Bolsa e investimentos

eu nao disse que o problema era o Biden; lê lá outra vez.

Mas repito, o que estava a ser feito pelo Biden, até então, nao era sustentável...o que está longe de coincidir com a validação de que este Trump está a fazer bem, ou até melhor.

Como diz o paulofer e eu quis inferir, Biden fez o mesmo que os antecessores e empurrou com a barriga para a frente. Trump não faz a mínima ideia do que está a fazer e acabou por estragar mais, com a perda de confiança nos EUA e na subida das yields das bonds. O problema é que se o dólar deixa de ser "a moeda", os défices têm de ser tratados à força.
 
É complicado qualquer governo democrático minimamente sério, seja de que espectro politico for, tomar medidas duras para resolver um problema, quando do outro lado está alguém diariamente aos berros a prometer "unicórnios e Ferraris" para toda a gente.

Vai estar a assinar a própria sentença!

E a principal "qualidade" de qualquer politico, é a autopreservação.
 
. Se Portugal conseguiu, porque não hão-de conseguir os EUA?


Porque Portugal só conseguiu porque foi obrigado a isso por forças externas, tu talvez não te lembres, mas eu ainda me lembro bem como os vários interesses instalados lutaram com todas as armas que tinham contra as mudanças, desde campanhas de difamação e de pressão na comunicação social, processos políticos nos tribunais incluindo o TC, na rua com manifestações... Etc... Etc... Etc...

Hoje se calhar todos reconhecemos que o que foi feito era inevitável, mas a campanha foi tão grande e tão desonesta que ainda hoje, 15 anos depois o próprio PSD renega o seu passado e veio na última campanha pela boca do seu líder dizer que era tempo de se "reconciliar com os reformados". Sim, reconciliar com os reformados que estavam a semanas de deixar de receber reformas por falta de dinheiro, mas é o que é...

Agora, explica-me lá qual é a força externa que chega aos EUA e impõe uma política de ajustamento, com o sofrimento inerente, como nós tivemos. Por acaso gostava de saber. Até estou a imaginar a imagem dos 3 negociadores a chegar a um aeroporto americano, para virem fazer a avaliação do aluno, como nós víamos frequentemente... Acho a vossa imaginação super interessante.

Por isso eu digo, que em boa verdade, não vi nenhuma solução alternativa. Quando dizem que naquela administração são todos estúpidos e nem percebem como funcionam as tarifas, porque quem as vai pagar são os consumidores americanos. Eu acho que para quem tomou a decisão isso é óbvio, mas se calhar é a única forma de enfiar um "enorme aumento de impostos" pela goela abaixo de muitos MAGAs que vão suportar esse custo, mas acham que quem está a pagar são os chineses.

Um bocado como o António Costa, que enquanto convencia os palermas que estava a virar a página da austeridade e baixava umas décimas no IRS, aumentava os impostos indirectos todos, fez um enorme aumento de impostos, superior a 30 mil milhões de euros por ano e trouxe-nos a carta fiscal mais alta da nossa história.
 
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Porque Portugal só conseguiu porque foi obrigado a isso por forças externas, tu talvez não te lembres, mas eu ainda me lembro bem como os vários interesses instalados lutaram com todas as armas que tinham contra as mudanças, desde campanhas de difamação e de pressão na comunicação social, processos políticos nos tribunais incluindo o TC, na rua com manifestações... Etc... Etc... Etc...

Hoje se calhar todos reconhecemos que o que foi feito era inevitável, mas a campanha foi tão grande e tão desonesta que ainda hoje, 15 anos depois o próprio PSD renega o seu passado e veio na última campanha pela boca do seu líder dizer que era tempo de se "reconciliar com os reformados". Sim, reconciliar com os reformados que estavam a semanas de deixar de receber reformas por falta de dinheiro, mas é o que é...

Agora, explica-me lá qual é a força externa que chega aos EUA e impõe uma política de ajustamento, com o sofrimento inerente, como nós tivemos. Por acaso gostava de saber. Até estou a imaginar a imagem dos 3 negociadores a chegar a um aeroporto americano, para virem fazer a avaliação do aluno, como nós víamos frequentemente... Acho a vossa imaginação super interessante.

Por isso eu digo, que em boa verdade, não vi nenhuma solução alternativa. Quando dizem que naquela administração são todos estúpidos e nem percebem como funcionam as tarifas, porque quem as vai pagar são os consumidores americanos. Eu acho que para quem tomou a decisão isso é óbvio, mas se calhar é a única forma de enfiar um "enorme aumento de impostos" pela goela abaixo de muitos MAGAs que vão suportar esse custo, mas acham que quem está a pagar são os chineses.

Um bocado como o António Costa, que enquanto convencia os palermas que estava a virar a página da austeridade e baixava umas décimas no IRS, aumentava os impostos indirectos todos, fez um enorme aumento de impostos, superior a 30 mil milhões de euros por ano e trouxe-nos a carta fiscal mais alta da nossa história.
Já expliquei acima o que deveria ser feito, ou pelo menos o que acho que deveria ser feito. As diferenças (excluindo a dimensão) entre EUA e Portugal são abissais.
Os EUA podem fazer o mesmo que Portugal com muita mais facilidade. Desde logo o seu crescimento económico não tem sequer comparação com Portugal.
Eles têm tempo para o fazer, porque têm dinheiro, têm economia e têm crescimento e não estamos em 2008 ou 2009 nem sequer 2011 ainda no rescaldo da crise. Mesmo economicamente não há comparação no momento económico global..
Agora se crescem e ainda continuam a gastar mais que aquilo que arrecadam, obviamente o problema não se resolve, metam as tarifas que meterem.
As tarifas servem para fazer o mesmo que Costa, mas não terão produtos substitutos, mas vão criar um problema interno (e global) que vai rebentar nas mãos de Trump e de toda a gente pelo mundo fora. Recessão, desemprego, etc.
As coisas têm que ser feitas com muito mais tempo, porque os EUA têm esse tempo, não estão intervencionados pelo FMI.

Em minha opinião, muito mais que a divida há um problema global dos países ocidentais/ricos, que se calhar começa agora a afetar os EUA (daí a divida), já afetou a Europa mais cedo, é que a riqueza é cada vez mais dividida, China, India e afins têm ajudado a aguentar o barco com produtos baratos, criando a ilusão de mais riqueza, mas aos poucos com a sua subida de nível de vida nesses países tudo vai mudando e sendo ajuda, também têm o outro lado, passam também a ser problema e não há milagres para isso, é o que é. Pode-se minorar, mas é impossível ignorar.
Como é que isto vai ser vendido aos americanos? Não faço ideia. Mas com tarifas e da forma que foram apresentadas não me parece que seja a solução. O que será? Não conheço a despesa americana o suficiente para dizer dados concretos. Mais impostos? É uma solução certamente, bem mais válida que andar a caçar imigrantes legais ou ilegais. Será bem aceite? Claro que não. Ou diminuir despesa.

Isto não esquecendo as medidas para com os aliados, que estão a matar os EUA todos os dias um pouco... não foi com esta américa que nasci, vivi e admirei durante décadas.
E isto também afeta os mercados e muito, a perda de confiança num aliado pode ser catastrófica.
 
O problema nunca foram as tarifas, mas sim a forma como o trump está a tentar implementá-las.

Ele criou um cenário absurdo (tarifas brutais e injustas, de forma unilateral), à espera que os outros Países se submetessem à sua vontade e oferecessem algo em troca de tarifas mais favoráveis.

Correu-lhe mal, o mundo não gosta de bullies.

Agora, está a ser obrigado a recuar, sem qualquer contrapartidas, pois caso contrário vai haver uma disrupção na economia Americana.

Um verdadeiro palhaço.
 
paulofer Não precisas de me explicar os males do Trump... Eu não estou aqui a defender as políticas do Trump, nem a forma como se relacionou com potenciais parceiros. Não seria um votante MAGA, tal como não votarei nos MAGA wannabes das eleições daqui do nosso "bairro". O que quero dizer é que o mundo é bem mais complexo do que essa visão simplista e até infantil de que toda a administração Trump é composta por incompetentes sem noção do que fazem.


Mas já que insistes, dou também a minha opinião sobre o resto.

Na minha perspectiva, os EUA apostaram nas indústrias tecnológicas e de alto valor acrescentado. São os maiores inovadores, dominam todas as novas revoluções tecnológicas há décadas, dominam o mundo dos serviços. Se as empresas americanas desligassem os seus serviços web, tudo parava: governos, bancos, empresas, etc. Mas os produtos industriais e de maior mão de obra: como fabricar eletrodomésticos, tratores, chips, telemóveis ou roupa, passaram a ser em larga medida produzidos fora. O equilíbrio grosseiro é este: os EUA desenvolvem tecnologia e prestam serviços, o resto do mundo fabrica.

Isto trouxe enormes benefícios: crescimento económico impressionante, salários médios elevados, domínio do mercado de capitais (70% do MSCI World). Mas, a longo prazo, não produzir é insustentável. Os EUA acumulam défices externos há 50 anos; a dívida pública federal ultrapassou os 125% do PIB e o défice supera 6%, sem margem de redução, pois a maior parte da despesa é fixa (juros, saúde, defesa, segurança social, etc.). O caso da DOGE é sintomático, mesmo com todos os cortes anunciados pelo Musk e todo o circo montado, até agora conseguiram apenas 3% do objetivo inicial a que se propuseram, o que é totalmente irrelevante no orçamento total.

Outro reverso da medalha: a globalização não beneficiou todos por igual. Tal como na Europa, também nos EUA houve grandes vencedores, os trabalhadores típicos das tecnológicas têm grandes pacotes salariais e de benefícios sociais, podem apostar em estratégias FIRE e deixar de trabalhar antes dos 50 anos, mas o trabalhador fabril americano foi um dos grandes perdedores. Apesar do crescimento e dos salários, muitos americanos queixam-se do custo de vida, de terem vários empregos e de trabalharem 80 horas por semana e continuam a fazer um part time no Walmart depois da idade da reforma... Esta frustração, tal como o défice, foi-se acumulando. Administrações como a de Biden (e anteriores, incluindo os republicanos como o Bush) ignoraram o problema e permitiram que fosse ficando cada vez maior e isso levou ao surgimento de um presidente populista como Trump, que para mim é mais sintoma do que causa dos problemas. O mesmo se passa na Europa, com o crescimento dos movimentos populistas, os partidos que deveriam ser sensatos e responsáveis fecharam-se numa bolha, discutem assuntos, problemas e os dramas das micro agressões que não interessam minimamente ao Zé Povinho, recusam-se sequer a reconhecer ou discutir os problemas reais que uma parte significativa da população sofre e ainda classificam de broncos, ou de preconceituosos qualquer um que fale disso... Depois sobram os populistas para representar quem sofre com esses problemas.


Perante todo este desiquilíbrio externo só vejo três soluções para os EUA:
  • Manipulação cambial: Só funciona se for coordenada, como nos acordos de Plaza dos anos 80. Mas na altura os EUA só tiveram de negociar com 4 países sensatos e decentes: Japão, UK, França e Alemanha. Hoje, com um grande peso mundial em países como a China que desempenha um papel de verdadeira sanguessuga nesta onda de globalização, que manipula regras, câmbios, subsidia, copia propriedade intelectual, pratica dumping social, ambiental, etc.. etc.. etc.. é quase impossível negociar algo semelhante sem que eles sejam forçados a isso.
  • Acordos comerciais detalhados, onde seja estipulado o que e em que quantidades é exportado/importado: Demoram anos e exigem cooperação, que não existe nem da China e honestamente, nem da UE. Os EUA e a UE andaram anos a fio a negociar um acordo de livre comercio e acabaram por desistir por falta de acordo.
  • Tarifas, acabam por ser a pior solução, já que penalizam importações, mas não tornam as exportações mais baratas, mas não dependem de negociar com ninguém, é uma decisão de cada pais. Protegem a economia interna, mas desincentivam a inovação o que no longo prazo costuma ser fatal. Ainda assim, os EUA são mais autónomos do que a China ou a Europa e estarão melhor preparados para entrar nestas guerras: as importações são só 14% do PIB, contra 18% na China ou 53% na UE.
No meio disto, qual o papel do Trump? É o mesmo que sempre teve... Age como um “mad man”, cria espetáculo, entra em jogos de “chicken” (uma situação da teoria dos jogos, que tem como caso mais conhecido a famosa situação em que dois condutores vão a acelerar um em direção ao outro para ver qual se acobarda e desvia primeiro), para reforçar a ideia de imprevisibilidade e força o adversário a negociar. Faz exigências impossíveis para ancorar a discussão e, no fim, tudo tem de acabar num “deal”. Com o Trump, sempre foi assim — nos negócios, na TV, na presidência. Agora não será diferente: faz o seu espetáculo, bluffs, e depois virá o tempo dos acordos.

Com a Ucrânia, ameaçou abandonar Zelensky, chegou ao ponto de dizer que ele era o ditador e era quem iniciou a guerra — bluff. Mas cá para mim, no fim, veremos a Europa a intervir com homens no terreno e os EUA a garantir as terras raras, o controlo de centrais nucleares e provavelmente os negócios para os recursos russos. Com a FED, ameaçou despedir Powell — bluff. Agora já diz que nunca faria isso, mas o dólar vai desvalorizando. Nas guerras comerciais, depois de mostrar que pode ser imprevisível e louco, o Trump irá usar isso para negociar os acordos que tanto gosta de anunciar. Não sei o que sairá daí, mas talvez seja o único caminho para forçar os outros blocos a um equilíbrio que permita desvalorizar o dólar e conseguir acordos vantajosos para os EUA.

Por isso eu digo, andamos saqui todos a discutir sem fazermos minimamente ideia dos acordos e dos equilíbrios que se vão formar depois disto tudo, agora, achar que é só birras e auto destruição, parece-me uma visão extremamente errada.



Dito isto e indo ao que realmente interessa...

Em termos de investimentos, eu acredito que estamos longe da implosão do império americano. Após a fase inicial de loucura e de instabilidade máxima, seguir-se-ão as negociações e veremos como tudo se desenha, provavelmente com mais tarifas, acordos comerciais favoráveis aos EUA e alguma manipulação do dólar. Por isso, esta ideia de desinvestir fortemente nos EUA e apostar na Europa, ou abandonar o MSCI World por produtos ex-US que vejo largamente discutida em muitos sítios com base no argumento que os EUA estão a ser governados por idiotas e entraram numa espiral de auto destruição, pode trazer dissabores. Não digo que quem só tinha SP500, não deva procurar diversificação, porque.. Nunca se sabe... Mas já diria o mesmo antes desta trapalhada toda.

Cada um sabe do seu dinheiro. Apesar de há algum tempo ter um underweight nos EUA face ao MSCI World, por achar o mercado demasiado sobrevalorizado, não vejo os EUA deixarem de ser, tão cedo, o país mais representado nos meus investimentos. Não estou a imaginar que a Europa consiga suplantar os EUA quando a poeira assentar e começar o próximo rally nas bolsas.
 

Bom, o S&P500 fechou nos 5525 pontos na passada 6ª feira.
Vamos agora entrar numa semana importante, onde ainda há espaço para esta subida/recuperação de curto prazo continuar..
Mas do ponto de vista tecnico uma zona que considero muito importante se aproxima e que será por volta dos ~5650 pontos.. fechos acima disso seriam um sinal de força muito bom.
Caso contrário se não tiver força para superar podemos voltar à trend de médio prazo de queda...

Fatores que podem afetar estes movimentos, serão os resultados do PCE (inflação) no dia 30 e os resultados das Mega caps after hours dia 30 para a Microsoft e dia 1 para a Amazon e Apple e claro não podendo esquecer o Trump! [:cool:]
 
Mundano, obrigado pelo tempo que demoraste a escrever este texto.

Sem dúvida, uma análise sensata e lógica.

Sem dúvida que é uma boa exposição.

Mas lamento informar que não se alinha com a tua posição relativamente ao assunto...
É bem menos radical.
 
As coisas melhoraram bastante nos últimos dias. Dos produtos que comprei há pouco tempo e fui comprando mais quando o preço estava no fundo, já estive a perder em média 11%, e neste momento estou a perder 1%.
 
As coisas melhoraram bastante nos últimos dias. Dos produtos que comprei há pouco tempo e fui comprando mais quando o preço estava no fundo, já estive a perder em média 11%, e neste momento estou a perder 1%.

O SP500 fechou ontem nos 5686 pontos um pouco acima do nivel que tinha referido, vamos ver se na 2ª feira fecha acima desse nivel também e confirma.
Alguns pontos que contribuiram para já no curto prazo para isso:

-Têm estado caladinhos com as tarifas
.
-Os resultados das Mega caps do Q1 foram melhores do que o esperado com ali uma excepção no guidance da Apple.
Neste quarter não está incorporado ainda nada relativo às possiveis tarifas.

-O GDP foi negativo mas ainda pode ter sido apenas devido ao aumento violento das importações que fizeram antecipadamente às tarifas!

-Os NFP apesar de terem baixo em relação ao mês anterior foram acima do que estava a ser previsto.

- O desemprego manteve-se estável


Do ponto vista macro, enquanto os corporate earnings das empresas não começarem a ser afetados isto não afunda. E só estes corporate earnings podem salvar um mergulho a sério.
Por falar em earnings, na próxima 2ª feira após fecho do mercado será a vez da Palantir, e acredito que irá para máximos históricos.

Do ponto vista tecnico, isto no curto prazo pode talvez levar ainda o SP uns pózinhos mais acima para a zona ~5780.
Mas posições shorts se estão a formar e vão atacar forte por esse nível...

No entanto existem sinais que a coisa está mal.. a cotação do oil está baixa e se esta vier mais para baixo para a zona dos 50$ e por lá permanecer muito tempo... ui ui a economia está no lodo.

Penso que a Fed já devia ter baixado um pouco os juros.

Infelizmente acho que estamos num Bear market e podemos estar num bounce trap..
 
paulofer Não precisas de me explicar os males do Trump... Eu não estou aqui a defender as políticas do Trump, nem a forma como se relacionou com potenciais parceiros. Não seria um votante MAGA, tal como não votarei nos MAGA wannabes das eleições daqui do nosso "bairro". O que quero dizer é que o mundo é bem mais complexo do que essa visão simplista e até infantil de que toda a administração Trump é composta por incompetentes sem noção do que fazem.


Mas já que insistes, dou também a minha opinião sobre o resto.

Na minha perspectiva, os EUA apostaram nas indústrias tecnológicas e de alto valor acrescentado. São os maiores inovadores, dominam todas as novas revoluções tecnológicas há décadas, dominam o mundo dos serviços. Se as empresas americanas desligassem os seus serviços web, tudo parava: governos, bancos, empresas, etc. Mas os produtos industriais e de maior mão de obra: como fabricar eletrodomésticos, tratores, chips, telemóveis ou roupa, passaram a ser em larga medida produzidos fora. O equilíbrio grosseiro é este: os EUA desenvolvem tecnologia e prestam serviços, o resto do mundo fabrica.

Isto trouxe enormes benefícios: crescimento económico impressionante, salários médios elevados, domínio do mercado de capitais (70% do MSCI World). Mas, a longo prazo, não produzir é insustentável. Os EUA acumulam défices externos há 50 anos; a dívida pública federal ultrapassou os 125% do PIB e o défice supera 6%, sem margem de redução, pois a maior parte da despesa é fixa (juros, saúde, defesa, segurança social, etc.). O caso da DOGE é sintomático, mesmo com todos os cortes anunciados pelo Musk e todo o circo montado, até agora conseguiram apenas 3% do objetivo inicial a que se propuseram, o que é totalmente irrelevante no orçamento total.

Outro reverso da medalha: a globalização não beneficiou todos por igual. Tal como na Europa, também nos EUA houve grandes vencedores, os trabalhadores típicos das tecnológicas têm grandes pacotes salariais e de benefícios sociais, podem apostar em estratégias FIRE e deixar de trabalhar antes dos 50 anos, mas o trabalhador fabril americano foi um dos grandes perdedores. Apesar do crescimento e dos salários, muitos americanos queixam-se do custo de vida, de terem vários empregos e de trabalharem 80 horas por semana e continuam a fazer um part time no Walmart depois da idade da reforma... Esta frustração, tal como o défice, foi-se acumulando. Administrações como a de Biden (e anteriores, incluindo os republicanos como o Bush) ignoraram o problema e permitiram que fosse ficando cada vez maior e isso levou ao surgimento de um presidente populista como Trump, que para mim é mais sintoma do que causa dos problemas. O mesmo se passa na Europa, com o crescimento dos movimentos populistas, os partidos que deveriam ser sensatos e responsáveis fecharam-se numa bolha, discutem assuntos, problemas e os dramas das micro agressões que não interessam minimamente ao Zé Povinho, recusam-se sequer a reconhecer ou discutir os problemas reais que uma parte significativa da população sofre e ainda classificam de broncos, ou de preconceituosos qualquer um que fale disso... Depois sobram os populistas para representar quem sofre com esses problemas.


Perante todo este desiquilíbrio externo só vejo três soluções para os EUA:
  • Manipulação cambial: Só funciona se for coordenada, como nos acordos de Plaza dos anos 80. Mas na altura os EUA só tiveram de negociar com 4 países sensatos e decentes: Japão, UK, França e Alemanha. Hoje, com um grande peso mundial em países como a China que desempenha um papel de verdadeira sanguessuga nesta onda de globalização, que manipula regras, câmbios, subsidia, copia propriedade intelectual, pratica dumping social, ambiental, etc.. etc.. etc.. é quase impossível negociar algo semelhante sem que eles sejam forçados a isso.
  • Acordos comerciais detalhados, onde seja estipulado o que e em que quantidades é exportado/importado: Demoram anos e exigem cooperação, que não existe nem da China e honestamente, nem da UE. Os EUA e a UE andaram anos a fio a negociar um acordo de livre comercio e acabaram por desistir por falta de acordo.
  • Tarifas, acabam por ser a pior solução, já que penalizam importações, mas não tornam as exportações mais baratas, mas não dependem de negociar com ninguém, é uma decisão de cada pais. Protegem a economia interna, mas desincentivam a inovação o que no longo prazo costuma ser fatal. Ainda assim, os EUA são mais autónomos do que a China ou a Europa e estarão melhor preparados para entrar nestas guerras: as importações são só 14% do PIB, contra 18% na China ou 53% na UE.
No meio disto, qual o papel do Trump? É o mesmo que sempre teve... Age como um “mad man”, cria espetáculo, entra em jogos de “chicken” (uma situação da teoria dos jogos, que tem como caso mais conhecido a famosa situação em que dois condutores vão a acelerar um em direção ao outro para ver qual se acobarda e desvia primeiro), para reforçar a ideia de imprevisibilidade e força o adversário a negociar. Faz exigências impossíveis para ancorar a discussão e, no fim, tudo tem de acabar num “deal”. Com o Trump, sempre foi assim — nos negócios, na TV, na presidência. Agora não será diferente: faz o seu espetáculo, bluffs, e depois virá o tempo dos acordos.

Com a Ucrânia, ameaçou abandonar Zelensky, chegou ao ponto de dizer que ele era o ditador e era quem iniciou a guerra — bluff. Mas cá para mim, no fim, veremos a Europa a intervir com homens no terreno e os EUA a garantir as terras raras, o controlo de centrais nucleares e provavelmente os negócios para os recursos russos. Com a FED, ameaçou despedir Powell — bluff. Agora já diz que nunca faria isso, mas o dólar vai desvalorizando. Nas guerras comerciais, depois de mostrar que pode ser imprevisível e louco, o Trump irá usar isso para negociar os acordos que tanto gosta de anunciar. Não sei o que sairá daí, mas talvez seja o único caminho para forçar os outros blocos a um equilíbrio que permita desvalorizar o dólar e conseguir acordos vantajosos para os EUA.

Por isso eu digo, andamos saqui todos a discutir sem fazermos minimamente ideia dos acordos e dos equilíbrios que se vão formar depois disto tudo, agora, achar que é só birras e auto destruição, parece-me uma visão extremamente errada.



Dito isto e indo ao que realmente interessa...

Em termos de investimentos, eu acredito que estamos longe da implosão do império americano. Após a fase inicial de loucura e de instabilidade máxima, seguir-se-ão as negociações e veremos como tudo se desenha, provavelmente com mais tarifas, acordos comerciais favoráveis aos EUA e alguma manipulação do dólar. Por isso, esta ideia de desinvestir fortemente nos EUA e apostar na Europa, ou abandonar o MSCI World por produtos ex-US que vejo largamente discutida em muitos sítios com base no argumento que os EUA estão a ser governados por idiotas e entraram numa espiral de auto destruição, pode trazer dissabores. Não digo que quem só tinha SP500, não deva procurar diversificação, porque.. Nunca se sabe... Mas já diria o mesmo antes desta trapalhada toda.

Cada um sabe do seu dinheiro. Apesar de há algum tempo ter um underweight nos EUA face ao MSCI World, por achar o mercado demasiado sobrevalorizado, não vejo os EUA deixarem de ser, tão cedo, o país mais representado nos meus investimentos. Não estou a imaginar que a Europa consiga suplantar os EUA quando a poeira assentar e começar o próximo rally nas bolsas.



Fantástica observação super coerente
 
Opinião:

Na minha opinião, tanto a Nvidia como a Apple estão atualmente sobrevalorizadas. Reconheço o papel crucial que ambas desempenham no setor tecnológicos especialmente a Nvidia no avanço da inteligência artificial, mas acredito que grande parte desse potencial já está refletido nos preços atuais.
Não espero nem conto com um grande crescimento destas ações nos próximos anos, mesmo com a evolução da IA.

Alguém partilha desta visão?
 
O grande boom pode ter passado sim... mas não são das que estão mais caras:

Atual Forward P/E

NVIDIA - 26,88
Apple - 26,95
Tesla - 126,58
Palantir - 200
 
O grande boom pode ter passado sim... mas não são das que estão mais caras:

Atual Forward P/E

NVIDIA - 26,88
Apple - 26,95
Tesla - 126,58
Palantir - 200

Coitado do Elon Musk… achava que estava a fazer um grande investimento, mas saiu-lhe um buraco sem fundo! Uma bem merecida lição!
 
E de facto o Trump pode apresentar esse acordo como o UK kissing his ass...

Os ingleses cederam em larga escala e ganham uma tábua de salvação para três setores que ficaram à beira do colapso:

* aço e alumínio voltam a ficar isentos de tarifas.
* Carros, passaram de 2,5% em março, para 10% e com quotas máximas, (mas menos do que os 22,5% de abril)
* Motores de avião da RR isentos de tarifas.

O resto das exportações para os EUA passaram de uma tarifa entre 0 e 2,5% para 10% base.

Já os EUA, em troca de as tarifas serem apenas aumentadas em 4 vezes, ganharam:

*A redução das tarifas médias do UK sobre produtos americanos de 5,1% para 1,8%,
* há a eliminação de uma série de barreiras não tarifárias que garantem o acesso alargado ao mercado de produtos agrícolas e alimentares,
* garantem enormes contratos industriais como a compra de 10 mil milhões de dólares em aviões Boeing (uma grande facada para a Airbus)



É só um primeiro acordo, mas não foge muito do guião que para mim iria acontecer e que expus aí há uns dias.
 
E de facto o Trump pode apresentar esse acordo como o UK kissing his ass...

Os ingleses cederam em larga escala e ganham uma tábua de salvação para três setores que ficaram à beira do colapso:

* aço e alumínio voltam a ficar isentos de tarifas.
* Carros, passaram de 2,5% em março, para 10% e com quotas máximas, (mas menos do que os 22,5% de abril)
* Motores de avião da RR isentos de tarifas.

O resto das exportações para os EUA passaram de uma tarifa entre 0 e 2,5% para 10% base.

Já os EUA, em troca de as tarifas serem apenas aumentadas em 4 vezes, ganharam:

*A redução das tarifas médias do UK sobre produtos americanos de 5,1% para 1,8%,
* há a eliminação de uma série de barreiras não tarifárias que garantem o acesso alargado ao mercado de produtos agrícolas e alimentares,
* garantem enormes contratos industriais como a compra de 10 mil milhões de dólares em aviões Boeing (uma grande facada para a Airbus)



É só um primeiro acordo, mas não foge muito do guião que para mim iria acontecer e que expus aí há uns dias.

Este acordo anda a ser negociado há uns 7 anos.
 
Este acordo anda a ser negociado há uns 7 anos.


Andavam há 7 anos a negociar um remendo rápido para as tarifas do "dia da libertação"?

Isto não é nenhum acordo de comércio livre... O Keir Starmer pode apresentar isto como quiser para salvar o coiro, mas as coisas são o que são, e isto é uma cedência enorme para aliviar o garrote aplicado pelos EUA. O UK baixou as suas tarifas para 1/4 em troca de um aumento das tarifas americanas em 4 vezes. Se queremos chamar a isto um acordo de comércio livre negociado durante 7 anos... Bem, cada um acredita no que quer.
 
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