemplo prático para percebermos:
Ano: 2007
a = Valor de compra do imóvel: 150k
b = Valor de avaliação do imóvel: 165k
c = Empréstimo concedido pelo banco: 165k
d = IMT+IS: 3k
e = Mobilia: 12k
Juro (Euribor+Spread): 4.5%
Prestação mensal durante 40 anos: 674,34€
c - (a+d+e) = 0, ou seja, o banco emprestava-me dinheiro para comprar a casa, pagar os impostos inerentes e ainda dava para mobilar a casa. Como a maioria dos Portugueses ao longo de uma vida inteira são incapazes de poupar 500 euros, esta solução era ideal para toda a gente.
Vejamos agora o que acontece em 2016:
Ano: 2016
a = Valor de compra do imóvel: 150k
b = Valor de avaliação do imóvel: 165k
c = Empréstimo concedido pelo banco: 132k
d = IMT+IS: 3k
e = Mobilia: 12k
Juro (Euribor+Spread): 1.5%
Prestação mensal durante 40 anos: 365,87€
c - (a+d+e) = -33k, ou seja, para comprar e mobiliar um apartamento de 150k, eu tenho de ter 33k na conta bancária. Como bem sabemos, isto é um feito impossível para mais de 90% dos Portugueses.
Apesar da prestação bancária ser quase o dobro em 2007 (para o mesmo imóvel), o simples facto de não ser necessário ter um centimo de poupança na conta, tornava o crédito habitação bastante aliciante.
Portanto, a não ser que os bancos passem a financiar pelo menos 90% do valor da avaliação, isto dificilmente descola. Coisa que acredito que comecem a fazer dentro de 1 ano.