Sinceramente, até me admira como a Renault deu luz verde a este projecto nesta altura do campeonato.
A luz verde inicial já foi há algum tempo (2012) e não nos podemos esquecer que isto começou com um projecto comum com a Caterham (seria chamado C102). Aliás, foi a Caterham que abordou a Renault em 2011, com o Tony Fernandes a enviar uma carta ao Ghosn que, por sua vez, instruiu o Carlos Tavares a dirigir o projecto.
Ainda chegaram a fazer maquetes.
As divergências técnicas eram muitas. A Caterham queria motor em posição dianteira recuado para um longo capot a puxar a um perfil reconhecível como o Seven, a Renault atrás do eixo traseiro (à lá 911 e A110 original). Chegaram a uma solução de compromisso com posição central e o C102 teria um overhang frontal como podem ver nessa maquete.
A Renault tinha duvidas do uso extensivo do alumínio (provavelmente porque não tinha tecnologia na matéria), mas a Caterham tinha algum knowhow via um engenheiro que tinha participado no desenvolvimento do chassis do Elise para a Lotus.
Depois em 2014 a jointventure ("Automobiles Alpine Caterham"
) chega ao fim. Já desde meados de 2013 a Caterham já não conseguir injectar dinheiro no projecto e só a Renault cumpriu o esquema de financiamento.
A Renault compra os 50% da Caterham e decide continuar sozinha apenas em meados de 2015, ano em que era suposto tanto o A110 como o C102 serem lançados de acordo com o plano original. O Ghosn não queria prosseguir inicialmente, portanto ali em 2014 o projecto ficou num slowmotion/freeze grande.
Depois um dos grandes argumentos era que o grosso do investimento já estava feito (primeiro chassis e carroçaria totalmente em alumínio com junção por cola) e a RenaultSport já tinha subido o displacement do 1.6 usado no Clio IV RS para 1.8 de modo a conseguir atingir os 250cv mínimos que eles consideram para a potência que o carro devia ter.
As más línguas dizem também que era preciso dar uso/justificar Dieppe, nomeadamente porque o plano de ajuda do Estado francês na altura da crise 2009-2011 impedia que se fechasse qualquer fábrica em solo francês [

], essas condições ainda se verificavam em 2015 e Dieppe não conseguia manter com um mínimo de rentabilidade a produção dos RS.
O certo é que o Alpine Vision Concept sai em 2016 e eles apresentam a versão de produção em 2017 e começam a comercializar os PE em 2018.
E talvez este desenvolvimento longo tenha ajudado a aprimorar nomeadamente os ajustes da suspensão que são o que torna o A110 especial. Ok, a fórmula está toda no sitio certo, saíram apenas ligeiramente off no peso em cerca de 80 Kg face ao definido originalmente (1 ton).
Btw, pelo meio o interior aburguesou-se até, a ideia inicial era ser uma versão manhosa modificada do Clio IV [

]