Afinal de contas, é logo ali, 2278 metros depois de começar a ponte sobre o Tejo, que se impõe a fronteira da cidade mais próxima de Lisboa. É um dos caminhos para a Outra Banda mas, provavelmente, trata-se somente da não-Lisboa que ali começa ou de outra coisa feita de emigrantes oriundos do resto do país que partilham o sonho de ser outra coisa que não a periferia do centro do mundo. Por isso se aproximam, sem (quase) nunca chegarem lá, alimentando a raiva surda própria de quem não quer apenas sobreviver. A pouco mais de dois quilómetros de distância, esses sonhos podem transformar-se em realidade. As ilusões nunca. Assim também são as bandas de Almada - as de hoje e as de ontem -, extremistas nos seus intentos, radicais nos meios que utilizam, duras e cruas como a realidade já longínqua da Lisnave mas com a ternura agridoce das noites da Costa da Caparica.