A pobreza que não pára de aumentar em Portugal...

Choca-me muito mais ver crianças de 4 anos a serem vendidas pelos pais por 30 USD para ir trabalhar no Gana do que sber que alguem no mundo ocidental está a ganhar 400 € por mês...

Porque? Porque o ocidental se batalhar, se se mexer, se nao se resignar tem oportunidades de dar a volta por cima... já um pobre de um puto africano de 4/5 anos que vive numa palhota no meio de nenhures está condenado...

Esta sim é a pobreza que choca verdadeiramente....

Deve ser da globalização...só pode !!
 
A questão da produtividade é central. Também me custa pensar que os salários mais baixos não ultrapassem os 400 euros, mas como é possível aumentá-los significativamente se a produtividade não acompanha. Um exemplo que ocorre todos os dias: Como se pode aumentar o salário de um operário de uma fábrica se ele mal sabe ler e escrever (apesar de ter o 9º ano de escolaridade!), não quer aprender a trabalhar com uma simples CNC, acha que ter formação é uma seca, não acrescenta nada ao serviço que desempenha, não ouve os conselhos do director de produção, etc?
Eu sei que isto é só um lado da equação, mas enfim!


Olha, eu por 400€ também não queria saber de aprender nada...
É estranho que os improdutivos e mandriões trabalhadores portugueses,
quando vão lá para fora passem a ser dos melhores trabalhadores... muito estranho...

Não é dos trabalhadores que depende a produtividade, mas sim
do governo e dos gestores. O governo tem que dar educação e
formação para os futuros trabalhadores poderem ser mais polivalentes,
e os gestores têm que organizar a empresa e usar mais tecnologia,
mais design, mais marketing, mais etc...
para tornar a empresa mais produtiva. Não são de certeza os trabalhadores
não qualificados que vão aumentar a produtividade de nenhuma empresa...
 
Se alguém viu o prós e contras de ontem eu encaixo-me nos 10% que julga que pobres sempre existiram e sempre vão existir.....as classes sociais são inevitáveis e o centro do nosso sistema económico (e mundial)...ou julga-se que a pobreza em África é por falta de recursos? Ou capacidade? É simplesmente a "válvula" de regulação do mercado mundial a funcionar...e calhou serem aqueles desgraçados....


Eu só espero que, com o surgimento dos gigantes asiáticos - do qual a china ainda tem muito para mostrar -, essa válvula nunca se transfira para a Europa, a bem dos nossos netos e bisnetos.

:(
 
Parece que estás a começar a descobrir a economia!

mas ainda tens um longo percurso a percorrer....

É como o Colombo.... não lhe bastou colocar o ovo em pé em cima da mesa para fazer valer o seu ponto de vista... ele teve que descobrir a América primeiro.

Assim como tu ainda tens de descobrir "um pouco mais" de como funciona esta coisa chata que chamam de economia antes de propor soluções deste "calibre".


Não tenho grandes pretensões a discutir economia, haverá certamente quem o fará melhor que eu, por isso por ai não refutarei ou tão pouco vou explanar o tema da economia.

Mas pergunto-me a mim próprio, se os homens tem executado verdadeiramente de tudo, para minimizar a existência da pobreza.

Eu penso que não, certamente haverá centenas de teorias que explicarão quer matemática e enfaticamente as razões pelas quais é impossível erradicar a pobreza com um mero estalar de dedos ou com as boas vontades, mas continuo a pensar que o mundo industrializado não tem feito tudo e o suficiente para acabar com a pobreza.
 
Não vás por aí que isso não dá resultado nenhum! Aumentar simplesmente os salários sem qualquer acompanhamento em termos de produtividade só conduz a uma inflação galopante.
Países como o Peru chegaram a experimentar a coisa na década de 80. Os seus "iluminados" governantes resolveram aumentar salários, mandando simplesmente imprimir mais dinheiro nas rotativas. O resultado foram inflações de mais de 1000% ao ano, e portanto um efeito de "saír o tiro pela culatra".
O nível dos salários tem que acompanhar a evolução da produtividade. Se se aumentarar administrativamente os salários mínimos, por exemplo, para o dobro, o que vai acontecer é que a inflação vai comer rapidamente esse aumento. Os pobres continuarão pobres (antes pagavam 50cent por um cafe e depois vão começar a pagar 1€ por esse café), e os que estavam acima da média vão sofrer um empobrecimento relativo.
Para já não falar na competitividade externa do desgraçado país que optar por isso, que vai pelo cano abaixo.
Medidas dessas são perfeitas catástrofes. Não vale a pena ter ilusões. Não é assim tão simples.


Eu não falei em aumentarem ordenados, por decreto ou de forma artificial.

De forma sustentada, coerente e progressiva.

Porque não é incomum ver trabalhadores, operários, ganhar, durante toda uma vida, o salário mínimo, quando as firmas para as quais trabalham geram riqueza.

Riqueza essa, que não é distribuida !! Ou é ?
 
Não tenho grandes pretensões a discutir economia, haverá certamente quem o fará melhor que eu, por isso por ai não refutarei ou tão pouco vou explanar o tema da economia.

Mas pergunto-me a mim próprio, se os homens tem executado verdadeiramente de tudo, para minimizar a existência da pobreza.

Eu penso que não, certamente haverá centenas de teorias que explicarão quer matemática e enfaticamente as razões pelas quais é impossível erradicar a pobreza com um mero estalar de dedos ou com as boas vontades, mas continuo a pensar que o mundo industrializado não tem feito tudo e o suficiente para acabar com a pobreza.

Não....o objectivo não é esse....
 
Choca-me muito mais ver crianças de 4 anos a serem vendidas pelos pais por 30 USD para ir trabalhar no Gana do que sber que alguem no mundo ocidental está a ganhar 400 € por mês...

Porque? Porque o ocidental se batalhar, se se mexer, se nao se resignar tem oportunidades de dar a volta por cima... já um pobre de um puto africano de 4/5 anos que vive numa palhota no meio de nenhures está condenado...

Esta sim é a pobreza que choca verdadeiramente....

Deve ser da globalização...só pode !!

hpventura

Cá não são vendidas, mas há crianças com 6, 8, 10 anos a coser sapatos e a ajudar nas obras para que o orçamento familiar tenha mais uns Euros por mês.

Para essas, não há cá choque tecnológico.
 
Não percebi ?

Quero dizer que não existe objectivo de acabar com a pobreza porque se houvesse não seria difícil....é necessário haver pobres e ricos (cada vez menos remediados) para que a economia funcione....isto, claro, ao abrigo do capitalismo, que concordemos ou não domina cada vez mais o mundo!!!
 
Quero dizer que não existe objectivo de acabar com a pobreza porque se houvesse não seria difícil....é necessário haver pobres e ricos (cada vez menos remediados) para que a economia funcione....isto, claro, ao abrigo do capitalismo, que concordemos ou não domina cada vez mais o mundo!!!


[s)]

E é justo ? Não me parece.

Depreendo das tuas palavras, que entendes que as classes existem porque assim convém.

Eu compreendo, que de certa forma, para que o mundo funcione, existam diferenças e classes sociais, mas não vejo necessidade de haver uma diferenciação tão grande, que alguns para sobreviver precisem de recorrer aos caixotes do lixo e que outros possam viver com caviar diariamente.
 
[s)]

E é justo ? Não me parece.

Depreendo das tuas palavras, que entendes que as classes existem porque assim convém.

Eu compreendo, que de certa forma, para que o mundo funcione, existam diferenças e classes sociais, mas não vejo necessidade de haver uma diferenciação tão grande, que alguns para sobreviver precisem de recorrer aos caixotes do lixo e que outros possam viver com caviar diariamente.

A) A chave para acabar com a miséria/fome no mundo tem a ver com globalização... e ao contrário do que normalmente se associa, é ela que vai tirar (e já está a tirar) muita gente da miséria absoluta por este mundo fora.

B) A chave para acabar com a pobreza em Portugal, é criando leis proteccionistas que valorizem os nossos produtos e penalizem os produtos que são fabricados pelos miseráveis/famitos de outros países. Este proteccionismo de certa maneira, atenua teoricamente a nossa pobreza... mas acentua a miséria absoluta de outros países que não conseguem escoar os seus produtos....

é uma velha questão.... ironicamente a maioria dos auto intitulados socialistas e pró-proteccionistas (e anti-globalização) preferem a solução B. Protege-se os nossos produtos e penalizam-se os produtos dos miseráveis com o pretexto tranquilizador que estes são explorados pelos mais ricos.... A verdade é que essa fórmula bastante aplicada ao longo dos anos, criou dificuladades gigantescas aos mais necessitados e miseráveis dos outros países... estes continuaram a morrer à fome... mas ao menos não são explorados para fabricarem tenis Nike de sol a sol!
As pessoas esquecem-se que estes países vão ter que passar por aquilo que os países Industrializados da Europa já passaram, com os benefícios que conhecemos hoje em dia! Se quando a Europa entrou na revolução industrial alguém se tivesse lembrado que com tal revolução apenas se explorava os mais pobres e por isso os produtos de tal "revolução" teriam de ser boicotados... hoje na Europa além de pobres, existiria tambem uma percentagem enorme de pessoas na miséria absoluta!

Não é dificil perceber então que a pobreza está intimamente ligada à produção! Produzir e poder escoar o que se produz sem proteccionismos artificiais é o melhor meio de atenuar a pobreza.... o reverso da medalha: Produz ainda mais eficazmente ricos e milionários.... mas como já falaram por aqui... não é um problema de igualdade mas de equidade... e felizmente ou infelizmente, apesar de toda a "boa vontade" não há outra fórmula tão eficiente conhecida para atenuar a pobreza.... o que há é um grande preconceito de ver o problema de uma forma fria e analítica sem que apareçam demonstrações de sentimentos como se estes dessem mais legitimidade ou credibilidade aos nossos problemas.

muita coisa fica por explorar.... o combate à corrupção, a educação, a liberdade, a justiça e fiscalidade são elementos essenciais para que se produza um mercado eficiente. Mas este não produz homogeneidade de classes, mas ao menos produz pobres cada vez mais ricos e menos miseráveis.
 
Última edição:
Aumenta para o dobro? Há mais dinheiro? Vá de aumentar o preço das coisas. Ao fim de 1 ano já estava tudo na mesma. [:D]
Hum, curioso.

Queres então dizer que um quilo de carne em Espanha custa o dobro do que cá, um litro de gasolina custa três vezes mais em França e um carro é 4 vezes mais caro na Alemanha.

Não é isso que acontece pois não?

Talvez por terem de cumprir regras e leis o que não lhes permite fazerem uma gestão de preços à merceeiro como por cá.

Humm, por isso muitos por cá acham as leis complicadas, tá explicado.
 
[s)]

E é justo ? Não me parece.

Depreendo das tuas palavras, que entendes que as classes existem porque assim convém.

Eu compreendo, que de certa forma, para que o mundo funcione, existam diferenças e classes sociais, mas não vejo necessidade de haver uma diferenciação tão grande, que alguns para sobreviver precisem de recorrer aos caixotes do lixo e que outros possam viver com caviar diariamente.

É óbvio que não concordo com a situação.....e é muito triste que assim seja....
 
[s)]

E é justo ? Não me parece.

Depreendo das tuas palavras, que entendes que as classes existem porque assim convém.

Eu compreendo, que de certa forma, para que o mundo funcione, existam diferenças e classes sociais, mas não vejo necessidade de haver uma diferenciação tão grande, que alguns para sobreviver precisem de recorrer aos caixotes do lixo e que outros possam viver com caviar diariamente.
É um engano que convêm manter, a "naturalidade" da pobreza é resultado da protecção de uns poucos.
 
Existe solucao

Existe solucao

Existe solucao esta nas maos do governo e pa:sh)troes, hà muito que os sindicatos apressentam as solucoes para o pais valorizem que trabalha e respeitem as pessoas como ser humanos nao como numeros.



Agravamento das desigualdades em Portugal


Neste momento, o discurso habitual quer do governo quer das entidades patronais, quer do próprio governador do Banco de Portugal, e mesmo de muitos órgãos de comunicação social, é que a crise que enfrenta o nosso País exige sacrifícios, mas do que normalmente acabam por referir é sobre a "necessidade de contenção salarial", ou seja, de sacrifícios sim mas apenas para os trabalhadores.
E um dos argumentos mais matraqueados é que a produtividade dos trabalhadores portugueses é muito baixa, procurando assim fazer pensar que a culpa da baixa produtividade é dos trabalhadores. Interessa, por isso, continuar a desmontar este discurso governamental e patronal.
Num estudo anterior provamos que, tendo em conta os salários que recebem os portugueses, a produtividade dos trabalhadores portugueses até é superior à que se verifica na maioria dos países da União Europeia.
No entanto, a produtividade referida no estudo anterior foi calculada tendo como base a população total. No entanto, o mais correcto seria fazê-lo com base na população empregada, ou seja, tomando como base os que estão ligados directamente à produção da riqueza.
Os dados do quadro I, que a seguir se apresenta, e que estão disponíveis no "site" do Eurostat, o valor da produtividade já foi calculada tendo como base a população empregada, ou seja, a que trabalha e produz. E como rapidamente se verá as conclusões a que se chegam são idênticas às que contam do estudo anterior.

SALARIOS – 2002 segundo
POR EMPREGADO

Em
Euros
Com o salário
médio
em PORTUGAL
Salário anual 11.478 €
Luxemburgo
130,7
207%
33.014
266%
288%
Irlanda
120
190%
25.079
202%
218%
Dinamarca
98,2
156%
36.476
294%
318%
Bélgica
120,8
191%
33.519
270%
292%
Alemanha
97,5
155%
34.975
281%
305%
Itália
110,9
176%
26.833
216%
234%
R. Unido
93,1
148%

147%
25.106
202%
219%
França
113,2
179%
23.281
187%
203%
Espanha
93,5
148%
20.794
167%
181%
Grécia
83
132%
16.076
129%
140%
UE15
100
158%
0%
PORTUGAL
100%
12.425
100%
PORTUGAL (MSST)
63,1
11.478


.Assim se compararmos os dados da 3ª coluna a contar da esquerda – Produtividade dos outros países em relação à Portuguesa – com os dados da 5ª coluna também a contar da esquerda – Comparação do salários médio dos outros países com o de Portugal – concluímos rapidamente que o salário médio dos outros países é superior ao salário medido português muito mais do que a produtividade dos outros países é superior à produtividade portuguesa.
Por exemplo, o salário médio no Luxemburgo é superior ao salário médio português em 166%, enquanto a produtividade por empregado é apenas superior em 107%; o salário médio na Irlanda é superior ao português em 102%, enquanto a produtividade é apenas em 90%; o salário médio na Dinamarca é superior ao salário médio português em 194%, enquanto a produtividade por empregado é superior apenas em 56%; o salário médio na Bélgica é superior ao português em 170%, enquanto a produtividade por empregado é apenas superior em 91%; o salário médio na Alemanha é superior ao português em 181%, enquanto a produtividade é superior em apenas 55%; e assim sucessivamente.
E isto é considerado o salário médio português referido pela OCDE. Se no lugar de consideramos o valor da OCDE, consideramos a remuneração media que se obtém dos quadros de pessoal que são tratados pelo Ministério da Segurança Social e do Trabalho a diferença é ainda maior . E foi isso que fizemos e que consta da última coluna à direita do quadro. E isto porque a remuneração média dos quadros de pessoal em 2002 (calculamos o valor de 2002 com base no de 2001 já publicados acrescentando um aumento de 4,9%); repetindo, e isto porque a remuneração média que se obtém nos quadros de pessoal é apenas de 11.478 euros por ano, e não os 12.425 euros considerados pela OCDE para Portugal como consta do quadro I.
Em resumo, os dados do quadro I permitem tirar duas conclusões extremamente importes que desmentem o discurso oficial e patronal. Em primeiro lugar, tendo em conta os salários que recebem, a produtividade dos trabalhadores portugueses, em termos relativos, até superior à produtividade dos trabalhadores dos outros países da União Europeia. Em segundo lugar, os valores mais elevados de produtividade estão sempre associados a salários mais elevados, não sendo por isso legitimo esperar aumentar significativamente a produtividade em Portugal sem aumentar simultaneamente o nível de remunerações que continua a ser o mais baixo de toda a União Europeia.
REPARTIÇÃO DA RIQUEZA CADA VEZ MAIS INJUSTA
E DESIGUAL EM PORTUGAL
Outro argumento muito habitual no discurso governamental e patronal é que não se pode aumentar os salários porque a massa salarial já é incomportável tendo em conta a riqueza produzida.
Os dados oficiais do Banco de Portugal que estão disponíveis no "site" deste organismo mostram claramente que os baixos salários que vigoram no nosso País têm provocada uma profunda desigualdade na repartição da riqueza produzida em Portugal.
O quadro II que se apresenta seguidamente, construído com dados do Banco de Portugal, mostra precisamente a dimensão dessa grave realidade social nacional.
2002 ( E)
Ordenados e Salários
49,0%
47,4%
52,5%
59,0%
48,1%
43,9%
34,7%
35,1%
37,0%
35,0%
36,8%
Excedente Bruto Exploração (Lucros)
35,7%
37,1%
31,9%
24,3%
35,7%
36,9%
43,1%
43,1%
38,4%
39,8%
FONTE : De 1970-1995 - Séries Cronológicas do Banco de Portugal ; 2002: Estimativa feita a partir de dados do Banco de Portugal
Os dados do quadro II mostram um claro e rápido agravamento da repartição da riqueza crida em Portugal nos últimos anos.
Como se sabe , o valor do Produto Interno Bruto dá precisamente o valor da riqueza que é criada em cada ano num país, o qual é depois repartido pelos diversos intervenientes no processo produtivo.
De acordo com os dados do quadro II que foram publicados pelo próprio Banco de Portugal, em 1973, portanto no ano anterior à Revolução de Abril , a parte do rendimento nacional que os trabalhadores portugueses recebiam sob a forma de "Ordenados e Salários " representava apenas 47,4% do Produto Interno Bruto. Em 1974, com a Revolução de Abril, essa parte subiu para 52,5%, tendo atingido em 1975 o maior valor de sempre, que foi 59% do PIB. A partir deste ano, a parte que cabe aos trabalhadores começou a decrescer atingindo em 1995 apenas 35% do PIB segundo dados do Banco de Portugal, e ,no ano 2002, menos de 37% segundo uma estimativa feita com base em dados do Banco de Portugal, portanto um valor bastante inferior ao que se verificava mesmo antes do 25 de Abril como mostram também os dados do quadro II.
Por outro lado, o chamado "Excedente Bruto de Exploração" , ou seja, os lucros brutos têm aumentado. Em 1975, representava apenas 24,3% do Produto Interno Bruto, enquanto em 1995 já atingia os 39,8% , ou seja, um valor superior ao verificado mesmo antes de 25 de Abril – em 1973 representava 37,1% - como provam os dados publicados pelo Banco de Portugal.
Contrariamente ao que afirma o discurso governamental e patronal, existe riqueza em Portugal, o que sucede é que ela está cada vez mais mal distribuída.
A REPARTIÇÃO DA RIQUEZA EM PORTUGAL
É A MAIS INJUSTA EM TODA A UNIÃO EUROPEIA
De acordo com o estudo "Income, Inquality ande Poverty" (Rendimento, Desigualdade e Pobreza) do Serviço de Estudos e Desenvolvimento Metodológico do Instituto Nacional de Estatística com a data de Junho de 2002, portanto um estudo recente avalizado pelo organismo oficial nacional de estatística, 20% da população portuguesa com rendimentos mais baixos recebe apenas 5,9% do rendimento líquido nacional, enquanto os 20% mais ricos recebem 44,9% do rendimento liquido nacional. Isto significa que os 20% mais ricos recebem 7,6 vezes mais do que aquilo que recebem os 20% mais pobres (pág 29, do estudo).
Se compararmos este dado com a média da União Europeia a conclusão é assustadora em termos da profunda desigualdade ainda existente no nosso País. Assim, de acordo com dados do Eurostat a média na União Europeia é de 4,6 vezes (ver http://europa.eu.int/comm/eurostat "Cohesion sociale) , ou seja, os 20% mais ricos recebem 4,6 vezes mais do recebido pelos 20% mais pobres ( em Portugal, a relação é 7,6 , portanto quase o dobro).
Para além do referido anteriormente, este estudo INE também revela que os 10% da população portuguesa mais ricos existentes auferem 29% do rendimento liquido do País, enquanto os 10% mais pobres apenas recebem 2,2%, ou seja, os 10% mais ricos recebem 13 vezes mais do que os 10% mais pobres.
Finalmente o mesmo estudo do INE ainda conclui que a pobreza subjectiva atinge cerca de 35% da população portuguesa masculina e 44% da população portuguesa feminina (pág. 44).
Os dados apresentados parecem suficientes para mostrar as profundas desigualdades que continuam a existir em Portugal, e que urge alterar rapidamente.
DESIGUALDADES E CRISE ECONÓMICA
A profunda desigualdade que se continua a verificar em Portugal a nível da repartição do rendimento, que os dados oficiais referidos anteriormente provam de uma forma clara, constitui também um importante obstáculo ao desenvolvimento do País e é também um factor que contribui para agravar a crise actual que Portugal enfrenta.
Efectivamente, a actual crise que abala todo o sistema capitalista mundial, e também Portugal, é uma crise de excesso de produção, não relativamente às necessidades das pessoas, mas sim em relação ao poder de compra da maioria da população.
Em Portugal este facto é claro e de fácil compreensão. Durante muitos anos, a extrema desigualdade na repartição dos rendimentos, que contribuía também para que o poder de compra da maioria da população fosse insuficiente para a cobrir as suas necessidades, foi atenuado pelo recurso ao endividamento. Tal facto determinou que o endividamento dos portugueses tenha atingido no fim de 2002, segundo o Banco de Portugal, o correspondente a cerca de 103% do rendimento disponível, isto é, se os portugueses tivessem de pagar num único ano o que pediram emprestado, todo o seu rendimento de um ano seria insuficiente para pagar as suas dividas.
Mas como é evidente, o endividamento tem limites, até porque há que pagar todos os anos encargos a divida que incluem os juros e as amortizações dos empréstimos pedidos, e se os empréstimos aumentarem os encargos destes tornam-se cada vez mais incomportáveis para a maioria das famílias portuguesas.
A conjugação destes dois factores – uma profunda desigualdade na repartição do rendimento que contribui também para que o poder de compra da maioria da maioria da população portuguesa seja muito baixo e limitações a um maior e continuado recurso ao crédito – teve consequências graves e imediatas no mercado interno, que deixou de crescer ao ritmo a que se estava a verificar, e que era base do desenvolvimento do País, tendo-se contraído fortemente o que está a causar neste momento dificuldades acrescidas ao escoamento (venda) da produção por um número crescente de empresas.
É evidente que a panaceia apontada por Cavaco da Silva e logo a seguir pelo governo de que a "salvação nacional" está no turismo é uma falsa solução que acabará por não resolver de uma forma efectiva os verdadeiros problemas do nosso País, até porque a maioria da actividade turística desenvolvida em Portugal (o chamado "turismo de sol e praia"), tal como sucede com a construção civil, caracteriza-se na sua maioria por baixas remunerações, precariedade, e reduzida qualificação.
Um novo modelo de desenvolvimento económico para Portugal tem que assentar em trabalho qualificado, com remunerações que se aproximem da média da U.E., e em segurança no emprego. E é evidente que esse modelo só será também possível com uma repartição muito mais justa da riqueza do que aquela que se verifica em Portugal actualmente, pois essa repartição diferente é condição indispensável para a existência de um mercado interno em crescimento continuado que é a base do desenvolvimento efectivo de qualquer país.
Uma economia dinâmica pressupõe e exige um mercado interno em crescimento o que só é possível também com uma melhor repartição do rendimento, à semelhança do que já se verifica em vários países da União Europeia.

Loures, 31 de Maio de 2003
________


[*] Economista



Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
 
Isto_inclui-me.Org - Pobreza em Portugal

Isto_inclui-me.Org - Pobreza em Portugal

Quem se preocupa com a pobreza em Portugal, quer ajudar a combatê-la e/ou quer compreender os fenómenos de pobreza no nosso país, deve consultar esta organização.


Vasculhem o site, tem informações preciosas.


Link: http://www.istoincluime.org/index.htm
 
Pois as tuas palavras que tal como esta imagem ...

02.jpg


Ainda vão ter um qualquer rótulo por estas bandas.


Mas o site e a acção do mesmo é meritória.

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