a era da solidão

E mesmo assim há a ajuda da Seg Social, se não, nem famílias de 3 e 4 pessoas juntas teriam dinheiro para os lares.
Não é dificil passar dos 1500 euros por mês.
 
E mesmo assim, já muitos dos funcionários dos lares recebem mal, ou seja os menos qualificados mas que têm tarefas que exigem muito estômago, aliás tal como os auxiliares dos hospitais.
Porque se esses funcionários fossem receber o que é justo, os lares ainda seriam mais caros.
 
É um assunto que tem muito que se lhe diga e tem situações muito díspares. Se há lares (ERPIs) que vivem com dificuldades e também há muitos que têm mais valias com os velhotes. Sei bem o que digo porque já auditei contas de muitas ERPIs sobretudo das misericórdias. Há algumas que são geridas como verdadeiros negócios de fazer dinheiro.

Sem prejuízo de convenções particulares que possam ditar valores superiores, a Segurança Social paga às ERPI 660,37 euros por mês por utente de lar, a que acrescem mais 113,22 se o utente tiver um grau de dependência, mais 53,93 euros se o utente tiver grau de dependência superior a 75% o que é a maioria. Portanto uma ERPI recebe 827,52 euros da SS por utente.
Depois recebe parte da reforma/pensao do utente, que é calculada mediante uma formula que leva em linha de conta o rendimento líquido do utente deduzido das despesas fixas com saúde. Se o resultado dessa fórmula acrescido da contribuição da SS for inferior a um valor de referência de 1.061,20 euros por mês, a ERPI pede comparticipação à família. Mas se for superior a ERPI fica com o resultado dessa fórmula. Não pára nos 1.061,20.
Imaginemos um pensionista que recebe meros 500 euros de pensão por mês e tem 150 euros de despesas de saúde. O valor da sua comparticipação na ERPI é de 315 se tiver o grau de dependência máximo previsto na lei. Se receber mais, mais paga. Ou seja, a ERPI recebe para tratar aquele utente 827,52 euros + 315 = 1.142,52.

Agora tudo depende do lar! Se é verdade que para muitos um valor médio de 1.100 euros por pessoa é pouco para dar um tratamento condigno, também não é menos verdade que há alguns que ganham muito dinheiro com isto.
 
segundo li algures um idoso num lar representa um custo médio de 1200 euros.

os lares das IPSS e misericordias, que creio que seja aonde estão a maioria dos idosos recebem parte das suas receitas de uma percentagem da pensão de reforma dos idosos, outra parte vem do estado

em média, segundo li numa entrevista a um dirigente da associação de IPSS, esses lares recebem cerca de 500 euros do estado, por idoso, os idosos em média pagam 400 a 500 euros e depois as IPSS acabam por conseguir os restantes 200 a 300 euros em donativos da população

claro que muitas instituições acabam por selecionar os idosos que recebem pela pensão que auferem, de forma a conseguir ser sustentáveis

de qualquer modo parece-me que depende muito da cultura de cada povo, em Portugal os idosos se estiverem com saude razoavel e automanos não querem ir para nenhum lar, tenha ele a qualidade que tiver

quantas pessoas de 70 anos com autonomia que querem ir viver para um lar?

creio também que tipicamente as ligaçoes familiares, de amizade e até de vizinhança em portugal são mais fortes e isso faz com que a ideia de ir viver para um lar seja menos apelativa para os idosos portugueses

porque se virmos o caso holandes, a confirmar-se, 42% dos idosos a morar em lares, isto mostra uma cultura diferente, o idoso tipico destes lares será muito diferente do idoso tipico dos lares portugueses, será um idoso ainda com autonomia e em portugal raramente os idosos querem ir para um lar quando ainda estão autonomos
 
É um assunto que tem muito que se lhe diga e tem situações muito díspares. Se há lares (ERPIs) que vivem com dificuldades e também há muitos que têm mais valias com os velhotes. Sei bem o que digo porque já auditei contas de muitas ERPIs sobretudo das misericórdias. Há algumas que são geridas como verdadeiros negócios de fazer dinheiro.

Sem prejuízo de convenções particulares que possam ditar valores superiores, a Segurança Social paga às ERPI 660,37 euros por mês por utente de lar, a que acrescem mais 113,22 se o utente tiver um grau de dependência, mais 53,93 euros se o utente tiver grau de dependência superior a 75% o que é a maioria. Portanto uma ERPI recebe 827,52 euros da SS por utente.
Depois recebe parte da reforma/pensao do utente, que é calculada mediante uma formula que leva em linha de conta o rendimento líquido do utente deduzido das despesas fixas com saúde. Se o resultado dessa fórmula acrescido da contribuição da SS for inferior a um valor de referência de 1.061,20 euros por mês, a ERPI pede comparticipação à família. Mas se for superior a ERPI fica com o resultado dessa fórmula. Não pára nos 1.061,20.
Imaginemos um pensionista que recebe meros 500 euros de pensão por mês e tem 150 euros de despesas de saúde. O valor da sua comparticipação na ERPI é de 315 se tiver o grau de dependência máximo previsto na lei. Se receber mais, mais paga. Ou seja, a ERPI recebe para tratar aquele utente 827,52 euros + 315 = 1.142,52.

Agora tudo depende do lar! Se é verdade que para muitos um valor médio de 1.100 euros por pessoa é pouco para dar um tratamento condigno, também não é menos verdade que há alguns que ganham muito dinheiro com isto.

eu pouco sei sobre isso

o que ouço dizer a alguns responsaveis por IPSS que gerem lares, entre outras valencias, é que vivem no limite e muitas vezes a gestão da IPSS é em parte assegurada por voluntarios, se fosse paga daria prejuizo

aliás não me admiraria se nos proximos tempos houvesse uma vaga de falencias nas IPSS
 
E mesmo assim, já muitos dos funcionários dos lares recebem mal, ou seja os menos qualificados mas que têm tarefas que exigem muito estômago, aliás tal como os auxiliares dos hospitais.
Porque se esses funcionários fossem receber o que é justo, os lares ainda seriam mais caros.

É verdade, por exemplo trocar uma fralda suja de cocó de um idoso é só para quem estômago. Mas quando dizes que eles deveriam ganhar mais para ser justo é aumentando todos os outros na mesma proporção (técnicos, enfermeiros...)? ou é, colocar os auxiliares mais próximos do que ganham os técnicos superiores?
 
É verdade, por exemplo trocar uma fralda suja de cocó de um idoso é só para quem estômago. Mas quando dizes que eles deveriam ganhar mais para ser justo é aumentando todos os outros na mesma proporção (técnicos, enfermeiros...)? ou é, colocar os auxiliares mais próximos do que ganham os técnicos superiores?

O problema das remunerações não se coloca só naquilo que recebem mas sim no tipo de pessoas que se consegue atrair com os salários que se pagam. Actualmente a pagar o salário mínimo só se conseguem atraír pessoas (falo dos auxiliares que fazem a esmagador maioria do trabalho "pesado") sem qualquer tipo de competências especificas. É gente com pouca formação escolar o que na maioria das vazes anda de mãos dadas com a falta de capacidade para terem uma aprendizagem formativa adequada. Por essa razão a qualidade do serviço prestado nunca será a ideal. É gente que adquire competências básicas para mudar fraldas mas só com muita dificuldade adquirem competências mais sofisticadas, como por exemplo a capacidade de identificar sinais de demência, ter sensibilidade para tratar o utente como pessoa e não como um objecto que para ali está, conversar com eles, etc.
 
O problema das remunerações não se coloca só naquilo que recebem mas sim no tipo de pessoas que se consegue atrair com os salários que se pagam. Actualmente a pagar o salário mínimo só se conseguem atraír pessoas (falo dos auxiliares que fazem a esmagador maioria do trabalho "pesado") sem qualquer tipo de competências especificas. É gente com pouca formação escolar o que na maioria das vazes anda de mãos dadas com a falta de capacidade para terem uma aprendizagem formativa adequada. Por essa razão a qualidade do serviço prestado nunca será a ideal. É gente que adquire competências básicas para mudar fraldas mas só com muita dificuldade adquirem competências mais sofisticadas, como por exemplo a capacidade de identificar sinais de demência, ter sensibilidade para tratar o utente como pessoa e não como um objecto que para ali está, conversar com eles, etc.

Concordo na generalidade com o que escreveste. Hoje em dia já não deve existir lar que não exija formação na área, mas, mesmo com formação os auxiliares acabam por ter na maioria o perfil que indicaste, as próprias formações não podem ser mais exigentes... Daí a pergunta em jeito de provocação (bem intencionada) ao escapelivre. Obviamente que toda a gente merecia ganhar mais, auxiliares, limpeza, administrativos, enfermeiros... mas não me parece que na estrutura de recursos humanos de um típico lar, os auxiliares tivessem argumentos para ficarem mais próximos do salário dos técnicos. O trabalho exige estômago, mas nada mais que isso, se o velhote morrer porque o auxiliar não identificou o AVC, a culpa será sempre dos técnicos.
 
o governo de Theresa may criou o ministério da solidão
Um

calcula-se que no Reino unido cerca de 9 milhões de pessoas vivam sós

https://www.tsf.pt/internacional/in...-ter-uma-ministra-para-a-solidao-9056694.html

um relatório no Reino unido calculou o prejuízo para s economia em 3,8 mil milhões por ano
diz também a notícia acima que a solidão pode ser mais prejudicial que a obesidade ou fumar 15 cigarros por dia

e é um problema que tenderá a agravar-se muito nos próximos anos

para uns pode ser realmente uma opção pela liberdade, muitas vezes derivada da dificuldade em lidar com o outro e as concessões mútuas que uma vida em comum implicam, sendo a solidão uma consequência que pode ou não ter sido prevista
para outros pode ter sido apenas um acidente na vida

o facto é que as pessoas que vivem sós são cada vez mais e as pessoas que sofrem com a solidão também
assim como aumenta o número de pessoas com dificuldade em criarem relacionamentos com alguma profundidade

https://lonelinesslab.org/


As pessoas vivem sozinhas, mas existem insitituicoes em todo o lado com actividades de forma constante designadas para pessoas idosas e e nao só.

Para além disso, os idosos no UK nao pagam transportes publicos, podendo viajar para onde quiserem (dentro do país claro), como quiserem a qualquer altura.


Um dos meus vizinhos é um casal, devem de estar próximos dos 70, raramente estao por casa, pegam no carro vao até ao park and ride e vao quase todos os dias passear para vários locais, muitas vezes sabem de eventos em outras cidades, toca a apanhar o comboio e lá vao eles.






segundo li algures um idoso num lar representa um custo médio de 1200 euros.

os lares das IPSS e misericordias, que creio que seja aonde estão a maioria dos idosos recebem parte das suas receitas de uma percentagem da pensão de reforma dos idosos, outra parte vem do estado

em média, segundo li numa entrevista a um dirigente da associação de IPSS, esses lares recebem cerca de 500 euros do estado, por idoso, os idosos em média pagam 400 a 500 euros e depois as IPSS acabam por conseguir os restantes 200 a 300 euros em donativos da população

claro que muitas instituições acabam por selecionar os idosos que recebem pela pensão que auferem, de forma a conseguir ser sustentáveis

de qualquer modo parece-me que depende muito da cultura de cada povo, em Portugal os idosos se estiverem com saude razoavel e automanos não querem ir para nenhum lar, tenha ele a qualidade que tiver

quantas pessoas de 70 anos com autonomia que querem ir viver para um lar?

creio também que tipicamente as ligaçoes familiares, de amizade e até de vizinhança em portugal são mais fortes e isso faz com que a ideia de ir viver para um lar seja menos apelativa para os idosos portugueses

porque se virmos o caso holandes, a confirmar-se, 42% dos idosos a morar em lares, isto mostra uma cultura diferente, o idoso tipico destes lares será muito diferente do idoso tipico dos lares portugueses, será um idoso ainda com autonomia e em portugal raramente os idosos querem ir para um lar quando ainda estão autonomos

A questao muitas vezes tem mais a ver com os custos associados vs aquilo que conseguem obter do lar.

Claro que existe e sempre existirao pessoas que sendo autonomos preferem estar nas suas casas do que irem para um lar, mas convenhamos que se sentem sozinhos, que nao tem apoio de ninguém e ficam naquela rotina monotona de acordar, vao ao café, falam com outros vellhos e depois no final do dia voltam para casa, isso nao é de maneira alguma saudável.

Já se estivessem num lar com qualidade decente, teriam actividades, teriam pessoas com quem falar, nao teriam uma velhice monotona.

Depois tens a questao de custos, alguém na Holanda certamente que tem muito mais possibilidades de pagar pelo lar (isto se lá nao for grátis ou próximo disso), já em Portugal a maioria dos idosos nao tem como pagar, logo tem de os filhos que muitos já estao numa situacao precária pagar.

Cada caso é um caso mas com uma reforma média abaixo dos 400Euros/Mes nao me parece que as pessoas se possam dar a luxos como ir para um lar.
 
Última edição:
quando vieres a portugal fala com alguns idosos e pergunta se querem ir para um lar

só mesmo se estiverem incapacitados, noutras situações a ideia de um viver para um lar é vivamente repudiada, tenham ou não dinheiro

o que gostariam mesmo é de viver em casa de um filho/a
 
Antes sós que mal acompanhados.
Sempre ouvi dizer isso.
E cada vez mais concordo.
Desde que não dependam de terceiros para fazer a sua vida, claro.
essa frase quer dizer muito pouco, quando vives os últimos 20 anos da tua vida sozinho com os filhos a ligarem-te pouco. Não defendo que o modelo seja juntar velhotes para se remediarem uns aos outros. Na vida não há só grandes companhias ou más companhias. Enquanto estudante e quando era mais novo vivi com em várias residências de estudantes e arrendei casas com amigos e com desconhecidos. Sempre preferi viver com malta do que sozinho. Uns eram melhores companhia outros eram piores. O tuga adora dizer essa frase do mais vale só que mal acompanhado, mas na vida real isso é mto pouco palpável. Regra geral as pessoas não são más companhias.
A minha avó eram 4 irmãs, todas enviuvaram cedo e todas ficaram a viver sozinhas quase até morrer. Se calhar olhando para trás não teria sido má opção viverem juntas.
 
Depende das pessoas.
E das idades, e de tudo isto junto.

O tuga adora dizer que mais vale só que mal acompanhado, porque efectivamente é a mais pura das verdades.
 
quando vieres a portugal fala com alguns idosos e pergunta se querem ir para um lar

só mesmo se estiverem incapacitados, noutras situações a ideia de um viver para um lar é vivamente repudiada, tenham ou não dinheiro

o que gostariam mesmo é de viver em casa de um filho/a

Claro que nao querem, lares com pouca qualidade ao preco de lares de luxo, nem eu queria como é óbvio, para além de que em Portugal há muito a cultura de que ir para um lar é como se fosse para um local onde ninguém quer saber deles e ficam ali a espera do dia da morte.

É olhado por "todos" como algo mau, o que em muitos casos em Portugal é.


Quanto a querer viver em casa de um filho/a, também é natural antes preferia estar na casa de um filho/a do que estar num lar, mas, os filhos tem a sua própria vida e nos dias sao raros os que podem se dar ao luxo de ficar em casa a cuidar dos pais, em muitos casos alguns que até necessitam de muita atencao, mas também nao há dinheiro para ir para um lar, por isso é que muitos pura e simplesmente ficam ao abandono.

Estás a tentar fazer a comparacao com outros países como se uma percentagem mais baixa de idosos em lares fosse algo positivo, lamento mas nao é.
 
Claro que nao querem, lares com pouca qualidade ao preco de lares de luxo, nem eu queria como é óbvio, para além de que em Portugal há muito a cultura de que ir para um lar é como se fosse para um local onde ninguém quer saber deles e ficam ali a espera do dia da morte.

É olhado por "todos" como algo mau, o que em muitos casos em Portugal é.


Quanto a querer viver em casa de um filho/a, também é natural antes preferia estar na casa de um filho/a do que estar num lar, mas, os filhos tem a sua própria vida e nos dias sao raros os que podem se dar ao luxo de ficar em casa a cuidar dos pais, em muitos casos alguns que até necessitam de muita atencao, mas também nao há dinheiro para ir para um lar, por isso é que muitos pura e simplesmente ficam ao abandono.

Estás a tentar fazer a comparacao com outros países como se uma percentagem mais baixa de idosos em lares fosse algo positivo, lamento mas nao é.


nem positivo nem negativo, mas parece-me que é um indicador de diferenças culturais, de mentalidae

em portugal os idosos só querem ir para um lar quando já estão muito debilitados, seja o lar bom ou mau, simplesmente enquanto estão capazes não querem ir para um lar

quando se vê que na holanda 42% das pessoas com mais de 65 anos vivem em lares é obvio que na holanda a mentalidade é diferente
 
Depende das pessoas.
E das idades, e de tudo isto junto.

O tuga adora dizer que mais vale só que mal acompanhado, porque efectivamente é a mais pura das verdades.
claro é isso, e o onde há fumo há fogo. etc.
Aliás nem sei porque precisamos de sistema judicial, onde há fumo há fogo. É assim também que se trata de uma das grandes patologias da nossa sociedade: mais vale só que mal acompanhado; e se a isto juntares o quem está mal que se mude, então é que resolves todos os problemas de portugal.
 
nem positivo nem negativo, mas parece-me que é um indicador de diferenças culturais, de mentalidae

em portugal os idosos só querem ir para um lar quando já estão muito debilitados, seja o lar bom ou mau, simplesmente enquanto estão capazes não querem ir para um lar

quando se vê que na holanda 42% das pessoas com mais de 65 anos vivem em lares é obvio que na holanda a mentalidade é diferente

tu continuas a ver isso da maneira que te dá mais jeito...

Na holanda muito provavelmente as pessoas tem melhores condicoes estando nos lares que em casa, por isso e como podem pagar preferem ir para um lar do que ficar em casa sozinhos muitas vezes durante dias/semanas porque os filhos tem a vida deles e muitos provavelmente nao vivem sequer perto.

Acho que também nao há assim tanta gente nas care hoje por cá, mas por norma sao mais desenhadas para pessoas que tenham doencas que as impossibilitem de ter uma vida mais ou menos normal, os custos das care homes depende dos savings, mas geralmente falando poucos sao os que pagam e quando pagam é um valor baixo.
 
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