a era da solidão

Referi a Caparica porque fica a apenas 10kms de Lisboa. Chegar a troia vindo de Lisboa sempre foi muito mais complicado, desde logo porque não há ponte.

Karma, desculpa lá mas estás a misturar "qualidade de vida" com "poder de compra". Tu tinhas mais qualidade de vida gastando menos, ou mesmo nada. É a isso que me refiro.

Não conheço ninguém que fosse rico e que hoje seja menos rico, como se costuma dizer "dinheiro puxa dinheiro". As exceções a regra são as falências, mas muitas vezes até quando vão à falência os ricos se safam melhor do que os pobres. Como tu disseste "é a vida". [;)]

Na questão dos carros repetiste o que eu tinha escrito. O meu avô tinha carros, eu tenho carros, carros idênticos, a diferença é que ele tinha as estradas e as avenidas livres para ir e vir do trabalho e eu não. [:p]

edit: Depois há também aqueles que pensam que são ricos mas que efetivamente não o são. Isso é que de facto acontece hoje como acontecia há 50 anos.

Mas o tema do tópico é "qualidade de vida". Ora com o aumento da poluição, o buraco do ozono, a subida do nível do mar (praias reduzidas), peixe congelado, etc. É óbvio que a qualidade de vida se reduz. Até comprar bananas da madeira se tornou complicado! [:p]

Ando a ter a mesma dificuldade[:D]

Cump.
 
Ai sim !? Não se vive mais agora? Não há mais qualidade de vida?
Esperança média de vida em Portugal:

[TABLE="class: dataTable, width: 0"]
[TR="class: odd"]
[TD="class: ValueCell, align: center"][FONT=Verdana, Arial, Tahoma, Calibri, Geneva, sans-serif]64,0[/FONT][/TD]
[TD="class: ValueCell, align: center"][FONT=Verdana, Arial, Tahoma, Calibri, Geneva, sans-serif]81,6[/FONT][/TD]
[/TR]
[/TABLE]
1960 - 64,0
2017 - 81,6

Só mais 17 anos, mas dantes é que era bom [:D]


Estes tópicos do III desembocam sempre na mesma lenga lenga, falta de valores, esta modernice da igualdade, a internet, outras culturas etc é que dá cabo disto tudo.

E o mais engraçado é que na ideia geral concordo com ele na parte de que temos um problema demográfico, vão surgir problemas sociais e estruturais (S. Social) daí.
Mas não preciso de bodes expiatórios, porque não os há, é tudo bem mais complexo sociologicamente para apontar dedos.

É preciso é soluções e não apontar culpas.
Já aqui o disse, se os conservadores querem de facto manter a nossa sociedade nos moldes actuais, temos que ter mais filhos.

Para isso é preciso o quê?
Eu estou na idade e digo, é preciso condições para isso.
É ridículo ser mais fácil arranjar uma escola secundária que uma cresce pública. Trabalhamos demasiadas horas, há pouca flexibilidade laboral etc etc etc.
Falar em individualismo, quando dantes era mais fácil gerir onde deixar os miúdos por exemplo, é fácil.

Querem proteger os valores e a sociedade e cultura Europeia/Portuguesa, apontem armas para medidas pró-natalidade de relevo.
Não é proibir a emigração e deixar isto cheio de velhos que funciona, não é querer mudar mentalidades e forçar valores de antanho. E arranjar quem culpar, é só refilar.

a fatia maior do aumento da esperança média de vida é devida à menor mortalidade infantil

Parece-me que há uma incongruência pois por um lado dizes que se vive muito melhor por outro dizes que as condições para ter filhos são piores.. talvez porque as pessoas hoje estejam mais exigentes ou tenham outras prioridades
 
a fatia maior do aumento da esperança média de vida é devida à menor mortalidade infantil

Parece-me que há uma incongruência pois por um lado dizes que se vive muito melhor por outro dizes que as condições para ter filhos são piores.. talvez porque as pessoas hoje estejam mais exigentes ou tenham outras prioridades

Respondeste a ti próprio.
Não é incongruência.
Onde é que no globo nascem mais crianças per capita? Têm mais qualidade de vida lá por isso?
 
Vamos comparar o quê? O número de telemóveis ou de televisões a cores? [:p]

O que ele estava a dizer é que não há qualquer dúvida possível sobre a ENORME melhoria do acesso a todo o tipo de produtos (incluindo alimentares) nos últimos anos. Hoje em dia não falta nada.

Sobre a qualidade de vida: nós dormimos na cama que construímos. Nunca existiu tanta liberdade para cada um seguir o caminho que idealizou para a sua vida, nomeadamente aquilo que considera ser "qualidade de vida".
 
Última edição:
O que ele estava a dizer é que não há qualquer dúvida possível sobre a ENORME melhoria do acesso a todo o tipo de produtos (incluindo alimentares) nos últimos anos. Hoje em dia não falta nada.

Sobre a qualidade de vida: nós dormimos na cama que construímos. Nunca existiu tanta liberdade para cada um seguir o caminho que idealizou para a sua vida, nomeadamente aquilo que considera ser "qualidade de vida".
Em síntese disse precisamente isso na página anterior quando escrevi "Que em geral se vive mais isso é indiscutível, que em geral se vive melhor também me parece evidente."

Tendo dito isso pareceu-me mais interessante daí para diante desenvolver o tema tentado identificar as "excepções à regra".
 
há cada vez mais pessoas a viver sozinhas e a tendencia será para aumentar bastante

numa era de filhos unicos, de individualismo, aonde a procura de emprego obriga muitas vezes a mudar de localidade ou até de país vivemos cada vez mais numa era da solidão, aonde o convivio das pessoas é cada vez menor e cada vez mais superficial

as redes sociais paliam isto, mas muito pobremente

os jovens sentem menos isto, os adultos mais, os idosos muito mais

então quando a incapacidade bate à porta a solidão será cada vez maior

há cidades europeias aonde a maioria dos agregados familiares é já composto por pessoas que vivem sós (o que não quer dizer que a maioria das pessoas vivam sós)

E o teu amigo (vosso) amigo imaginário, não conta como companhia?
[:)]
 
O que ele estava a dizer é que não há qualquer dúvida possível sobre a ENORME melhoria do acesso a todo o tipo de produtos (incluindo alimentares) nos últimos anos. Hoje em dia não falta nada.

Sobre a qualidade de vida: nós dormimos na cama que construímos. Nunca existiu tanta liberdade para cada um seguir o caminho que idealizou para a sua vida, nomeadamente aquilo que considera ser "qualidade de vida".

Talvez a palavra chave entre o antes e o agora até seja "Liberdade".

Eu já nasci depois do 25 de Abril e como tal nem sequer consigo ter a noção completa do que seja a falta de Liberdade de expressão, por exemplo. Ou pelo menos noção do sentimento associado.

Depois existem muitos outros graus de liberdade. A abertura das fronteiras foi mais um passo, aí já assisti eu e conheci bem o antes, vivia perto de uma.

Existe também um certo tipo de liberdade proporcionado pelo próprio avanço das comunicações e transportes. O Jbranco fala dos kms que se tem de fazer para encontrar uma praia deserta, mas o certo é que hoje temos o avião relativamente democratizado: mais barato, mais seguro, mais regular (mais linhas).

Portanto as fronteiras + as comunicações foram se calhar os grandes avanços do meu tempo.

No que toca ao nosso país em concreto, se calhar falta o avanço económico suficiente para dar um outro grau de liberdade. Aquela liberdade da pessoa enveredar profissionalmente por algo à sua escolha e ter um rendimento suficiente e que lhe permita dormir descansado. Essa liberdade existe noutros países onde o nível de vida é superior. Aqui os trilhos são apertados, a maioria das pessoas acaba por "safar-se", mas pouco mais que isso. A ideia de ir para o interior viver ou fazer isto ou aquilo com a sua vida esbarra quase sempre ao fazer as contas...
 
o governo de Theresa may criou o ministério da solidão
Um

calcula-se que no Reino unido cerca de 9 milhões de pessoas vivam sós

https://www.tsf.pt/internacional/in...-ter-uma-ministra-para-a-solidao-9056694.html

um relatório no Reino unido calculou o prejuízo para s economia em 3,8 mil milhões por ano
diz também a notícia acima que a solidão pode ser mais prejudicial que a obesidade ou fumar 15 cigarros por dia

e é um problema que tenderá a agravar-se muito nos próximos anos

para uns pode ser realmente uma opção pela liberdade, muitas vezes derivada da dificuldade em lidar com o outro e as concessões mútuas que uma vida em comum implicam, sendo a solidão uma consequência que pode ou não ter sido prevista
para outros pode ter sido apenas um acidente na vida

o facto é que as pessoas que vivem sós são cada vez mais e as pessoas que sofrem com a solidão também
assim como aumenta o número de pessoas com dificuldade em criarem relacionamentos com alguma profundidade

https://lonelinesslab.org/
 
Última edição:


Famílias monoparentais e sem filhos já ultrapassa número de casais com descendência

Filho único. As restrições de hoje, a preferência de amanhã

a baixa da natalidade é devida ao numero de mulheres apenas com um filho

quando esta geração chegar à meia idade adulta praticamente não terá familia, quando chegar à velhice a solidão será esmagadora
Famílias monoparentais e sem filhos já ultrapassa número de casais com descendência


https://www.publico.pt/2019/05/15/s...s-registada-linha-sos-aumento-20-2018-1872706
Se for para isto mais vale só do que mal acompanhado. [:D]
 
vai ser cada vez mais isso, quando são mais filhos a cuidar dos pais idosos ficam menos sobrecarregados, agora quando é um filho/a unico a cuidar de 2 pais idosos

já se encontram casos em os pais e os filhos estão internados em lares de idosos e têm 1 neto único

e se for numa grande cidade, aonde o anonimato domina, as pessoas correm apressadas do emprego para casa, de casa para o emprego

é a solidão quase absoluta

parte da popularidade das redes sociais pode vir daí
 
Estudo. Nove em cada 10 idosos em tratamento médico sofrem de solidão


O estudo quis avaliar o impacto da solidão em idosos que estão a ser seguidos num centro de saúde. Para isso, foram entrevistadas 150 pessoas, com 65 anos ou mais, de uma zona urbana do Norte do país.
Cerca de 91% dos idosos seguidos nos cuidados de saúde primários revelam sentir algum grau de solidão, sendo que um terço reporta mesmo níveis graves, o que interfere com os cuidados, revela investigação.
A conclusão é de um estudo liderado por investigadores do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, em parceria com a Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-Norte), a que a Lusa teve acesso nesta segunda-feira.
O objetivo da investigação foi avaliar o impacto da solidão em idosos que estão a ser seguidos num centro de saúde. Para isso, foram entrevistadas 150 pessoas, com 65 anos ou mais, de uma zona urbana do Norte de Portugal.
Os resultados revelaram que os idosos que reportam níveis de solidão elevados estão mais frequentemente polimedicados.
“A solidão leva a um aumento do recurso aos serviços de saúde, como comprovamos através da relação desta com o consumo crónico de medicamentos, especialmente entre os idosos com mais de 80 anos de idade”, explicam os investigadores no estudo, que foi publicado na revista científica Family Medicine & Primary Care Review.
Paulo Santos, investigador do CINTESIS, e Catarina Rocha-Vieira, da ARS-Norte, defendem que “é importante que se perceba que a solidão nos idosos leva a maior somatização do seu sofrimento e aumenta o risco de serem sobremedicados”.
Por isso, apelam para que se definam “estratégias para reduzir a solidão entre os idosos, como forma de melhorar os indicadores individuais de saúde e diminuir o risco de sobrediagnóstico e de polimedicação”.
Atos simples como procurar companhia, participar na vida familiar e manter rotinas diárias ativas, que assegurem o contacto com outras pessoas, são exemplos de estratégias que podem reduzir a solidão e melhorar a saúde da população mais idosa, exemplificam os autores.
Defendem que “devem ser tomadas medidas políticas, legislativas, sociais e de saúde que promovam a manutenção de uma vida ativa após a reforma, de modo a estimular o sentido de utilidade dos idosos, protegendo-os da solidão e das suas consequências em termos de saúde”.
Os investigadores concluíram ainda que ter mais de 80 anos de idade, viver sozinho, possuir um baixo nível educacional (menos de nove anos), estar insatisfeito com os rendimentos e ter uma estrutura familiar disfuncional são os principais fatores que se associam à solidão.
Em contrapartida, ser casado ou viver em união de facto, e manter uma atividade profissional surgiram como fatores protetores.
Este estudo foi conduzido numa zona urbana do Norte de Portugal que apresenta uma proporção de população idosa ligeiramente abaixo da média nacional (estimada em 19%).
Na realidade do território nacional, e sobretudo nas regiões mais envelhecidas, como nos distritos do interior e no Alentejo, o problema pode ser ainda maior, consideram os investigadores.
Frisam que a solidão é comum na população geriátrica e interfere significativamente com os cuidados de saúde, devendo ser considerada um determinante de saúde.
“Incorporar esse fator no raciocínio de decisão clínica é fundamental para melhorar os cuidados de saúde”, referem os investigadores.
O estudo contou ainda com a participação de Gustavo Oliveira (da Unidade de Saúde Familiar Garcia d’Orta) e Luciana Couto (da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto).
 
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