Ele diagnosticou bem o problema! É um facto que existem muitas casas e que o problema é o preço. A questão é que ele dá a entender que a solução é distribuir as casas pelas pessoas (comunismo) e obviamente que isso é receita para o desastre. Agora, que faz falta mecanismos para combater a especulação, que nada mais nada menos é, o mercado da oferta e da procura, é.
Eu enquanto liberal assumido, acredito que o estado deve construir a preços acessíveis e deve legislar para a construção privada ter condições para construir uma quota a preços acessíveis e deve legislar para facilitar o arrendamento (não é ficar com 1/3 das rendas), etc. A roda já foi inventada, e só assim se pode eventualmente alterar a balança da oferta e procura.
O estado a construir é a preços de mercado, nem mais nem menos acessível do que a construção por iniciativa privada. O que pode mudar depois é injeção de dinheiros públicos ou programas de apoio financeiro (faz-se alguma coisa em Portugal de iniciativa publica - ou até privada - sem esses fundos?

).
Estive recentemente a rever o programa "mais habitação" e o "simplex" de fio a pavio, e muitas das medidas tomadas visam a construção de habitação pública, social ou a custos controlados, quer seja por iniciativa pública como privada.
Agora o que me parece a mim é que temos 3 problemas:
- o primeiro é da difícil implementação dessas medidas, é tudo tão apertado, pouco otimizado e ineficiente que pouco se vai fazer com recurso a estas "boas intensões" sejam elas por iniciativa pública ou privada (pouco provável)
- o segundo é a cultura social. Já houve bastantes iniciativas destas há umas décadas atrás, algumas de grande qualidade, nem todas foram construção foleira...mas implicava cooperativas, pagar cotas...nem toda a gente tinha condições para isso e estava disposto a isso, agora ainda menos. No início do mês aproveitei o "Open House Porto 2024" para fazer algumas visitas, estive por exemplo no bairro de Aldoar "Sache", visitei o edifício de galerias e a casa que vi pareceu-me muito interessante, tomara muitas atualmente. E as da última fase ainda eram melhores, mas lá está, já não era para todos...
- o terceiro problema prende-se com a falta de mão de obra, básica ou especializada na construção e derivados, e com o custo dessa mão de obra face aos rendimentos médios dos portugueses. Ora, havendo pouca oferta de mão de obra, para quem é que eles vão trabalhar? Para quem paga mais, claro.
O que eu acho mais caricato nisto tudo é, sendo Portugal um país tendencialmente socialista, somos dos que temos piores índices de habitação pública, a que há é sobretudo social (de fraca qualidade, com o estado a assumir todos os custos e a maioria a degradarem em pouco tempo) quando a aposta deveria ser em soluções que ajudem a classe média trabalhadora (habitação a custos controlados, custos a cargo dos proprietários) , e isto não é um problema atual nem dos últimos 20 anos de crise, é um problema que se arrasta ao longo de várias décadas, basta comparar com outros países da Europa que, ainda por cima, foram dizimados por guerras mundiais.
Pessoas como esse do vídeo falam mas soluções concretas é zero, basicamente acham que se resolve usurpando o que é dos outros, pessoas sem responsabilidade e/ou que lhes cai tudo no colo. Um dia que acordem para a vida talvez pensem doutra maneira.
E quem diz esses fulanos, diz também quem governa, como por exemplo a antiga ministra da habitação que tinha um currículo invejável e muita experiência na área. Quando disse que "todas as pessoas têm o direito de viver em Lisboa ou Cascais" para mim ficou apresentada, e as medidas que implementaram tiveram também um bonito resultado [

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Entretanto mudou de cor, vamos lá ver se estes fazem alguma coisa que realmente melhore o panorama da habitação em Portugal, o que não me parece...
Durante a campanha ainda foram lançadas a jogo algumas ideias com sentido, como por exemplo a redução do IVA para 6%, mas não me parece que isso por aí só resolva alguma coisa...
Não basta chutar só legislação cá para fora, é preciso por também as instituições que têm poder de decisão e que são fundamentais nestas coisas (como o IHRU) a acelerar processos e não a servir de travão.