Conheço muito bem esses apartamentos de Alvaldade.
São um autêntico pardieiro.
Áreas minusculas (os T3 têm 70 m2, ao contrário da informação que está nesse anuncio - mal cabe uma cama no quarto).
Prédios de construção com custos controlados (portanto, com tudo do mais barato possível a nível de estrutura).
O vizinho dá um peido e tu ouves o peido dele como se estivesse ao teu lado, no teu apartamento.
Aviões passam a razar os telhados.
Todo o prédio parece um bloco de um bairro social.
Sobre as áreas não há discussão possível. São pequenas. Mas quanto à construção não é exatamente assim. É verdade que o bairro foi projetado na sua maioria para arrendamento a custos controlados, mas está desde o início muito longe de ser um bairro social. Pelo contrário, a opção por células de várias tipologias e áreas diferentes, com uma continuidade urbanística plena entre elas, mostra uma preocupação clara em dar ao, na altura, bairro novo um enquadramento harmónico sem qualquer tipo de "guetização".
A própria construção assentou sobretudo em poupanças de eficiência e industrialização ao máximo dos processos de fabrico e montagem, e não no uso de materiais o mais baratos possível. Por essa razão é que hoje, volvidos mais de 50 anos sobre a construção, ainda é possível encontrar apartamentos com as janelas e portadas originais, canalizações originais, etc. Claro que são raras, porque a esmagadora maioria dos apartamentos já conheceu obras, muitas delas profundas, sobretudo desde que os apartamentos foram vendidos aos inquilinos nos anos 90.
Este projeto adoptou várias técnicas construtivas inovadoras, inspiradas em projetos estrangeiros com adaptações desenvolvidas pelo LNEC. Por exemplo, o recurso a blocos de betão para as paredes, uma quase novidade à época. Ou seja, estas casas têm uma construção frugal mas eficiente que apostou na eficiência e durabilidade sacrificando a estética e a nobreza dos materiais. O único problema crónico identificado naquelas construções foi o recursos a vigas em madeira onde assentavam os soalhos (estes prédios só tinham "placa" nas zonas húmidas - cozinha e wc), mas a sua substituição por vigamentos em aço e lages aligeiradas já ocorreu em muitos casos. Factor e ter sempre em conta se estiverem de olho num apartamento deste bairro. Nã quer dizer que não valha a pena comprar um apartamento sem placa, mas o preço tem que reflectir isso!
Já ganhei algum dinheiro neste bairro e posso afiançar que o estado geral dos apartamentos é muito razoável, raramente necessitando de obras estruturais profundas.