Fui investigar e aqui o problema é outro quem levou a banhada foi a MBM, fica a notícia para que não encontrou.
Empresa de automóveis acusa ex-funcionários, três sociedades e vários particulares de criar esquema paralelo de vendas para desviar pagamentos, que terá durado dois anos. O processo dá entrada na Justiça em Novembro.
Em Junho, uma multinacional chinesa comprou um Aston Martin por 189 mil euros para transportar o presidente quando este visita Portugal. Um mês depois pediu à MBM Mobile uma segunda via da factura, mas na sede, em Coimbra, não havia qualquer registo contabilístico e financeiro da operação. Foi este o fio puxado pela empresa de consultoria e comercialização de automóveis para detectar o "novelo" de um esquema de actividade paralela que, segundo provas já recolhidas, terá começado em 2012 e ganho maior relevo a partir de 2013, contou ao Negócios o administrador, Ricardo Rocha.
O comprovativo da transferência chinesa ajudou a identificar os beneficiários e o procedimento é explicado de forma simples: as viaturas eram anunciadas no portal – muitas colocadas pelos fornecedores à consignação – e um grupo de funcionários, entretanto dispensados, usava ferramentas de marketing da sociedade para angariar os clientes. A aquisição era feita debaixo do tecto da empresa, porém, as vendas não eram imputadas à MBM, mas desviadas para beneficiar outras empresas e particulares. "Neste sector, as pessoas estão mais preocupadas em colocar o carro em nome delas e só mais tarde, se precisarem, é que requisitam o recibo ou factura", frisou o empresário.
Nos últimos três meses encetou uma investigação interna para detectar os infractores, desmontar a rede e reunir provas. Quatro funcionários (mais outros dois sem contrato de trabalho), três empresas – só uma do ramo automóvel – que patrocinavam essa actividade e ainda cinco particulares são, para já, os alvos da denúncia que avançará este mês. A equipa jurídica está a terminar a preparação do processo, que Rocha antevê "complexo", pois envolverá também os "novos" clientes, que sabiam estar a comprar carros desviados do "canal normal" para beneficiar de "descontos muito acima do permitido".
O gestor apontou a "confiança" como semente. É que, com a "cobertura de outros" de Norte a Sul, um dos alegados cérebros era o "líder comercial" da empresa. "Era o meu ‘braço direito’, tinha níveis de produtividade muito acima da média e autonomia para comprar, vender e contratar sem consultar a administração". "O maior crime é de concorrência desleal. A nível fiscal duvido, pois o fluxo financeiro seria justificado contabilisticamente por aquelas empresas", acrescentou. Os processos judiciais avançam na "perspectiva unicamente financeira", para "ir atrás do dinheiro".
Os prejuízos para a MBM, criada em 2005, ainda estão em apuramento. Em termos de inventário, já se sabe que há 600 mil euros de viaturas que foram "negócio totalmente ruinoso", com a saída do carro, do documento e factura sem a entrada de capital. Na facturação, as projecções apontam para perdas absolutas de cinco milhões de euros. Após aumentos consecutivos a dois dígitos, as vendas quebraram 30% entre 2012 e 2013, para 6,6 milhões de euros. Em 2014, até Setembro, já estavam registados desvios de dois milhões, incluindo luxuosos Aston Martin, Porsche e Ferrari.
António Larguesa
Jornalista