Em relação aos anos 80 e 90 andam por aí umas ideias muito erradas. As Amoreiras, com todas as suas lojas caras, foi inaugurada em 1985. Um jantar de luxo no Gambrinus, um dos restaurantes mais caros de Lisboa, custava 20 contos. Um almoço num restaurante normal custava 500 escudos.
O grande problema dos anos 80 era quase não haver crédito. Por exemplo, o Uno 45 em 1985 vendia-se a crédito, mas o 55s já só a pronto. Também já havia credito para eletrodomésticos, as lojas Singer já baseavam o seu negócio na concessão de crédito. O acesso a casas e carros era a grande limitação que ficou ultrapassada no final da década de 80 com a generalização do crédito para esse fim.
No lugar do spotify comprávamos discos, em vez de netflix ia-se ao vídeo clube.
Um salário de 250 contos em 1990 era de facto um dinheirão. Porquê? Porque os gastos do dia a dia eram baixos, a água, a eletricidade, o combustível, etc. eram bens relativamente baratos. Eu ia ao supermercado e com 40 contos enchia dois carrinhos de compras.
Eu penso que tudo por junto a melhor década foi a de 90, a que acabou em grande com uma porrada de inaugurações e com a expo 98. Os 80 ainda foram muito desafiantes, mas no seculo XXI estagnamos, isto é, não pioramos, mas também não demos saltos em frente como os que ocorreram nos anos 80 e 90.
Também não percebo. Quando morava em Benfica perto da mata, em dias de jogo aquilo virava um pandemónio, apesar da distância até ao estádio.
Um tipo amigo que é bancário diz que na dependência das Amoreiras eram mais os "cagões" do que aqueles que efetivamente tinham dinheiro. Foi para a zona de Pedrogão e agora conta que os tipos com património "relevante" (como ele gosta de chamar aos ricos), chegam ao banco de trator ou carrinha de caixa. aberta.