Temos de esclarecer aqui uma coisa.
Seria possível mover um camião de 30 toneladas numa subida com 8% de inclinação com um motor com potência máxima de 50 hp e binário máximo de 50 nM.
As rotações do motor podem sempre ser desmultiplicadas de forma a criar mais binário nas rodas.
Imaginemos um motor com binário de 50 nM a 7000 rpm; se desmultiplicarmos as rotações do motor de forma a serem necessárias 100 rotações para as rodas darem uma volta passamos a ter nas rodas 5000 nM a 70 rpm. Não chega? Desmultipliquemos por 1000 e passamos a ter 50000 nM a 7 rpm.
Até poderíamos substituir o motor por uns pedais de bicicleta e uma pessoa seria capaz de fazer o camião de 30 toneladas fazer a subida, nem que para isso precisasse de dar 1000 voltas aos pedais para andar 1 metro, demoraria tempo mas subiria.
É fundamental perceberem os parágrafos anteriores para perceberem a natureza do binário e potência.
A partir do momento em que o binário pode ser multiplicado nas rodas através de uma transmissão torna-se irrelevante saber o binário por si só. Podemos sempre sacrificar rpm para obter nas rodas mais binário ou vice-versa, o que se mantém constante é a potência.
O binário vezes as rpm, ou seja a potência, é que nos vai dizer
quão depressa conseguimos fazer o camião subir, porque subir ele sobe sempre independentemente da potência ou binário, desde que se faça a desmultiplicação necessária ele sobe, mais ou menos devagar consoante a potência.
Mas na prática, todas as máquinas pesadas ou que têm que lidar com enormes inércias usam motores pouco rotativos e com elevados binários.
Porque será?
Porque de ambas as formas obténs potência. Tanto podes ter um motor com pouco binário mas muito rotativo, como podes ter um motor pouco rotativo mas com muito binário.
O que tu não tens é veículos pesados com pouca potência, a não ser que sejam lesmas.
(= incapazes de ganhar velocidade rapidamente)
Sim, sim mas a questão é que uma Yamaha R1 com os seus 200 cv para rebocar um atrelado de 10 toneladas borra-se toda, saltam os pistões, etc. e não consegue mexe-lo, enquanto um tractor agricola de 200 cv faz uma subida de 10% a rebocar as 10 toneladas na boa.
Os 900 nm em vez dos 112 devem fazer alguma diferença [

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Porque a Yamaha não tem uma transmissão que faça a desmultiplicação necessária (nem as rodas teriam tracção necessária).
Costumo dizer isto imensas vezes [

] Até podem dizer que têm 350 CVs... não me diz nada até saber o resto.
Viva o binário medido em tempo! [

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Se a potência máxima pouco te diz, o binário máximo ainda menos diz.
Mas qual potência? A máxima ou a curva de potência?
Já não estou a perceber nada...
A curva de potência é importante para as acelerações no sentido em que as rpm estão a aumentar e obviamente se a potência só está disponível numa faixa muito estreita torna-se pouco prático acelerar.
A questão é,
se tu queres acelerar o carro ao máximo ou subir facilmente uma subida precisas de manter as rpm dentro da faixa onde a potência é mais elevada.
A curva de potência permite saberes isso de forma directa, a curva de binário não.