a era da solidão

o ser humano é naturalmente gregario, gosta de viver em grupo, pessoas que vivam em muita solidão tem, regra geral, maior probabilidade de desenvolver problemas psiquiatricos.

claro que numa sociedade multicultural há grupos que mantêm mais unidos e podem ter tendência para crescer, aliás há dados referentes a alguns grupos étnicos que indicam isso mesmo

um dos sinais da atomização da sociedade é que nalguns países depois de ter um queda do número de casamentos há agora também uma queda das uniões de facto, o que cresce é o número de pessoas que vivem sós e as famílias monoparentais, que no longo prazo com a chegada do/s filho/s a idade adulta é um caminho para o isolamento social

as famílias monoparentais são na sua grande maioria de mãe e filho/s, o que faz crescer este tipo de famílias?

o crescimento das redes sociais tem alguma influência neste crescimento da solidão ao fornecer um paliativo para essa solidão e pode provocar o atrofiamento das capacidades de relacionamento com os outros?

A busca pela felicidade, ninguém se separa do pai/mae dos filhos porque sim. Até financeiramente é mais difícil viver sozinho do que junto.
 
Pessoalmente não misturaria longevidade com qualidade de vida.

Eu disse que se vive mais e melhor que há poucas décadas atrás.

Vive-se mais é factual
Vive-se melhor, é ver os indicadores

Achas mesmo que há menos qualidade de vida que nos anos 60/70/80 ?

Também estou em idade de ter filhos e não há rigorosamente nada que me puxe para isso. Uma das razões tem a ver com o facto de não puder dar aos meus -possíveis- filhos a qualidade de vida que tinha quando era criança. O que antes era brincar à apanhada, às escondidas ou futebol no meio da estrada com todas as crianças lá da rua, agora é cada um estar com um telemóvel ou o comando da PSP na mão, ou até mesmo 3 mil actividades extra curriculares fechadas num espaço pequeno até às 8 da noite. A juntar a isso, vejo pais cada vez mais stressados, sem paciência e a pedir aos pais (avós) para guardarem um putos porque estão cansados e precisam dormir (true story!).

Acho que estás a ver a coisa de forma demasiado negativa.

Tu dás a educação que queres aos teus filhos.
Vejo muitos a dizer "já não se brinca na rua" e depois não deixam os seus filhos andar na rua porque agora "é mais perigoso" que na altura deles.

Dantes era igualmente perigoso, não havia era noção [:D]
 
Última edição:
Achas mesmo que há menos qualidade de vida que nos anos 60/70/80 ?

Que em geral se vive mais isso é indiscutível, que em geral se vive melhor também me parece evidente. Mas esse viver melhor tem excepções, que certamente constituirão uma minoria, mas que ainda assim existe.

Eu próprio sinto que profissionalmente já tive mais qualidade de vida, há mais de 30 anos quando havia salas enormes cheias de dactilógrafas. Agora sou eu que tenho de fazer tudo! Onde está o aumento de qualidade de vida nisso? hehehe

Em geral penso que as classe financeiramente mais abonadas tinham mais qualidade de vida antigamente. Mais que não seja porque existia um enorme número de pessoas que nasciam condenadas a serem serviçais.
 
Última edição:
Eu disse que se vive mais e melhor que há poucas décadas atrás.

Vive-se mais é factual
Vive-se melhor, é ver os indicadores

Achas mesmo que há menos qualidade de vida que nos anos 60/70/80 ?
Também estou em idade de ter filhos e não há rigorosamente nada que me puxe para isso. Uma das razões tem a ver com o facto de não puder dar aos meus -possíveis- filhos a qualidade de vida que tinha quando era criança. O que antes era brincar à apanhada, às escondidas ou futebol no meio da estrada com todas as crianças lá da rua, agora é cada um estar com um telemóvel ou o comando da PSP na mão, ou até mesmo 3 mil actividades extra curriculares fechadas num espaço pequeno até às 8 da noite. A juntar a isso, vejo pais cada vez mais stressados, sem paciência e a pedir aos pais (avós) para guardarem um putos porque estão cansados e precisam dormir (true story!).[/QUOTE]

Acho que estás a ver a coisa de forma demasiado negativa.

Tu dás a educação que queres aos teus filhos.
Vejo muitos a dizer "já não se brinca na rua" e depois não deixam os seus filhos andar na rua porque agora "é mais perigoso" que na altura deles.

Dantes era igualmente perigoso, não havia era noção [:D][/QUOTE]

Se há pessoa negativa neste assunto, essa pessoa sou eu [:D]

Talvez por olhar para a minha infância na aldeia com bastante saudosismo, é que tenho a ideia que antes é que era bom. Eu creio que na altura, por não existir tanta informação/tecnologia, as pessoas não se preocupavam tanto, davam-se mais e ao fim de contas, eram mais felizes e, consequentemente, tinham uma muito melhor qualidade de vida. Deixa-me por isto assim: De que vale teres um sofá super confortável que te custou os olhos da cara e veres o programa Y na TV de 100 polegadas e que pagaste com o teu ordenado XPTO se ao final do dia não vais conseguir relaxar porque tens a cabeça a mil à hora por causa de um problema no escritório e não tens tempo para nada? Mas lá está, é a minha mera opinião [;)]

Eu posso dar a educação que quero à criança mas os putos vão sempre comparar-se com os colegas e apanhar hábitos de fora. Falo por mim que apesar de ter tido uma educação muito rígida e sem grandes bens materiais, via os meus colegas da escola a ter/fazer e também queria. O que valia à minha mãe era a vassoura lá de casa e o chinelo voador :sh)
 
Que em geral se vive mais isso é indiscutível, que em geral se vive melhor também me parece evidente. Mas esse viver melhor tem excepções, que certamente constituirão uma minoria, mas que ainda assim existe.

Eu próprio sinto que profissionalmente já tive mais qualidade de vida, há mais de 30 anos quando havia salas enormes cheias de dactilógrafas. Agora sou eu que tenho de fazer tudo! Onde está o aumento de qualidade de vida nisso? hehehe

Em geral penso que as classe financeiramente mais abonadas tinham mais qualidade de vida antigamente. Mais que não seja porque existia um enorme número de pessoas que nasciam condenadas a serem serviçais.

És um rude classe alta que oprime a classe baixa, e que anda de carocha só pa brincar aos pobrezinhos, rude ! [:p][:D]
 
Também estou em idade de ter filhos e não há rigorosamente nada que me puxe para isso. Uma das razões tem a ver com o facto de não puder dar aos meus -possíveis- filhos a qualidade de vida que tinha quando era criança. O que antes era brincar à apanhada, às escondidas ou futebol no meio da estrada com todas as crianças lá da rua, agora é cada um estar com um telemóvel ou o comando da PSP na mão, ou até mesmo 3 mil actividades extra curriculares fechadas num espaço pequeno até às 8 da noite. A juntar a isso, vejo pais cada vez mais stressados, sem paciência e a pedir aos pais (avós) para guardarem um putos porque estão cansados e precisam dormir (true story!).
É bastante por aí, é.

Eu tenho dois filhos já crescidos (22 e 25 anos) e não deixo de pensar que tive uma melhor vida do que eles alguma vez terão, em termos de liberdade, qualidade do ambiente, espaço, tempo livre, etc. E para alguém com estudos superiores, ou até mesmo com o 12º ano, era canja arranjar um bom emprego.

És um rude classe alta que oprime a classe baixa, e que anda de carocha só pa brincar aos pobrezinhos, rude ! [:p][:D]
Nenhum funcionário, a não ser as referidas dactilógrafas, escrevia à maquina. E os computadores eram para os "operadores de dados". Um qualquer jovem economista imberbe era um senhor, não tinha de fazer dessas coisas. [:p]

Outro exemplo: A classe e estatuto social que tinham os bancários de há 50 anos quando comparados com os de hoje. Vem-me à memoria um senhor que dirigia uma dependência do BES, senhor que toda a gente identificava por "Dr. Charuto", porque o senhor andava todo o dia de charuto. Hoje em dia alguém com um cargo idêntico nem um cigarro pode fumar no local de trabalho. [:D]
 
Última edição:
A diminuicao das assimetrias sociais faz com que as pessoas que eram mais ricas percam poder de compra e consequente qualidade de vida. É a vida!
 
novo não é, mas quando a sociedade foi maioritariamente constituida por filhos unicos, que viverão longe dos seus filhos, se os tiverem, que não terão relacionamentos profundos com ninguém, praticamente não terão parentes, nem irmãos, nem nem tios, nem primos, nem sobrinhos, com amigos de passagem, será uma sociedade aonde a solidão será um peso cada vez maior

e será muito provavelmente uma sociedade aonde o individualismo dominará

muito provavelmente será transitório porque não vejo grande futuro para uma sociedade assim constituida

Vou-te dar uma pista sobre o futuro:

" O futuro a Alá pertence!"
 
A diminuicao das assimetrias sociais faz com que as pessoas que eram mais ricas percam poder de compra e consequente qualidade de vida. É a vida!
As pessoas mais ricas ganharam poder de compra, não é por aí.

Imagina uma época em que poucos eram aqueles que tinham carro, nesse tempo bastava ir para uma praia um pouco mais afastada do centro da Caparica para se estar sozinho. Agora nem fazendo 300kms para o Algarve se consegue o mesmo efeito.

Outro exemplo: Há 50 anos o hotel Vasco da Gama em Monte Gordo (nesse tempo um 5 estrelas) tinha praia privativa. Actualmente isso não é permitido.
 
As pessoas mais ricas ganharam poder de compra, não é por aí.

Imagina uma época em que poucos eram aqueles que tinham carro, nesse tempo bastava ir para uma praia um pouco mais afastada do centro da Caparica para se estar sozinho. Agora nem fazendo 300kms para o Algarve se consegue o mesmo efeito.

Outro exemplo: Há 50 anos o hotel Vasco da Gama em Monte Gordo (nesse tempo um 5 estrelas) tinha praia privativa. Actualmente isso não é permitido.

Isso das mais ricas terem ganho poder de compra sao mesmo os 0.1% desta vida. Muitas das famílias que tinham empregados a tempo inteiro deixaram de os ter.

Numa época em que a distribuicao de riqueza era desigual poucos tinham carro, logo quem os tinha (os mais ricos) tinham uma melhor qualidade de vida porque havia menos transito e estacionamento mais fácil.
 
Indo para troia o que não falta é espaço para se estar à vontade na praia.
Referi a Caparica porque fica a apenas 10kms de Lisboa. Chegar a troia vindo de Lisboa sempre foi muito mais complicado, desde logo porque não há ponte.

Isso das mais ricas terem ganho poder de compra sao mesmo os 0.1% desta vida. Muitas das famílias que tinham empregados a tempo inteiro deixaram de os ter.

Numa época em que a distribuicao de riqueza era desigual poucos tinham carro, logo quem os tinha (os mais ricos) tinham uma melhor qualidade de vida porque havia menos transito e estacionamento mais fácil.
Karma, desculpa lá mas estás a misturar "qualidade de vida" com "poder de compra". Tu tinhas mais qualidade de vida gastando menos, ou mesmo nada. É a isso que me refiro.

Não conheço ninguém que fosse rico e que hoje seja menos rico, como se costuma dizer "dinheiro puxa dinheiro". As exceções a regra são as falências, mas muitas vezes até quando vão à falência os ricos se safam melhor do que os pobres. Como tu disseste "é a vida". [;)]

Na questão dos carros repetiste o que eu tinha escrito. O meu avô tinha carros, eu tenho carros, carros idênticos, a diferença é que ele tinha as estradas e as avenidas livres para ir e vir do trabalho e eu não. [:p]

edit: Depois há também aqueles que pensam que são ricos mas que efetivamente não o são. Isso é que de facto acontece hoje como acontecia há 50 anos.

Mas o tema do tópico é "qualidade de vida". Ora com o aumento da poluição, o buraco do ozono, a subida do nível do mar (praias reduzidas), peixe congelado, etc. É óbvio que a qualidade de vida se reduz. Até comprar bananas da madeira se tornou complicado! [:p]
 
Última edição:
Karma, desculpa lá mas estás a misturar "qualidade de vida" com "poder de compra". Tu tinhas mais qualidade de vida gastando menos, ou mesmo nada. É a isso que me refiro.

Não conheço ninguém que fosse rico e que hoje seja menos rico, como se costuma dizer "dinheiro puxa dinheiro". As exceções a regra são as falências, mas muitas vezes até quando vão à falência os ricos se safam melhor do que os pobres. Como tu disseste "é a vida". [;)]

Na questão dos carros repetiste o que eu tinha escrito. O meu avô tinha carros, eu tenho carros, carros idênticos, a diferença é que ele tinha as estradas e as avenidas livres para ir e vir do trabalho e eu não. [:p]

edit: Depois há também aqueles que pensam que são ricos mas que efetivamente não o são. Isso é que de facto acontece hoje como acontecia há 50 anos.

A qualidade de vida de entao é muitas vezes obtida devido á distribuicao desigual de riqueza, o caso dos carros é paradigmático disso.
 
prazer e felicidade são coisas diferentes

podemos ter mais prazer em beber champanhe e comer um bife do lombo, mas provavelmente seremos mais felizes ao fazer uma refeição simples ao lado de alguém de quem gostamos sinceramente

o que me parece é que a qualidade de vida em termos materiais pode estar a aumentar, está a aumentar

mas a insatisfação também, a felicidade das pessoas parece-me estar a diminuir e isso parece-me ter a ver com a qualidade dos relacionamentos que as pessoas conseguem construir

e dai a era da solidão

enquanto a pessoa está mais ativa isso pode ir-se disfarçando, mas parece-me e tenho relatos disso que a partir de certa idade, principalmente quando o filho/a abandona a casa materna/paterna a sensação de solidão dispara e a felicidade é bastante menor, têm mais qualidade de vida... mas numa casa vazia, numa vida vazia de amor e amizades

o que me parece é que estamos na iminencia de isto se agravar muito porque os filhos unicos filhos de filhos unicos terão muito menos condições, principalmente educacionais, para construir relacionamentos familiares e de amizade profundos

e também me parece que as redes sociais podem funcionar de forma a agravar o problema em muitos casos

há outros grãos na engrenagem, uma das minhas interrogações é procurar o motivo para nalguns paises até as uniões de facto estarem a diminuir, não apenas os casamentos, mas até as uniões de facto... quem as está a evitar, os homens, as mulheres ou ambos? É intencional ou um efeito secundário de outra coisa qualquer
 
há outros grãos na engrenagem, uma das minhas interrogações é procurar o motivo para nalguns paises até as uniões de facto estarem a diminuir, não apenas os casamentos, mas até as uniões de facto... quem as está a evitar, os homens, as mulheres ou ambos? É intencional ou um efeito secundário de outra coisa qualquer

1) Acima de tudo porque não há paciência para compreender e ouvir porque já estamos "cheios" do dia de trabalho ou de problemas que tornámos grandes. Estamos em stress constante;

2) Por outro lado, devido à progressão do papel da mulher na sociedade. Antes a mulher apanhava, era traída, não tinha o seu próprio dinheiro e era obrigada a "comer e calar" com o que tinha em casa; agora a mulher tem condições de "bater a porta".
 
então é a mulher que está a fugir de relacionamentos com compromisso?

bem, no caso das mulheres negras de sucesso nos USA eu sei que é

ou antes, para ficar mais claro, as mulheres negras com mais sucesso academico dos USA têm uma taxa de natalidade baixissima, o que não quer dizer que não quisessem ter filhos num casamento ou uma união de facto, provavelmente não encontram é homens ao seu nivel que estejam disponiveis para se comprometerem com elas num relacionamento sério

os homens negros americanos na maior parte dos casos ligam pouco aos seus filhos e não são muito fiáveis
 
Última edição:
1) Acima de tudo porque não há paciência para compreender e ouvir porque já estamos "cheios" do dia de trabalho ou de problemas que tornámos grandes. Estamos em stress constante;

2) Por outro lado, devido à progressão do papel da mulher na sociedade. Antes a mulher apanhava, era traída, não tinha o seu próprio dinheiro e era obrigada a "comer e calar" com o que tinha em casa; agora a mulher tem condições de "bater a porta".

Penso que já é tempo de ultrapassar este estereótipo. Sim, é verdade que isso aconteceu (como também o apartheid existiu) mas, felizmente, acontece cada vez menos. Todavia, tem o efeito de manter sobre todos os homens o opróbrio da desconfiança.

O que eu saliento é a dificuldade de, em igualdade de circunstâncias (entre homens e mulheres) se conseguir manter relacionamentos estáveis e duradouros. Provavelmente será mais difícil definir os papéis e, casamentos para toda a vida serão, neste novo contexto, uma raridade.

A verdade é que tanto homens como mulheres podem muito bem viver sozinhos, já ninguém precisa que lhes lavem as meias. Já não há uma relação de dependência que trocava prestação de serviços domésticos por estabilidade financeira. É muito mais cómodo não ter de fazer cedências e cada um viver a vida à sua maneira. Já nem para ter filhos se necessita de alguém do sexo oposto.

Acho muito mais interessante assim, pelo menos há cada vez menos gente contrariada mantendo relações de aparência apenas por pressão social.
 
Voltar
Superior