Um furo de esforço acima dos PPR, mas ainda dentro da banca nacional, são bancos como o BiG e o BEST que dão acesso a fundos internacionais tipo Pictet, Nordea, etc. Os preços são razoáveis (alguns com 0.6% de comissões). Pelo menos no caso do BiG também podem dar acesso a uma plataforma de negociação internacional onde há ETFs de toda a espécie, incluindo ouro e BTC.
Também pensei em sugerir isso, não o fiz porque os fundos que vejo comercializados (pode haver mais porque eu não conheço as ofertas dos bancos todos) por norma são escolhidos a dedo para serem os que mais comissões geram. Há uma pequena seleção de fundos relativamente baratos, mas ou são fundos de índices de regiões como os Pictet-index, o que obrigaria a uma gestão ativa das alocações por forma a ter uma diversificação global, ou são fundos de tesouraria. Tudo o resto ultrapassa alegremente o 1% de comissão de gestão e alguns chegam ao ponto de passar os 2,5%.
Honestamente para quem gere patrimónios a sério, hoje há muitas alternativas e muito baratas, os bancos portugueses (incluindo o BIG ou o BEST) claramente não querem competir nesse campeonato dos custos baixos, vêm os fundos de investimento como uma forma de lucrar com a inércia e com a ignorância. E os fundos internacionais que decidem comercializar representam precisamente essa aposta nesse segmento alvo, os que têm fundos nacionais próprios ainda adotam posturas mais predatórias, com comissões de gestão altas, comissões da entidade depositária também altas e custos de transação elevados, em alguns casos ainda têm comissões de performance e nos piores casos são fundos de fundos, o que significa que a sociedade gestora em Portugal cobra principescamente e nem sequer gere nada, limita-se a comprar 3 ou 4 fundos internacionais, que também têm as suas comissões e custos... É uma matrioska de despesas.
Só que no final do dia, o investidor só ganha o que o mercado dá e o intermediário não comeu.
Pelo menos nos PPR's nota-se que começa a haver alguma competição e têm aparecido alguns produtos mais interessantes. Ainda recentemente a Casa de Investimentos anunciou uma descida significativa das comissões de gestão que cobram e fundos semi passivos e com uma diversificação muito grande e bem estruturada como o PPR GOLDEN SGF ETF, com comissão de 0,75%, para a realidade portuguesa são muito bons. A isso acresce a fiscalidade imensamente mais favorável que permite ao fim de 8 anos ter IRS a 8,6% ou mudar de estratégia, transferindo o PPR, sem pagar mais valias.
Numa fase inicial e quando nitidamente não há nenhum plano, ou sequer ideia de como fazer um plano coerente, acho que o plano mais eficaz de todos é apostar num fundo diversificado, que tenha essencialmente ações e um pouco de obrigações para amortecer as quedas, e investir todos os meses sem pensar muito no assunto e essencialmente sem desviar do rumo quando os mercados andarem mais loucos. tentar fazer gestão ativa, sem experiencia, sem saber por experiência de uma crise a sério, qual é a nossa tolerância ao risco, e sem ter confiança no processo a longo prazo, é normalmente a receita para o desastre, o típico: comprar caro porque está na moda e vender barato na primeira queda porque se entra em pânico.