Relativamente ao aspeto do Mazda3, só mesmo vendo ao vivo que o carro não é o mais fotogénico. Do que tenho lido, ao vivo é mais atractivo.
Só tive alguns encontros fugazes com algumas unidades na estrada, pelo que ainda carece de uma avaliação mais aprofundada.
Mas indo ao elefante na sala, a traseira do hatch. Tive oportunidade de ver o concept Kai ao vivo, e esta solução estava magistralmente conseguida.
Como costuma acontecer, na transição para a produção perde-se sempre um pouco — faltam as rodas maiores do concept para servir de contraponto ao mar de chapa, por exemplo.
Também acho que a superfície vidrada lateral é muito pequena (deve ser cavernoso nos bancos de trás), mas aquela larga superfície ininterrupta entre o pilar C e a carroçaria está com uma execução excelente, fluindo harmoniosamente, e para isso, muito contribui o pronunciado "kick" de remate da área vidrada.
Em todos os shops que já vi (tentando definir uma maior área vidrada), acaba por gerar novos "problemas", não só nessa superfície, cuja fluidez sofre um corte mais abrupto na transição do volume superior para o inferior da carroçaria, como afecta a relação entre o "kick" e o seu prolongamento virtual em direcção ao spoiler traseiro.
Ou seja, as photoshopadas teriam de ser bem mais profundas para acertar o restante desenho aos novos contornos da área vidrada.
É um problema de resolução complexa. Captou o meu interesse.
Considerando os resultados dos shops, continuo a achar que a solução da Mazda ainda é a melhor conseguida em coesão, apesar de achar que o predomínio da estética sobre aspetos mais práticos de utilização do automóvel mereça crítica, já que se trata de um cinco portas.
Do meu ponto de vista, acho que este Mazda 3 é a "reencarnação" dos 323 F da década de 90 — cinco portas, mas desenhado como se tivesse só duas.[

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Estou a adorar é a modelação daquela superfície lateral ininterrupta da dianteira até à traseira e de cima para baixo.
Os tipos demoraram dois anos para conseguir industrializar uma superfície com uma geometria extremamente sofisticada e complexa, sem um vinco à vista. A forma como a luz se comporta naquela suave concavidade lateral é intrigante e fascinante.
Nos concepts RX Vision e Coupe Vision o efeito é ainda mais dramático, mas kudos para a Mazda por ter conseguido industrializar uma solução que tinha tudo para correr mal.
Aquela superfície não surgiu num sketch, é tudo obra saída diretamente das mãos dos modeladores, ou o termo correcto será mesmo escultores.
A Mercedes gaba-se da sua Sensual Purity, que estão a acabar com os vincos e tal. Meninos! Que ponham os olhos na Mazda. Está a léguas de distância, tanto a nível conceptual como de execução.