O uso da tecnologia e know how para diminuir o peso para se poder reduzir o consumo e melhorar a performance, é o caminho do futuro, e a Alfa está a segui-lo. Só há que louvar.
Só que neste momento, e face aos atuais elevados preços de produção da fibra de carbono, na minha ótica a escolha acertada seria para um modelo maior e mais potente, num segmento mais caro, onde o peso da tecnologia investida pesasse menos no peso final do produto.
Temos os TT, Z4 e SLK da Audi, BMW e Mercedes com dimensões aproximadas (apenas cerca de 10 a 20cm maiores) e preços de entrada em Portugal que oscilam entre os 40 e os 47 mil €. O Alfa deverá rondar os 75 mil.
Nenhum destes modelos faz má figura nem as marcas saem desprestigiadas.
Questiono-me então se, num carro deste segmento, será uma boa opção o uso de toda esta arquitetura leve no momento atual?
E porquê que o 4C teve de subir a parada e atacar um outro grupo onde temos por exemplo um Cayman mais potente e bem mais barato?
Eu sei que a nível de consumos e ecologia o 4C tem vantagem (eu que o diga que um sou defensor da natureza), mas será que quem vai comprar um desportivo tem no topo das suas preocupações os consumos e o ambiente?
Será que vai colocá-lo a gás ou a eletricidade?
E não venham falar de performances do Porsche, porque estamos a falar num carro que tem recebido os mais rasgados elogios pela crítica internacional.
Quem diz este, diz outros modelos de outras marcas. Daí a minha preocupação face ao preço.
Acho bem que o 4C queira ser melhor e dar um passo mais além, mas é mesmo bom que o seja, senão estaremos perante um enorme flop de vendas.
Por algum motivo outras marcas não usaram as mesmas tecnologias caras em modelos congéneres.
Teremos de aguardar pelo comportamento dinâmico, aerodinâmica, agilidade, grip, a facilidade de condução, acelerações/travagens, recuperações, o comportamento em curva, a precisão da direção a ver se é comunicativa qb, a eficiência da caixa, a estabilidade direcional, para aquilatarmos se o produto vale aquilo que se pede por ele.
Desculpem lá o meu ceticismo, mas prefiro esperar pelos números de vendas para ver no que vai dar. Espero sinceramente que as minhas reticências não tenham qualquer fundamento, pois seria bom que o modelo vendesse bem e abrisse caminho para mais modelos dentro da mesma filosofia.
Mas referi isto porque o produto não precisa só de ser bom, porque não fica numa sala de exposições, ou é oferecido ao público.
Um produto tem de ser bom, mas tem-se de avaliar corretamente o mercado que conta com concorrentes e consumidores.
São estas as variáveis que ditam o sucesso ou não de um produto.
E infelizmente a Alfa tem dado provas de falhas na leitura do mercada que dão pano para mangas. Daí as minhas...
É que além do design, sofisticação tecnológica, nível de equipamento de segurança e ajuda à condução, conforto e eficácia na estrada, um dos pontos a ter em conta são os preços combativos... o que para já, e até ver, não abona nada a favor do Alfa.
Mas provavelmente sou eu que não pesco nada da coisa e estou a criar uma tempestade num copo de água. Nota, estou apaixonado pelo carro, só receio que não venha a vingar como esperado.
Como raramente dou a minha opinião, agora já deu para fartar.[

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