Não estou 20 anos atrasado. Quanto muito, estou a olhar 20 anos à frente.
Eu concordo contigo numa coisa, não é responsabilidade individual do consumidor salvar sozinho a indústria europeia. Cada um compra o que pode e o que faz sentido para a sua vida. Se o MG cumpre o que precisas e cabe no orçamento, fazes bem em comprar.
O problema é que a mentalidade de “eu compro mais barato e o resto não é comigo”. Isso funciona no imediato, mas a economia não funciona em compartimentos isolados. O dinheiro que gastas num lado alimenta esse lado. O dinheiro que deixa de circular cá deixa de voltar cá.
Vejo isso todos os dias. Tenho clientes que compram produtos de 5€ e ainda pedem desconto. E tenho clientes que gastam 1000€ e ainda deixam gorjeta. São mentalidades completamente diferentes.
Conheço uma empresa ligada à hotelaria que faz questão de não comprar tudo no supermercado. Quando compra vinhos, vai diretamente às caves. Quando precisa de certos produtos, tenta comprar no comércio local. Podia comprar mais barato no supermercado? Muitas vezes sim. Mas depois, quando aparece alguém nas caves a perguntar onde ficar, recomendam aquele hotel. Há retorno. Há relação. Há economia local a funcionar.
Quando compras tudo no supermercado, na Amazon, no AliExpress ou diretamente à China, pode sair mais barato naquele momento. Mas dificilmente esse dinheiro volta para ti. Não te manda clientes, não te sustenta o emprego, não sustenta a empresa do teu vizinho, não mantém oficinas, fornecedores, fábricas ou serviços à tua volta.
Tu defendes que somos pobres e a única solução é comprar o mais barato possível. Já eu prefiro uma economia forte, com bons salários, indústria competitiva e pessoas com poder de compra para escolher bons produtos sem andar sempre no limite.
Qual das duas versões preferes?
Não, aquilo que tu estás a defender é protecionismo e socialismo puro. Socialismo tipo a URSS. Por lá é que se comprava apenas o que era nacional.
Tu até podes pensar que és de direita mas com essa mentalidade tu és claramente socialista e quem concorda contigo também o é.
Pensa lá um bocadinho, se as pessoas de todos os países pensassem como tu então não haveria trocas comerciais entre países, o comércio internacional não existiria e acaba-se o mercado livre que é a ideologia económica mais justa e que traz mais prosperidade aos países.
O protecionismo só deve ser aplicado em casos específicos, e no caso dos carros Chineses a Europa já aplica tarifas.
Eu já te perguntei isto várias vezes, o que é que defendes que a UE deve fazer mais para além das tarifas sobre os carros fabricados na China?
Mas tu queres impedir as pessoas de comprar produtos de fora da UE?
É que tu dizes as coisas de forma abstracta e não dás soluções práticas. Quando uma pessoa compra um carro Chinês, os países já recebem receita em forma de tarifas. Para além disso há cada vez mais fabricantes Chineses a montar fábricas na Europa.
Tu não dizes as coisas de forma concreta, se um carro Chinês é fabricado na Europa, se é montado por cidadãos da UE, se marcas como a Leapmotor até pertencem a empresas da Europa, se os constructores Chineses investem em centros de R&D na Europa, praticamente todos os constructores Chineses têm escritórios de R&D na Europa, o que é que tu defendes de forma concreta?
É que é isso que tu não dizes. Só falas de coisas em modo abstracto, sem conteúdo, sem essência.
Esse exemplo que deste dos vinhos faz zero sentido nesta discussão, os vinhos não são uma necessidade essencial como o transporte, além disso quem compra vinho compra porque gosta e há vinhos para todos os gostos e bolsas, enquanto nos automóveis a grande maioria das pessoas tem um automóvel apenas por necessidade, não porque gosta de conduzir. São casos e mercados completamente distintos.