[Saúde] Viciados em trabalho

É por estas e por outras, que não compreendo porque raio há tanta vontade desenfreada em encerrar cursos de ensino superior, cujos quais em PT têm altos índices de desemprego.

Bom, na realidade, é bem verdade que o Estado gasta bastante na formação desses profissionais, e depois pouco ou nenhum retorno obtém da parte deles. Temos pena!

Eu, quando acabar o meu curso, se tiver hipótese de trabalhar em PT, com as mínimas e dignas condições, tenho todo o gosto em ficar. Todavia, como há muito que deixei de acreditar em milagres, há que abrir "portas ao horizonte".

Hmm eu quando disse que a nossa população era pouco qualificada referia-me a toda a população activa.

A população jovem (até aos 35) está dentro da média de qualificação da OCDE. Se incluíres toda a população em idade activa, saltamos logo para o fundo da lista.

A partir do momento em que tens uma série de cursos que produzem quantidades industriais de profissionais para os quais não consegues dar vazão ou simplesmente não há necessidade, faz todo o sentido fechar ou reduzir vagas. Principalmente quando estão a consumir recursos e a qualidade é suspeita.

Chama-se gestão de expectativas.
 
O ensino superior em Portugal tem que ser revisto, os métodos e recursos tendem a estar desactualizados e muita gente sai da universidade sem saber fazer mesmo nada de jeito. Faz falta um ensino mais prático e "mãos na massa", com forte componente prática e planos de estágios a sério para quem sai de um curso superior estar apto a começar logo a bulir. O problema é que cá este tipo de ensino para além de custar mais dinheiro e dar mais trabalho (é sempre mais fácil ter umas dezenas de alunos fechados num auditório a ver slides) ainda é mal visto por muita gente que tem o ensino altamente teórico e abstracto das universidades de velha guarda como referência.

Também é preciso mudar a indústria para fazer uso de gente formada, precisamos de fazer cá desenvolvimento invés de simplesmente reproduzir/vender o que outros criam. Isto muito lentamente já está a acontecer.

Quanto a sair, muita gente não vai porque não arranjava emprego aqui, vai porque lá arranja empregos muito melhores.

Estágios é coisa que não falta no meu curso: 4 anos, 50% teoria, 50% prática.

Em relação à qualidade, isso tem mais que ver com o Professor da Unidade curricular em causa, do que própriamente da universidade. Felizmente, grande parte dos meus, pautam pela exigência.


Hmm eu quando disse que a nossa população era pouco qualificada referia-me a toda a população activa.

A população jovem (até aos 35) está dentro da média de qualificação da OCDE. Se incluíres toda a população em idade activa, saltamos logo para o fundo da lista.

A partir do momento em que tens uma série de cursos que produzem quantidades industriais de profissionais para os quais não consegues dar vazão ou simplesmente não há necessidade, faz todo o sentido fechar ou reduzir vagas. Principalmente quando estão a consumir recursos e a qualidade é suspeita.

Chama-se gestão de expectativas.

Uma coisa são cursos que só pelo nome (tipo engenharia dos tecidos), facilmente um leigo na matéria perspectiva facilmente um futuro muito negro para os profissionais da área. Outra, totalmente diferente, são cursos que apesar de não terem muita saída em PT, são bastante procurados no estrangeiro.
 
Uma coisa são cursos que só pelo nome (tipo engenharia dos tecidos), facilmente um leigo na matéria perspectiva facilmente um futuro muito negro para os profissionais da área. Outra, totalmente diferente, são cursos que apesar de não terem muita saída em PT, são bastante procurados no estrangeiro.

Isso é uma perspectiva conveniente do ponto de vista pessoal. Quem trata das finanças de um país não pode pensar assim. Isto não é um centro de caridade em que o curso X tem de se manter para fazer um favorzinho a estes ou àqueles.

Mesmo que determinado curso seja muito procurado no estrangeiro, quem investe somos nós. Não podemos passar por cima disso como se fosse um pormenor sem importância.
 
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Isso é uma perspectiva conveniente do ponto de vista pessoal. Quem trata das finanças de um país não pode pensar assim. Isto não é uma centro de caridade em que o curso X tem de se manter para fazer um favorzinho a estes ou àqueles.

É. São perspectivas. Antes de encerrarem cursos, talvez fosse uma ideia inteligente fazerem auditorias de qualidade, e fecharem os que realmente são duvidosos.
 
Desculpa mas manter um curso com o motivo de "ah mas pode encontrar emprego no estrangeiro" é no mínimo caricato. Uma equação em que tudo pende para o lado do custo e nada para o benefício vai contra a própria racionalidade.
 
Eu acho que neste tópico anda tudo a falar de coisas diferentes.

Concordo com o Axxantis, e o seu professor, mas isso não pode ser generalizado para tudo, mas em muitos casos é "falta" de inteligência no sentido que optimizando ou automatizando certos processos o trabalho aparece feito muito mais rápido, daí o que é dito em jeito de piada por muitos superiores que preferem preguiçosos porque arranjam maneiras simples de fazer coisas complexas.

O exemplo do Karma, que eu tambem estou a ser vitima agora, de trabalhar das 8h às 16h ou parecido, não pode cair aqui de paraquedas, na europa central o metodo de trabalho não é igual, dessas 8h às 16h o tempo para almoçar é uns 30 minutos, não existe pausas para ler as noticias, beber café(no sentido de socializar..).
São 8horas realmente produtivas, onde tudo foi planeado com antecedência, e o trabalho efectuado vai exactamente ao que se pretende. E no final do dia a produtividade foi bastante superior aos que estão em Portugal, ou noutras empresas, a trabalhar até às 20h ou 21h e ainda têm orgulho nisso ( Quando trabalhei em Portugal vi pessoas a ter orgulho nisso, e juro que não percebo como se pode ter orgulho nisto, principalmente pessoas que são pais de familia ).

Claro que o karma, eu, e muita gente quando temos que dar um esforço extra, o fazemos, mas é algo com periodos temporais definidos, assim como objectivos, e se quisermos fora disso melhorar e optimizar coisas, já o fiz, o melhor é mesmo o fazer sem dar a conhecer ao resto da empresa, porque culturalmente é bastante mal visto andar a fazer horas extras, é sinal que não somos eficientes.

Mas são coisas que não é só importar para Portugal, é diferente, a começar pelo socialmente aceite fazer horas extras, onde sair na hora de saida é extremamente mal visto.

Mas uma coisa é certa, se a maneira portuguesa de trabalhar fosse boa, a produtividade não estava a meio da tabela.
 
Última edição:
Eu vejo bem o que os meus fornecedores alemães trabalham, inclusive ao fim de semana, por isso não tentemos passar a imagem que em Portugal se trabalha 12h/dia para fazer o mesmo que fora se faz em 6h.

Simplesmente existem funções e/ou responsabilidades diferentes.
 
Estágios é coisa que não falta no meu curso: 4 anos, 50% teoria, 50% prática.
Como saberás perfeitamente a área da saúde é um caso muito particular.

Quanto à qualidade é verdade que depende muito do professor, mas aí também temos o problema dos professores que já fazem parte da mobília e mesmo que não prestem para nada ninguém os manda embora (síndrome do serviço público). Depois temos outros tantos que dão aulas "por favor" e a única preocupação na sua cabeça é a tese de doutoramento e por aí fora...
 
isso é desculpa de quem não gosta de trabalhar. Essa afirmação não faz sentido nenhum. Independentemente do nível de inteligência, quanto mais se trabalha melhores resultados se obtém. Aliás o que não faltam são casos práticos de pessoas inteligentíssimas que se "mataram" a trabalhar e hoje em dia apenas são reconhecidas porque o fizeram. Se fossem inteligentes mas com pouca vontade de desenvolver essa inteligência, nunca teriam chegado onde chegaram.

Eu acho que é uma excelente forma de dizer que muitas vezes as horas de trabalho são mal aproveitadas. E que se pode fazer muito, nas horas de trabalho, se este for optimizado.
 
Continuo na casa das 60/70horas semanais.

Ainda pensei em abrir um negócio, mas em Portugal parece-me melhor deixar correr mais água e ver no que dá.

É ir trabalhando enquanto se aguenta...Quando não se aguentar logo se vê.


Acho piada a alguns iluminados aqui do fórum que têm grandes impérios e são muito bem sucedidos nos negócios...E depois vai-se a ver passam o dia aqui colados a postar! [:D] Dos empresários que conheço, e falando mesmo de mim com funções de alguma responsabilidade é raro o tempo disponível para o fórum.

Mas enfim, há que acreditar...[:D]
 
Eu acho que neste tópico anda tudo a falar de coisas diferentes.

Concordo com o Axxantis, e o seu professor, mas isso não pode ser generalizado para tudo, mas em muitos casos é "falta" de inteligência no sentido que optimizando ou automatizando certos processos o trabalho aparece feito muito mais rápido, daí o que é dito em jeito de piada por muitos superiores que preferem preguiçosos porque arranjam maneiras simples de fazer coisas complexas.

O exemplo do Karma, que eu tambem estou a ser vitima agora, de trabalhar das 8h às 16h ou parecido, não pode cair aqui de paraquedas, na europa central o metodo de trabalho não é igual, dessas 8h às 16h o tempo para almoçar é uns 30 minutos, não existe pausas para ler as noticias, beber café(no sentido de socializar..).
São 8horas realmente produtivas, onde tudo foi planeado com antecedência, e o trabalho efectuado vai exactamente ao que se pretende. E no final do dia a produtividade foi bastante superior aos que estão em Portugal, ou noutras empresas, a trabalhar até às 20h ou 21h e ainda têm orgulho nisso ( Quando trabalhei em Portugal vi pessoas a ter orgulho nisso, e juro que não percebo como se pode ter orgulho nisto, principalmente pessoas que são pais de familia ).

Claro que o karma, eu, e muita gente quando temos que dar um esforço extra, o fazemos, mas é algo com periodos temporais definidos, assim como objectivos, e se quisermos fora disso melhorar e optimizar coisas, já o fiz, o melhor é mesmo o fazer sem dar a conhecer ao resto da empresa, porque culturalmente é bastante mal visto andar a fazer horas extras, é sinal que não somos eficientes.

Mas são coisas que não é só importar para Portugal, é diferente, a começar pelo socialmente aceite fazer horas extras, onde sair na hora de saida é extremamente mal visto.

Mas uma coisa é certa, se a maneira portuguesa de trabalhar fosse boa, a produtividade não estava a meio da tabela.

Muito sinceramente não acho que a minha produtividade seja diferente, o mesmo se passa com alguns amigos meus que estão noutras empresas. Almoços de meia hora já os fazia em Portugal. E claro que dá para socializar no horário de trabalho. Agora, sair tarde, não dá, já tive que fazer coisas a contra relógio porque o tasco fecha por volta das 18.
 
Eu vejo bem o que os meus fornecedores alemães trabalham, inclusive ao fim de semana, por isso não tentemos passar a imagem que em Portugal se trabalha 12h/dia para fazer o mesmo que fora se faz em 6h.

Simplesmente existem funções e/ou responsabilidades diferentes.

Não é raro receber emails de um donos da empresa por volta das 23 ou mesmo ao fim de semana. Mas isso não impede que as pessoas estejam em casa com a família. Mas creio que isso acontece em todo o lado, é o chamado "commitment", e se fores dono da empresa és o rei dele. [:D]
 
Neste momento faço 35/semanais, salvo raras excepções onde tenho que trabalhar mais um pouco. Tenho bastante tempo livre e o ordenado chega e sobra para tudo o que gosto de fazer.

Vou brevemente deixar o meu emprego e começarei a ser o meu próprio patrão. Ou seja, prevejo um aumento de 15h/semanais, ficando-me pelas 50/h semanais. Em casos pontuais prevejo ter que fazer 60h/semanais. Contudo, a longo prazo, pretendo adaptar o meu trabalho ao meu ritmo de vida e não o contrário.
 
Não é raro receber emails de um donos da empresa por volta das 23 ou mesmo ao fim de semana. Mas isso não impede que as pessoas estejam em casa com a família. Mas creio que isso acontece em todo o lado, é o chamado "commitment", e se fores dono da empresa és o rei dele. [:D]

É muito mal sinal quando apenas o dono da empresa tem esse sentimento de compromisso, mas acaba por ser o mal das nossas empresas. Compreendo que se uma pessoa não tiver uma função desafiante acaba por não se envolver nela.
 
É muito mal sinal quando apenas o dono da empresa tem esse sentimento de compromisso, mas acaba por ser o mal das nossas empresas. Compreendo que se uma pessoa não tiver uma função desafiante acaba por não se envolver nela.

É nesse sentimento que tens de aprender a separar o vício no trabalho do compromisso.
 
É nesse sentimento que tens de aprender a separar o vício no trabalho do compromisso.

Como em tudo, é necessário haver equilíbrio. Não percebo quem deixa a família, prejudicando até a saúde, pelo trabalho. Tal como não compreendo quem faz o seu horário das 9 à 5 sem se preocupar com tudo o que o rodeia, muitas vezes com muita incompetência camuflada.

Não há regras e cabe a cada um encontrar o seu equilíbrio.
 
Como em tudo, é necessário haver equilíbrio. Não percebo quem deixa a família, prejudicando até a saúde, pelo trabalho. Tal como não compreendo quem faz o seu horário das 9 à 5 sem se preocupar com tudo o que o rodeia, muitas vezes com muita incompetência camuflada.

Não há regras e cabe a cada um encontrar o seu equilíbrio.

A incompetência tanto pode existir em quem trabalha desde que acorde até se deitar como em quem faz o horário de trabalho pelo qual é pago. Trabalhar muitas horas não é sinónimo de competência nem sequer de compromisso com o trabalho.
 
A incompetência tanto pode existir em quem trabalha desde que acorde até se deitar como em quem faz o horário de trabalho pelo qual é pago. Trabalhar muitas horas não é sinónimo de competência nem sequer de compromisso com o trabalho.

Como disse, não há regras, daí cada um é que deve definir qual a sua maneira de trabalhar. A incompetência e falta de compromisso com a empresa/projectos é sempre um caso para as chefias resolverem.
 
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