Depois verificamos que mesmo vendido 2 mil euros mais barato, a Audi encaixa mais cerca de 7 mil euros sem espinhas porque o C6 paga mais impostos.
Duvido que na rua o Audi consuma menos o suficiente para ser beneficiado em impostos daquela forma.
A Citroen dá um combinado de 7.4L e a Audi de 6L, perante o que se vê na rua e perante estarmos a falar de 3L diesel com 240cv e cerca de 1800kg diria que a Citroen está a ser mais realista do que a Audi.
Se por um lado as suspensões da Citroen aumentam o consumo, o Audi também tem o 4WD, adorava ver ambos os exemplos na pratica e queria ver como é que o Audi faz 7.2 em cidade...é menos que a média do Citroen o que me parece completamente falso.
Conheço carros do segmento abaixo com motores recentes, folgados e bastante mais pequenos e leves que fazem mais de 7.5L em cidade sem puxar por eles.
O problema nisto tudo é que o C6 faz uso de equipamentos, mecânica e construção de carroçaria que lhe fazem disparar o preço de fabrico. Depois ainda temos de juntar um fator bastante importante que é os custos por ser um modelo de baixo caudal, os que mais vendem alem de conseguirem poder esmagar as margens acabam por ainda ganhar mais e ter muito mais economia de escala.
Enquanto um C6 vendeu pouco mais de 23 mil, um Classe E vende acima de 1 milhões facilmente no mesmo espaço de tempo, só com este facto o mesmo carro fica imensamente mais barato pelas economias de escala e pela rentabilidade da unidade fabril porque há custos idênticos fazendo mais ou menos carros, o tal problema da taxa de ocupação que está arruinar a maioria das marcas das massas.
Neste segmento as alemãs e outras que vendam razoável com símbolos premium têm a vida facilitada porque apenas têm que se preocupar em fazer um carro o resto têm garantido, seja ele mais feio ou mais bonito, melhor ou pior muita gente compra marcas e as mais populares por algumas razões ganham.
Nas generalistas todas isso é complicado porque não têm vendas garantidas porque o seu símbolo não vende por si só, depois ainda têm a dificuldade em vender os carros caros com poucos equipamentos e ainda pedir balúrdios por causas banais na forma de extras ou ainda ter as mesmas economias de escala previstas que influenciam o custo dos componentes ou até o orçamento dado pelas fabricas que os montam.
Ainda se pode juntar a tendência do mercado e da "agência de rating" da coisa no que toca a valores residuais, ainda os carros não saíram já estão a levar com valores que vão em tudo continuar a tendência anterior e dessa forma perpetuar um percurso e matar a continuidade de certos produtos porque nestes segmentos a grande maioria são para empresas onde os valores residuais vendem carros (um BMW pode ficar no mesmo espaço de tempo mais barato que um qualquer generalista pelo simples facto que está a incidir cálculos para valores residuais inferiores) por isso mesmo com produtos excelentes na concorrência são sempre as mesmas 3 a vender imensamente mais. Se estivéssemos a falar de diferenças pequenas, mas estamos a falar de diferenças astronómicas que nunca na vida vamos conseguir justificar pelas qualidades intrínsecas do carro em sí.
Se o mercado de forma pontual mostrasse que existe, neste segmento uma relação direta entre as características do produto e as vendas todos os concorrentes das 3 alemãs não venderiam tão pouco, nem sequer existia tal fosso.
Por exemplo em Portugal um 607 vê-se mais que um S-type ou mesmo um S80 da mesma geração, mas vêm se mais Classe E...e será que esse Mercedes em 2000/2001 era melhor que aqueles mais recentes? podia ser algumas coisas mas se não fosse a marca Mercedes duvido que vendesse mais que os outros porque estava obsoleto visualmente logo para começar, até na Alemanha que podiam contornar a coisa o 607 ficava sempre melhor classificado nas comparações entre eles.
Fatalmente a "agência de rating" é alemã, e as 3/4 marcas mais valorizadas em usados são as deles e muita valorização por parte do publico e stand já vem precisamente por pairar no ar essa ideia preconcebida de que desvalorizam menos quando existem produtos nas mesmas classes com melhor aceitação pratica em usado mas nem por isso desvalorizam menos porque se justifica com as tabelas.
Enquanto houverem marcas levadas ao colo em termos comerciais pelas regras dos mercados, o mercado não se altera e há marcas com oportunidades e competências que não podem agir porque lhes cortam as pernas. Quando estoirarem marcas de grandes dimensões na Europa muita coisa vai mudar, porque uma coisa são 1000, 2000 para a rua ou são 50 mil ou mais num pais.
A meu ver nunca devia haver desvalorizações programadas que influenciam as vendas em novo e até chegam a matar produtos competentes. Esses valores são cegos perante o grau de desgaste dos veículos, chegamos a ver no mesmo segmento carros muito mais desgastados mais caros que outros com metade do desgaste só porque têm a marca X e é mais bem cotada na sua desvalorização. Como as pessoas pensam que é mesmo assim e não há nada a fazer pagam pequenos balúrdios por carros com elevado desgaste porque é daquela marca.
No mundo real muitas das características que neste e noutros foruns achamos que são os fatores de venda e o que interessa nem sequer são conhecidos pelos donos dos carros. Muita gente nem sequer lê revistas que até é onde muita gente aqui ganha as suas convicções para depois vir defender as suas opiniões sem experiência.