Depois de ter o problema do aquecimento resolvido rumei a Grândola para aproveitar uns diazinhos de férias que juntei ao feriado do Carnaval.
Ontem, depois de comer uns lombinhos e um resto de naco de boi da minha namorada, resolvemos ir dar uma voltinha até ao monte, terreno de família, o qual para se conseguir lá chegar é necessário fazer um caminho com um terreno muito mau, com muito buraco, valas no meio do trilho e descidas/subidas acentuadas. É claro que já fiz o caminho muita vez, tanto com o antigo Opel Kadett do meu pai, como com o Cherokee, mas (e este mas faz a diferença) sempre com o caminho seco. Ora, com as chuvas que têm caído aquilo estava tudo menos seco, mas eu armado em campeão lá me enfiei para fora do alcatrão.
O monte fica na serra de Grândola e a zona de entrada situa-se numa parte alta, mas que rapidamente começa a descer.
Ora lá me fiz ao caminho. O dia estava seco e o piso encontrava-se seco. As primeiras centenas de metros fizeram-se sem qualquer dificuldade com o piso em muito bom estado. Começo então a descer e o piso fica cada vez mais molhado e elameado. Ao mesmo tempo o caminho começa a degradar-se a olhos vistos, grandes valas e muito largas, muita, muita lama com água a escorrer pelo caminho, o qual cada vez parecia apertar-se mais.
Começo a ver a coisa cada vez mais mal parada e não havia maneira de voltar para trás. Vários pensamentos começam a atacar-me a mente: Lembro-me do meu pai me dizer para não me enfiar na serra com chuva, lembro-me do que o pessoal aqui do fórum disse de quando ir para fora, ir de preferência com mais pessoal, lembro-me de que ali eu estava isolado, lembro-me de que ainda havia muito caminho para percorrer, lembro-me de que ainda ia apanhar uma ribeira pelo caminho que quando chove está cheia e quando não chove está seca, lembro-me que tenho pneus de estrada montados no bicho e que aquilo patina por tudo quanto é sítio e finalmente lembro-me que sou um maçarico no que toca a andanças TT.
Começo a entrar em pânico! Estar ali parado ou ter o carro a afundar era a mesma coisa. Senti falta de ar. O primeiro impulso foi puxar o travão de mão, desligar o carro, sair e andar um bocado para ver o que me esperava mais à frente.
Andei uns bons 100 metros, durante os quais pensei: "bem, o chão até está bastante estável, mas uma coisa são os meus 75kg, outra são os mais de 1500 da máquina.
Chego então a uma clareira. O espaço que havia para além do trilho era claramente uma espécie de lama movediça que mal apanhasse uma roda, ela já não saía de lá. De qualquer das formas, o trilho alargava o suficiente para que com muita manobra de frente-trás, eu conseguisse inverter o sentido. O pior era conseguir lá chegar com o carro...
Voltei a galope para o carro onde a minha namorada me esperava, liguei o bicho, puxei pela alavanca do 4X4 e lá fomos. Os primeiros metros fiz com mais ou menos dificuldade, avançando lentamente, às vezes fazendo marcha atrás para corrigir, com muito nervosismo, mas lá ia avançando.
A certa altura deparou-se-me um grande buracão. Das duas uma, ou passava com as rodas, cada uma para seu lado do buraco, mas aí tinha de galgar uma a parede direita que delimitava o trilho correndo o risco de tombar o carro ou, enfiava-me lentamente dentro do buraco e rezava aos meus deuses para não ficar ali. Ocorreu-se-me uma terceira alternativa, que era tentar uma mistura entre as outras duas: tentar passar com o carro com as rodas da direita, no limite entre a parede e o buraco. É claro que iria dar asneira...
Assim que enfiei a primeira roda, ela resvalou para dentro do buraco e afundou-se violentamente na lama. O Jeep começa a tombar para o lado direito. É nesta altura que penso "Estou completamente **dido!!!". Senti um flash a passar-me a frente dos olhos. Mais tarde minha namorada disse-me que se fartou de berrar, mas eu não ouvi nada. Enfiei a marcha atrás e acelerei, o gajo dá um solavanco e sai heroicamente do aperto. Meto-lhe a primeira e galgo a **rda da parede e só parei quando cheguei à clareira.
Carro parado, carro desligado. Saí para mais uma vez ver o que me esperava. Ainda pensei em seguir em frente, mas depois lembrei-me da ribeira cheia e resolvi voltar para trás. A minha namorada lá saiu para me dar indicações, de forma a que eu pudesse aproveitar todo o pouco espaço que tinha para fazer a manobra sem atascar.
A subida, por incrível que parece, foi bem mais fácil. O Cherokee ainda patinou um bocadinho com os pneus de estrada, mas foi sempre a abrir. Saído da zona crítica de lama pude respirar fundo, chegado ao alcatrão pude dar algum descanso ao rítmo cardíaco.
Este episódio pode parecer uma cagada para alguns de vocês que estão habituados a atravessar rios ou montanhas com os vossos TT, mas para mim foi o suficiente para me assustar e bem.
Moral da história? Nem sei bem... mas uma coisa é certo, nunca mais faço passeios ao monte com tempo de chuva! Ah, e talvez na altura de mudar de pneus pense nuns que não sejam apenas de estrada!!