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ouvi dizer que ha alguns bancos que vão á vida...bpn e bbva bye bye
e o bpi e o bcp ou são comprados ou declaram falência...
beware..
O BBVA não...procura outros começados por Fini e Popular e aí talvez...
Andei a fazer uma avaliação tão objectiva quanto possível da solidez dos Bancos privados portugueses actualmente, e cheguei à conclusão que, fora 2 casos já aqui amplamente mencionados e mais 1 caso ilhéu sobre o qual não consegui obter muita informação, os Bancos portugueses parecem ter situações relativamente sólidas.
Os 3 maiores estão bem, mas há um que se destaca pela positiva. Não vou referir o seu nome porque não me pagam para fazer publicidade, e porque a minha análise foi um exercício meramente pessoal, que vale o que vale, mas há um caso que tem alguns pontos a favor:
. Fez aumento de capital há pouco tempo
. Vendeu recentemente participações importantes, o que reforçou bastante a sua liquidez
. Um dos seus accionistas de referência é um Banco espanhol equiparado a Estado, o que nos dias que correm é uma vantagem
. É o único dos 3 grandes que ainda nunca recorreu directamente ao BCE para se financiar, o que confirma as afirmações do seu CEO, que diz ter uma situação de liquidez boa
. Tem 62% do crédito suportado por depósitos, o que é um bom indicador
. Tem um rácio de cobertura de capital interessante (se bem que neste ponto em concreto, há melhor)
Em suma, se fossem cavalos a minha aposta ia para este. Exceptuando a CGD, claro, que se se estafar a meio da corrida, será alegremente carregada em padiola por todos nós, os contribuintes.
Prova de que o pânico começa a chegar à economia real, e não apenas à bolsa e sistemas financeiros é que este tópico está a bombar num sábado á tarde...
Então mas afinal são rumores, ou são, como dizes logo a seguir à virgula, informações de fontes bancárias, que adjectivas de credíveis?! Em que ficamos?!
Bom, vamos lá tentar introduzir algum bom senso nesta situação. Numa conjuntura de crise financeira, com muitas incertezas no mercado, considero ser absolutamente irresponsável vir deitar lenha para a fogueira sem fundamentos demonstráveis. Repito, haja bom senso!
Nem tu, nem os "quadros superiores" que te servem de fonte, nem ninguém sabe neste momento todas as consequências desta crise. A mim parece-me óbvio que ainda há uns quantos estouros para serem dados, e que o contágio à chamada economia real é inevitável. Contudo, se isto é absolutamente verdade, não é menos certo que os governos e os bancos centrais de todo o mundo estão a concertar esforços no sentido de dar um sinal muito claro de que estão dipostos a segurar o problema. Nem outra coisa podiam fazer.
Já essa história de levantar todo o dinheiro que for possível não só é um conselho perigoso, como é completamente estapafúrdio. E dados o risco económico, social e político que poderia provocar, não encontro melhor epíteto que este: burrice!
Imaginem por hipótese que o sistema financeiro colapsava mesmo. Os bancos congelavam os depósitos e todo o tipo de movimentos financeiros (cartões, transferências, pagamentos, net, tudo). E imaginem ainda, por mais absurda hipótese, que os bancos centrais nada faziam. A massa monetária em circulação limitar-se-ia então às notas e moedas que andam por aí. Vocês imaginam quanto pesam as notas e moedas no sistema monetário europeu, por exemplo? Menos de 10% do dinheiro todo, guardados nos bolsos das pessoas, nas caixas dos estabelecimentos, nos cofres dos Bancos e nos bancos centrais. O que anda a circular efectivamente nos bolsos das pessoas se calhar não chega a 3%. Na posse de um bem tão escasso, as pessoas, as lojas, enfim, todos os agentes económicos tenderiam a evitar gastá-lo, o que ia paralizar as trocas económicas. Mas as pessoas precisam de comer na mesma, certo? Então passados uns 5 ou 6 dias, quando já só houvesse chá na despensa, as pessoas ver-se-iam obrigadas a entregar as suas notinhas em troca de comida, e portanto daí a mais 2 ou 3 dias a circulação de moeda parava de vez. Moral da história: o mundo não se pode dar ao luxo de admitir um colapso do sistema financeiro; por outro lado, se isso sucedesse, não seria nem 10 nem 20 nem 50 mil euros em notas guardadas debaixo do colchão que te iriam salvar da crise. O efeito de empobrecimento forçado atingiria toda a gente.
Portanto, vamos lá ter um pouco de juízo e evitar este tipo de rumores incendiários. O sistema funcionou bem durante muitos anos, não está imune a problemas, e esses problemas actualmente são graves, mas não se ponham já a vaticinar o fim de uma era. Se o vosso carro vos deixar apeados isso é muito aborrecido e pode até obrigar-vos a largar muito dinheiro para o consertar, mas não é por isso que vão deixar de acreditar no automóvel enquanto meio de transporte e começar a andar a pé a partir daí.
Ah, e outra coisa: se todas as pessoas se deslocarem aos magotes para levantar o seu dinheiro, não vai haver dinheiro para todos, nem pouco mais ou menos. Mas isso não tem necessariamente nada que ver com os problemas actuais. O sistema é que está montado assim, e muito bem, a meu ver. Há 5, 10 ou 15 anos os resultados seriam os mesmos. Só para que fique esclarecido.
Em suma, não vale a pena entrar em parafuso. Até agora com todas as falências que houve ainda nenhum aforrador perdeu um tostão, nem mesmo na Islândia. A probabilidade de os depósitos não serem pagos é mínima. Por exemplo em Portugal a totalidade dos depósitos representam pouco mais de 100% do PIB, o que significa que caso um ou outro banco fosse ao charco não seria deficil à CGD absorver tudo mesmo implicando uma injecção de capital por parte do estado.
Olha que eu não tinha paciência para explicar assim tão tim tim por tim tim... ou se calhar é porque também não o sei fazer... []
Uf, ainda bem porque é o meu banco []
Eu já comprei conservas, água e pilhas.....
Para quê?! Vem por aí algum tufão?
Um dia destes desisto de o tentar fazer. É que há por aí muita gente, na web e na rua, cujo contacto com os mercados financeiros se resume a meia dúzia de acções de alguma IPO, ao crédito à habitação e ao cartão multibanco, mas que já debitam verdades e sentenças como se de candidatos a Nobel se tratassem!
Eu, que sou economista a trabalhar no ramo financeiro há mais de 10 anos, reconheço humildemente que não tenho resposta para tudo e que há fenómenos que me escapam. E por isso me encontro disposto a partilhar aqui algo do pouco que sei, e a aprender algumas coisas também.