Eu percebo a posição da Danone, que é mãe e a quem estas questões tocam mais. Eu imagino que não seja nada fácil lidar com o facto de se pensar no futuro de uma família com uma criança esquizofrénica mas também é certo que já não estamos no século XVIII e a esquizofrenia já não é o demo. Bem medicada e convenientemente acompanhado o doente pode levar uma vida completamente normal.
Se acarreta muito mais trabalho e dispendio financeiro? Sim, implica e é preciso ter isso em conta.
Mas e a criança de 12 anos que pela segunda vez voltou a ser abandonada ninguém pensa? É uma criança que está no meio desta história e acho que deveriam ser apuradas responsabilidades. Não sabemos se os pais sabiam efectivamente da doença e a criança teve uma crise e eles se assustaram ou se simplesmente foram omitidos factos.
Acima de tudo, o que eu retenho é que existe uma menina que achou que finalmente poderia ter uma familia e que ao fim de 15 dias isso se desvaneceu. E há ainda outra coisa, se este casal já nutrisse um carinho especial por esta criança não teria coragem para a devolver, fico com a ideia que eles desistiram mesmo antes de tentarem.