A saída do Schumacher é algo que acaba por ser natural em virtude das circunstâncias actuais do plantel e do momento da sua carreira. Acho que nunca deveria ter regressado pois não tinha nada a provar e como saiu em alta, quase sempre um regresso significa sair "menos em alta". Mas lá que teve coragem, lá isso teve.
Nunca fui um apreciador do dito, muito por culpa da sua postura. Jamais o acharei o melhor de todos. É um piloto fantástico mas não está, para mim, no grupo de elite. Os números são fantásticos (os melhores) muito por via de ter corrido anos quase sem concorrência ao seu nível. Quando se cruzou com um Villeneuve, um Hakkinen e um Alonso ao seu melhor nível, perdeu a batalha com estes. Apanhou ali o fim de uma geração e depois uma fase em que a qualidade e quantidade não abundava.
Vamos lá a ver, ele competiu no inicio da carreira na F1 contra o Williams-Renault, um carro que ano após ano, foi o alvo a abater. Os pilotos não eram a nata de todos os tempos da F1 mas ainda assim tinham talento.
Depois de ter sido campeão em 94 e 95 (não vamos voltar à história do Hill, já todos sabemos o que se passou...), em 1996 foi a estreia com um carro de um contrutor que andava muito mal, como sabem.
Em 1997, discutiu o titulo com o Villeneuve, no 2.º ano com a Ferrari.
Em 1998, discutiu-o com o Hakkinen e, se bem se lembram, um incidente muito estranho em SPA retirou-lhe 10 pontos em comparação com o rival. Ainda assim, na última prova estava somente a 4 pontos do titulo, conseguiu a pole-position e foi o mais rápido no warm-up, etc, tudo indicava que poderia campeão. Mas teve um problema na partida e largou lá de trás, durante a corrida ainda recuperou até 3.º, altura em que passou por cima de detritos deixados por uma colisão entre dois carros e rebentou um pneu. Parece que simplesmente não estava destinado a ganhar esse titulo.
Em 1999, partiu a perna.
2000-2004 campeão. Em 2000, foi renhido com o Hakkinen e em 2003 com o Raikkonen.
2005 foi o ano-não da Bridgestone, como sabem. Completamente irreconhecível.
Em 2006 disputou o campeonato com o Alonso até à última prova, apesar de no GP do Japão (outra vez) a quebra do motor (algo que já não acontecia na Ferrari havia "paletes de séculos") lhe ter retirado praticamente a esperança de ser campeão, quando estava a liderar confortavelmente a prova.
Posto isto, não concordo que os campeonatos tenham sido um passeio (talvez o de 2001 e 2002) nem que a concorrência era fraca.
Há um mérito que lhe dou de caras nesse período e esse é o ter sido a face visível e força motivadora e aglutinadora da Scuderia, que culminou talvez na fase mais dominadora da história desta mítica equipa e que tantos títulos conquistou. Para a Ferrari e para ele.
Mas jamais me esquecerei de muitos momentos em que o seu mau feitio (e não confundir com competitividade) veio ao cima. O Villeneuve que o diga, quando o Schumi percebeu que o canadiano estava por cima em Jerez de La Frontera (97) e atirou - literalmente - com o carro para cima do canadiano. Lixou-se, pois ficou na escapatória e o Williams lá seguiu. Ou como na disputa do título com o Hill, vendo que este estava mais rápido (Austrália 94 se não me engano), "meteu" o carro de forma a colidirem. E lá ficou o Hil com a suspensão traseira direita nas couves, acabando ali a luta. E podia continuar como "n" episódios com o Coulthard, etc, etc.
Também nunca lhe perdoei, aquando do fatídico acidente do Senna, os comentários dele acerca desse mesmo acidente, dizendo que teria sido um erro do brasileiro e que a ele isso não aconteceria. Na altura nenhum piloto sequer aventou essa hipótese perante o dramatismo de tudo, mas ele, muito seguro de si mesmo, atirou com esta. Depois retratou-se.
Ele gostava do Senna, portanto, mais fácil se torna perceber que ele só soube da tragédia mais tarde, como foi dado a conhecer pela comunicação. Daí a atitude menos sensivel. Não sei porque insistem, já lá vão 18 anos, em bater na mesma tecla.
Já o seu regresso teve o condão de aumentar o respeito que tenho por ele. O seu talento é imenso mas a suas capacidades humanas sempre foram um ponto fraco, factor este que ele emendou neste regresso. Voltou descontraído, afável, com aquele ar de que sabe muito daquilo e que vinha para se divertir. E penso que ele conseguiu isso. Já não tem a rapidez de outros tempos mas continua bem rápido. Além disso, em termos de domínio técnico e pormenorizado da mecânica, é capaz de ser o melhor piloto em actividade, fruto da experiência e da sua sensibilidade técnica. Sempre esmiuçou tudo ao pormenor e assim há-de ser até ao último quilómetro da sua última prova.
Outra coisa que sempre associarei é a sua capacidade física. Simplesmente impressionante. Até hoje não me lembro de ver um piloto tão bem fisicamente, sempre num aprumo de forma impressionante. Quantas corridas não vi em que todos acabavam esbaforidos, com ar de quem não podia com um gato pelo rabo e lá vinha o Schumacher, com o cabelo praticamente seco, com um ar de quem tinha vindo de uma sala com AC[

].
Para terminar, penso que a perda de rapidez se nota mas é algo normal. O que terá "prejudicado" mais a sua performance pessoal terá sido aquela lesão grave no pescoço que sofreu numa corrida de motos, quando andou com aquela mania que queria ir por essa via. Regressou à F1 depois disso mas muito se especulou acerca do desconforto que isso lhe causaria.
Claro que a saída dele fica também manchada com as temporadas fraquíssimas da Mercedes. Mas não foi por culpa dele. Errou aqui e ali mas também nunca teve um monolugar competitivo para se bater pelos melhores lugares.
Agora vai curtir uma reforma super, hiper dourada!
PS: Para mim, o melhor de sempre, abandonou a F1 no dia 1 de Maio de 1994.
Ele ainda vai ver o que vai fazer:
Schumacher is not ruling out taking up a non-driving role with Mercedes.
The seven time world champion announced at Suzuka on Thursday that, after a three-year comeback with the German squad, he is once again returning to retirement.
After retiring for the first time after 2006, the great German returned to the paddock as a trackside consultant for Ferrari.
And Mercedes chiefs Dieter Zetsche and Norbert Haug have now offered Schumacher a similar non-driving role for 2013 and beyond.
Schumacher said on Thursday he is not ready to decide what to do next.
"It was the same with my first retirement," he is quoted by Auto Motor und Sport.
"Once the season ends, I'm going to ask myself what I want to do with my time.
"There are ways for me to continue to work within the group," Schumacher added.
He dismissed the speculation he could have kept racing with Sauber or Williams.
"I have not thought about it," said the record winner of 91 grands prix, "because I didn't want to do that."