vsfce,
Respeito plenamente a tua opinião.
No entanto, tornar o processo cego só iria afastar as pessoas de adoptar, porque não queriam "arriscar na rifa":
- um gandulo de 15 anos que não respeita ninguém, quando idealizavam um bebé e de preferência uma menina
- um negro, quando isso seria motivo de exclusão social perante amigos e família (sim, não vamos ser ingénuos ao ponto de dizer que este tipo de racismo já não existe)
- um miúdo com paralisia cerebral e 99% de incapacidade,
- etc.
E aqueles que tentavam a sorte, muito provavelmente estavam sujeitos a uma situação de tal tensão que poderia culminar com o divórcio e mais um lar desfeito com o qual ninguém sairia a ganhar.
No meu caso, e mais uma vez desculpem o meu egoísmo, se essas fossem as regras, preferia não adoptar e assim se perderia um lar e uma família nuclear funcional.
Eu compreendo esse egoísmo, apesar de não concordar com o mesmo. Qualquer pessoa deseja ter um filho saudável e que cresça dentro dos valores/parâmetros aceites pela sociedade, no entanto, nem sempre isso acontece e é nesses casos que entra o amor incondicional. Esse amor deve prevalecer sobre qualquer doença, qualquer discriminação social, sobre tudo porque isso é ser Pai. É aceitar todas as virtudes/defeitos, é amar o seu filho e ajudá-lo a crescer e dar o melhor que podemos/sabemos...
Eu sei que se o processo fosse cego a maioria não arriscava, no entanto, o processo natural também é cego e não é por aí que as pessoas rejeitam os seus filhos...bem, alguns rejeitam mas esses para mim não são pais, são apenas procriadores.
Acho que no caso em questão também existe um estigma em relação à doença porque a esquizofrenia pode ser controlada e a criança pode ter uma vida normal, desde que nunca lhe falte a compreensão e o amor dos pais.
Eu sei que a maioria partilha a tua visão porque é mais fácil adoptar uma criança saudável e que cumpra determinados parâmetros para a sua inserção ser mais fácil, no entanto, surgirão sempre dificuldades na educação de uma criança e não é por evitar essas dificuldades no imediato que elas não poderão surgir futuramente, portanto, para mim quem não está preparado/predisposto a aceitar essas dificuldades agora também não o estará se elas eventualmente surgirem no futuro.
Mas, e para que fique claro, não sei se neste caso em concreto os pais sabiam da existência desta doença, portanto, caso soubessem deviam ser proibidos de voltar a adoptar, caso não soubessem e se não estivessem predispostos a adoptar uma criança com esta doença devem apurar-se responsabilidades porque no meio disto tudo, a única pessoa que sai bastante prejudicada é a criança.