Estatuto é um conceito universal.
Mas a nossa definição de estatuto vem exactamente da interpretação romana do mesmo. Tem um duplo sentido: situação da pessoa a nível de propriedades e situação da pessoa no seio da Res Publica.
Ora, para um romano o estatuto media-se através do seguinte:
Authoritas - o quanto a sua opinião era respeitada
Virtus - a coragem do romano na guerra
Honos - a honradez do romano
Fundus e Villa - propriedade agrícola com as suas casas, que quanto maior e mais rica, mais importância dava ao romano
Cursus honorum - a "via da honra", ou seja, a participação política dele: tribunos da plebe, edis da plebe, edis curuis, questores, censores, pretores, cônsules.
Hoje em dia será o mesmo para o português:
Valor dado à nossa opinião
Se somos considerados pessoas de coragem, capazes de enfrentar problemas
A nossa seriedade e honradez
A nossa riqueza e propriedades, imobiliária e mobiliária
Vida política, especialmente participação em órgãos da República, centrais ou locais
É por esta razão que, na ideia de certas pessoas, se liga o estatuto à posse de um determinado número de bens, neste caso de um automóvel como um Mercedes-Benz A.
Mas, voltando aos nossos antepassados, isso é o mesmo como acontecia durante o tempo de Roma: um romano herdava 0,5 hectares de terreno (o denominado heredium - o terreno de um cidadão), mais tarde conseguia para si a sua família uma pequena villa com um fundus de 5 hectares. Óptimo não é? Mas o que é que se compara a um romano com 10.000 hectares de terreno, tal como existiam alguns no sul da Lusitânia, no convento Pacense?