Na bolsa, em países sérios, se tivermos acesso a informação privilegiada (que não é difundida a todo o mercado) e beneficiarmos com a mesma podemos passar a ver o Sol aos quadradinhos.
Em Portugal, o mesmo passa-se diariamente em relação ao imobiliário, com vereadores, deputados, ministros, funcionários da EP, EDP, REN, etc e não há crise.
Submetes um projecto em qualquer Câmara deste país ou precisas de um parecer de qualquer agência governamental, se tiveres o telefone do gajo certo tens benefícios no tempo de deliberação e, muitas vezes, até no teor da mesma.
És um Zé Ninguém, queres reabilitar o prédio que o teu tio avó deixou no Porto ou em Lx e não recorres aos promotores / ateliers de arquitectura que "garatem resultados", estás lixado em todos os aspetos.
Mas pronto, da maneira que estão a tentar justificar isto, qualquer dia ainda vão dizer que o Robles é uma vítima, porque conseguiu, juntamente com a sua família, sobrepor-se aos interesses capitalistas que ambicionavam aquele imóvel. Essa entidade abstrata que tem sempre conotação negativa quando enunciada por vozes de esquerda.
Entretanto, só falta vir chorar a dizer que para o investimento ser concretizado teve de recorrer a um empréstimo. Ou pior, alguém pegar nas declarações de rendimentos e concluir que ele precisaria mesmo de um empréstimo ao qual não chegou a recorrer.
Resumindo, eu invejoso me confesso, pois também gostava de ter amigos nas SS, Câmaras, etc que me ligassem sempre que vão vender património ao desbarato, expropriar um conjunto de terrenos onde vai passar uma estrada, etc.